“O meu sonho é jogar pelo Real Madrid”

Amir Abedzadeh, guarda-redes do Marítimo

10 Nov 2017 / 02:00 H.

Amir Abedzadeh foi chamado pela primeira vez à Selecção Nacional do Irão por Carlos Queiroz. O guarda-redes do Marítimo é filho da antiga glória do futebol iraniano, Ahmed Abedzadeh, que guardou as redes do Irão no célebre Mundial de 1998, em que a equipa árabe obteve a sua primeira vitória numa fase final desta grande competição, na altura, frente aos EUA, por 2-1.

A história agora pode repetir-se com o mesmo sangue 20 anos depois, numa carreira pautada por objectivos, trabalho suplementar e um grande sonho. Quanto à Madeira, o guardião verde-rubro diz-se muito feliz com a sua estadia.

Estava à espera de ser chamado? Primeiro, é uma honra ter sido convocado para este dois particulares. Todos os dias dou o meu melhor e o meu propósito é melhorar, dando tudo o que tenho cada vez que me chamam. Não escondo que quero fazer parte da selecção, mas este é só mais um passo naquilo que quero atingir. Agora, quero desfrutar desta fase, mas percorrendo o caminho passo a passo.

Espera estrear-se pela selecção? Sim, obviamente que o objectivo de qualquer jogador é representar o seu país e eu não sou excepção. Tive sempre o desejo de jogar pelo Irão e agora chegou a oportunidade. Tento também dar sempre o melhor pelo meu povo e dar-lhes as maiores alegrias.

Quer seguir as pisadas do seu pai? O nome dele é incontornável no desporto iraniano. É verdade que aprendi muito com ele e espero marcar o desporto do meu país tal como ele marcou. Quero chegar até onde o meu pai chegou e mostrar todo o meu talento, tal como ele conseguiu. Para chegar até esse nível terei de trabalhar muito para isso. Sou um profissional muito focado e as minhas aspirações são até superiores.

Há o peso do legado? O meu ídolo será sempre o meu pai. Sigo as ideologias e o trabalho dele. Sei como ele trabalhava e posso dizer que o meu pai é a pessoa mais próxima de mim diariamente. Falo com ele sobre o treino, vejo os erros que cometo e discutimos, no bom sentido, para poder melhorar. É a pessoa que mais respeito no futebol.

Espera estar presente num Mundial, à semelhança do seu pai? É uma honra o Irão estar presente nessa grande competição que é o Mundial’2018. Estou muito feliz pelo seleccionador ter-se lembrado de mim para estes dois amigáveis e agora só tenho de continuar a trabalhar para viajar até à Rússia. Alcancei um dos meus muitos objectivos e agora só penso em trabalhar para ajudar o meu país. Se vou estar ou não no Mundial, isso não me compete, mas trabalho diariamente, até com trabalho suplementar. Para além dos treinos, faço duas horas de alongamentos em casa, na minha varanda. Sei que o meu corpo é a minha arma, por isso trabalho muito o campo físico e mental.

Sente que evoluiu na Madeira? É uma boa ‘casa’ para viver? É uma ilha fantástica e durante este último ano sinto que evoluí muito no Marítimo. Estou agradecido a todos os que me ajudaram desde que cheguei à Madeira e quero retribuir aos adeptos, dirigentes e treinadores tudo o que fizeram por mim. A Região tem um clima muito bom e gosto muito de viver aí. Adoro a Madeira como local e também pelas pessoas, que são muito hospitaleiras. Vibro muito com o ‘Caldeirão’, porque há algo de especial nos nossos adeptos.

O Marítimo foi a melhor escolha? Achei que foi a melhor opção para a minha evolução. Tomei a decisão com total consciência e foi o caminho que escolhi. Tinha várias abordagens da parte de vários clubes de topo, mesmo estando a competir na 3.ª categoria do futebol nacional [Barreirense].

