Levados pela corrente literária

Obra ‘Levadas of Madeira: A Literary Anthology’ foi lançada ontem

16 Mai 2018 / 17:05 H.

Enquanto o Governo Regional caminha lentamente na apresentação da candidatura das levadas da Madeira a Património Mundial da UNESCO, há quem promova estes canais de irrigação tão nossos a mais de 2.500 quilómetros da Região.

A obra ‘Levadas of Madeira: A Literary Anthology’ foi lançada ontem à tarde, no Parlamento Europeu, em Bruxelas, sendo esta uma versão traduzida para inglês, depois de já ter sido publicada o ano passado, em português. Da autoria de Thierry Proença Santos, fotografia de Francisco Correia e posfácio de Nélson Veríssimo, este exemplar reúne 33 textos de vários autores e 45 imagens de uma magia singular que nos conduz pela destreza dos nossos primórdios em contornar as adversidades impostas pelas características da nossa natureza.

As novidades, no entanto, não se ficam por aqui. Até sexta-feira estará patente uma exposição com o mesmo nome desta publicação literária, no edifício do Parlamento Europeu, onde foram colocados 12 painéis compostos por algumas fotografias e excertos do livro. Curiosamente, no átrio do edifício está patente uma grande mostra alusiva ao arquipélago dos Açores, e que tem captado a atenção de muitos.

Esta apresentação, que reuniu cerca de meia centena de pessoas, contou igualmente com a actuação do Grupo de Fados da Associação Académica da Universidade da Madeira (AAUMa), os Fatum, que viajaram propositadamente a Bruxelas para fazer ecoar no edifício da União Europeia o que tão bem sabem fazer desde 2010: imortalizar os grandes artistas portugueses ligados ao Fado. Para além da música houve direito a uma ‘explosão’ de sabores que nos fizeram voltar à Pérola do Atlântico. Um brinde com Vinho Madeira e poncha, acompanhado de broas e bolo de mel não puderam faltar.

Resta salientar que tudo isto apenas foi possível pela sinergia criada entre a eurodeputada madeirense Liliana Rodrigues e a editora Académica da Madeira, responsável pela publicação do livro, almejando agora certamente chegar a outros públicos, quer nas livrarias portuguesas, quer pela Internet, nas plataformas da Wook e Amazon, respectivamente.

“É como um cartaz turístico”

Visivelmente feliz por apresentar o segundo livro junto da Académica da Madeira, no Parlamento Europeu, em pleno ano de celebração dos 600 anos da descoberta do arquipélago, Liliana Rodrigues afiançou que, no que depender de si, projectos deste género irão contar sempre com o seu apoio.

“Estes estudantes são o exemplo da vontade na divulgação do projecto europeu, mas também de divulgação do melhor que a Madeira tem. Ao fim ao cabo o que queremos é promover a Madeira. [Esta exposição] é como um cartaz turístico. Já vários deputados me disseram que logo que possam vão à Madeira”, disse a eurodeputada.

A regra das exposições no parlamento é muito clara: apenas pode perdurar um semana, mas a socialista não tem dúvidas de que milhares de pessoas não vão ignorar a mostra. “Pelo Parlamento Europeu passam cerca de 30 mil pessoas por dia, isto incluindo funcionários e visitantes, se passar metade desse número já seria muito bom”, esclareceu.

Sobre a candidatura das levadas a Património Material da UNESCO, Liliana Rodrigues não tem conhecimento de como o processo está a decorrer, mas de uma coisa tem a certeza, a de que “foi de uma grande injustiça, em 2016, não terem sido consideradas património”, até porque “está mais do que provado” que as levadas “devem ser preservadas por todos nós”.

Já Carlos Abreu, presidente da AAUMa, acha que “a produção de obras em inglês poderá abranger uma maior quantidade de pessoas que possam também conhecer um pouco da história da nossa Região e um pouco da nossa cultura”, não deixando de realçar que “já gostava que as levadas da Madeira fizessem parte do património da UNESCO”.

Sobre a apresentação e exibição no Parlamento Europeu, Carlos Abreu achou que “era o sítio mais indicado para levar o nome da Madeira além-fronteiras”, acrescentando que a “apresentação do livro em inglês apenas foi possível com a ajuda de voluntários madeirenses, estrangeiros e residentes britânicos” na Região.

De olho nas Regiões Ultraperiféricas

A apresentação da obra decorreu na parte da tarde, mas pela manhã Liliana Rodrigues reuniu os convidados e a comunicação social para mostrar o que tem feito desde que assumiu o cargo, em 2014.

No fundo, a socialista salientou que o seu papel dentro do Parlamento Europeu passa por “diminuir as assimetrias regionais”, destacando vários pontos importantes, como é o caso do recente corte nas políticas de coesão e agricultura anunciado pela União Europeia.

“Como sabem a política de coesão neste momento está ameaçada, no sentido em que a Comissão Europeia já definiu cortes de pelo menos 6% na Política de Coesão e outros 5% na Política Agrícola. O grupo socialista vai fazer oposição, porque são fundos muito importantes para Portugal”, disse a eurodeputada, olhando para os jovens e lembrando que durante o ano passado “foram disponibilizados quatro milhões para as universidades das nove RUP” que integram a União Europeia, uma quantia que é “francamente pouca” se tivermos em conta que esse bolo significa uma fatia de “pouco mais de 400 mil euros”.

Quanto à Política de Coesão para Portugal, Liliana Rodrigues enumerou cinco objectivos que o país pode estar em risco de não alcançar caso o corte anunciado avance, como são os casos da “criação de emprego, criatividade empresarial, crescimento económico, desenvolvimento sustentável e qualidade de vida dos cidadãos”. O mais importante, por agora, é mesmo “garantir a continuidade das subvenções no pós-2020”, mesmo que até aí “exista bastante dinheiro disponível”.

Liliana Rodrigues lembrou igualmente que partiu de si a criação do único Gabinete Europeu da Madeira, em Machico, um espaço físico onde qualquer cidadão poderá tirar as suas dúvidas ou pedir por informações, não esquecendo também o seu penúltimo relatório, que traz algo de novo para a Região.

“Uma das coisas que pedimos foi que a rede 5G seja testada primeiro nas RUP. Podem dizer que a rede 4G não está coberta em toda a Europa, mas já garantimos que os testes desta rede móvel serão realizados nas RUP e, claro está, na Madeira”, congratulou-se a socialista.