Novo órgão já no Festival

O órgão de coro encomendado pela Sé, da autoria de Dinarte Machado, terá pelo menos quatro actuações em Outubro, incluindo uma no dia dos 500 anos da Diocese, a 18, e no 8.º Festival de Órgão da Madeira, a 21

16 Set 2017 / 02:00 H.

Já está a ser colocado no local o novo órgão da Sé do Funchal, um instrumento de acompanhamento da autoria de Dinarte Machado, encomendado pelo cabido para assinalar os 500 da Diocese do Funchal, que terminam no dia 18 de Outubro. A bênção está prevista para o dia 13 numa cerimónia a contar com o organista titular da Igreja da Lapa, no Porto, e com os coros da Direcção de Serviços de Educação Artística e Multimédia. O instrumento neste espaço dedicado à Santíssima Trindade já vai este ano integrar a programação do 8.º Festival de Órgão da Madeira.

Ontem pela manhã chamou a atenção dos transeuntes o contentor colocado em frente à catedral em que o órgão foi transportado desde o continente por via marítima, depois de previamente montado em Mafra. As afinações finais serão feitas na Sé, onde o instrumento estará em local de destaque.

Este instrumento “é único em Portugal” pelo facto de ser montado em cima de uma plataforma criada para o efeito na capela dedicada ao Senhor Bom Jesus, que permite que o mesmo se mova. “Tem uma estrutura própria que se desloca graças a um mecanismo eléctrico para ficar à face da capela”, revelou Dinarte Machado. “O órgão roda, ficando encostado à parede nos tempos comuns e quando é para ser utilizado com uma maior presença, o órgão roda para ficar virado para o altar ou assembleia”, explicou o mestre organeiro.

Cerca de 80 mil euros foram investidos na construção do instrumento. O valor não é final, apontou o padre Ignácio Rodrigues, atendendo a que as contas ainda não estão fechadas. Ainda assim, o valor não deverá sofrer grandes alterações, acredita o vigário paroquial da Sé e responsável pelos coros.

Os trabalhos de montagem devem ficar concluídos até ao final deste mês, o mais tardar nos primeiros dias do próximo, antecipa Dinarte Machado. O novo instrumento vai tocar em pelo menos quatro ocasiões em Outubro. A primeira será no dia 13, dia da bênção. A cerimónia deverá começar pelas 21 horas, será constituída pelo rito religioso, seguido de interpretação de alguns temas exclusivamente no novo órgão e de outros em conjunto com os coros da DSEAM. Filipe Veríssimo é o organista convidado. O organista titular da Igreja da Lapa terá ainda oportunidade de tocar em outras ocasiões.

No dia 14 é a vez de o novo instrumento acompanhar o Coro da Catedral, por volta também das 21 horas. No dia 18, pelas 18 horas, a Diocese do Funchal celebra os 500 anos da dedicação com um concerto com o Coro de Câmara e os dois órgãos, ocasião para a estreia mundial da obra ‘Missa para dois órgãos’, da autoria do padre Ignácio Rodrigues. Além de Filipe Veríssimo actuará também o organista madeirense Nélson Quintal. A unção do altar-mor da Sé aconteceu em 1517, dia da festa de São Lucas.

O último destes quatro concertos será integrado no Festival de Órgão da Madeira, a decorrer este ano entre os dias 20 e 29 de Outubro. O concerto com a participação do novo órgão, criado para ser instrumento de acompanhamento da liturgia, mas também com capacidade para assumir o papel de solista, é no dia 21, integrado na oitava edição.

*COM LUSA

Instrumento singular para o dia-a-dia

Depois de um ano e oito meses de trabalho, o novo órgão com cerca de três toneladas está construído e pronto a descansar no seu local. Tem a particularidade, dada a dedicação da Sé do Funchal à Santíssima Trindade, de também ele remeter para esta tríade.

A ligação à estética, assim como ao mar estiveram presentes na concepção do instrumento, a partir de Outubro disponível para actuar a solo ou em conjunto com o grande órgão histórico do coro alto.

A Sé do Funchal é dedicada à Santíssima Trindade que “é um número impar” e Dinarte Machado acabou por construir um instrumento em que a fachada, “toda ela, é impar”, não existindo nenhum lado igual.

“Nesse desenho de planificação estética existe uma planificação tonal, que é o número de registos, atendendo ao tipo de sonoridades que se pretendem”, sendo que o design do novo órgão tem “linhas coincidentes com as linhas que existem dentro da Sé, nomeadamente nos arcos laterais”, disse.

O novo será mais usado do que o grande órgão do coro alto, foi encomendado para assinalar os 500 anos da ocupar o lugar do órgão electrónico comprado aquando da visita do papa João Paulo II à Madeira, em 1991, e que estava destinado à liturgia.

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