Foi natural o caminho pelo futebol? Desde pequenino que decidi ser jogador. Com cinco anos já assistia aos treinos do meu pai e andava sempre com ele. Toda a minha vida quis ser guarda-redes e com 17 anos comecei a jogar numa equipa sénior. Sempre fiz as coisas antes do tempo, ou seja, ‘queimei’ etapas fruto do meu trabalho. Isto deve-se sobretudo porque lutei muito para ser guarda-redes, apesar de não ter esquecido os estudos e estar quase a finalizar o meu curso de Economia.

Até agora, nos três jogos que realizou não concedeu qualquer golo. Qual é a razão para manter a baliza inviolável? Fico contente, mas não penso muito nisso. O mais importante é ajudar a equipa e não me esquecer de jogar com todo o meu coração. Nos três jogos que realizei até agora obtivemos sempre bons resultados, mas também não me posso esquecer que melhorei a minha consistência e nível exibicional. Não importa em que torneio jogo, seja Taça da Liga ou Taça de Portugal, só quero continuar a mostrar o meu trabalho em campo.

Está preparado para assumir o lugar no Marítimo quando a oportunidade surgir? Estou a trabalhar em cada sessão de treino para isso e a dar o meu melhor. Apesar de todos os altos e baixos, como é normal na carreira de um futebolista, é importante colocar os resultados colectivos à frente de tudo. A equipa está a jogar bem, a ganhar jogos, e colocada numa posição de acesso à Europa. Espero ajudar o Marítimo a alcançar os objectivos a que se propõe e que com o meu contributo sejamos mais fortes. A opção nunca vai ser minha, mas trabalho diariamente para ser titular. Quando sou chamado à responsabilidade mostro que estou preparado e à altura de defender o Marítimo. Treino para que quando me chamem eu possa dizer ‘podem contar comigo’.

O Marítimo pode catapultar-lhe para outro patamar? Quando falamos do Marítimo, falamos de um clube formador e, posteriormente, vendedor. Quando olhei para o clube foi nesse sentido. A passagem pode elevar-me para patamares mais altos, mas por agora, há o tempo e a forma. O meu foco é olhar para cima e procurar a evolução. Agora, é preciso que as coisas corram bem, porque os guarda-redes podem fazer 10 defesas fantásticas, mas se levam um frango a partir daí já são uns ‘frangueiros’.

Sente-se confortável em ser suplente? Qualquer jogador, de todas as posições de uma equipa, quer jogar e trabalha diariamente para isso. Há aqueles que amuam e ficam chateados por não jogarem e existem outros que olham para isso como um incentivo para trabalhar mais forte e poder chegar ao lugar que querem, ou seja, ser titulares. Eu não sou excepção e estou no lote de jogadores que não jogam com regularidade, mas que quer jogar. Quero integrar o ‘onze’ quando acharem que o Marítimo ficará mais forte comigo. Chateado ou incomodado não estou nem nunca estive. Estou muito grato pelo que tenho vivido no clube e pelo que tenho encontrado. Todos me têm ajudado e estou um melhor guarda-redes depois de ter chegado à Madeira.

Como olha para o futebol português? Está com uma força tão grande e reconhecido mundialmente, que os jovens começam a perceber que vale a pena investir em sair de onde estão para aprenderem com os treinadores portugueses e conhecer o futebol português, porque está muito bem cotado. Há jogadores iranianos com qualidade que têm visto o meu exemplo e escolhem Portugal para evoluir.

Qual é o seu maior sonho enquanto futebolista? Quero jogar numa das 10 melhores equipas da Europa. Estou 100% convicto que conseguirei lá chegar, porque tudo é possível para um futebolista. Mas o meu sonho é jogar pelo Real Madrid. Vi o Keylor Navas a assinar, que se transferiu do Levante, e também olho para o Pepe, que já foi do Marítimo e chegou ao Real Madrid, e vejo que também posso lá chegar. Não escondo que estou a trabalhar para atingir esse patamar.