Nova derrota ao cair do pano num teste exigente

13 Jul 2018 / 02:00 H.

Neste estágio que o Marítimo vem encetando no Algarve, defrontando duas equipas inglesas nos dois primeiros jogos de treino, sublinhe-se o que já se sabia, ou seja, a cultura de clube do adepto inglês relativamente às suas equipas. Ontem cerca de um milhar de adeptos do Sheffield United emolduraram as bancadas do estádio da Bela Vista, num clima de festa mas de apoio à sua equipa. Mesmo a ‘brincar’!

Depois falemos do Marítimo, que ao segundo jogo de preparação volta a perder e outra vez a sofrer o golo nos minutos finais. Mas se no primeiro jogo de treino até salientamos as indicações positivas que a formação agora orientada por Cláudio Braga forneceu, ontem nem foi tanto assim. Mesmo frente a uma equipa bastante competitiva, nomeadamente ao longo da primeira parte, a exigir muito do Marítimo – o treinador maritimista fez algumas mudanças, relativamente ao primeiro jogo, alternando os dois ‘onzes’ – os verde-rubros tiveram dificuldades em criar situações ofensivas e de finalização e foram igualmente pouco coesos no processo defensivo. Valeu a falta de pontaria dos avançados ingleses, que enjeitaram quatro boas situações para se colocarem na frente do marcador, nomeadamente pelo seu ponta de lança Clark (duas vezes) e ainda Lafferty, pelo que o nulo ao intervalo era lisonjeiro. Do Marítimo apenas um lance de bola parada, em que Lucas Áfrico ainda assustou o guarda-redes inglês.

Para a segunda parte do treino, com outra equipa, o Marítimo veio mais compacto e mais decidido, mesmo que a qualidade de jogo não tenha aumentado de forma significativa. Mas, nesta fase, o jogo foi mais equilibrado e mais repartido, com menos oportunidades de golo nas duas balizas. Barrera cria a primeira grande situação para o Marítimo em todo o jogo, obrigando o guarda-redes inglês a uma boa defesa, mas é Charles (62) com uma grande intervenção a negar o golo a Laverty. Os verde-rubros, em lances de bola parada, ainda ameaçaram, mas no fim foi o Sheffield a marcar, com Ched Evans, jogador internacional pelo País de Gales, a desviar à boca da baliza uma bola que veio da cabeça de um companheiro.

Destaques positivos e negativos

Fica uma nota: os jogadores podem ter acusado algum cansaço que esta fase de trabalho sempre causa, mas os processos que o treinador quer implementar pareceram, neste treino, ainda longe de estarem totalmente assimilados pelos seus interpretes. O que até será natural.

Charles, único a jogar os 90 minutos, curiosamente apenas foi obrigado a uma defesa de grande dificuldades, pese embora, na primeira parte, o volume ofensivo dos ingleses. Zainadine acusa falta de frescura, Bebeto e Edgar Costa estão muito presos der movimentos, Joel foi discreto e Fabrício comprometeu com duas perdas de bola. Dos novos, Barrera mostrou credencias, Alhassam também, mas quebrou fisicamente cedo e Lucas Africo não inventa. Aloísio, o ‘puto’ que veio da B tem pormenores interessantes, já Marcão vai ter que provar mais. No lance do golo ficou, no alto dos seus 1,94 de altura, a ver a bola sobrevoar a área.

De resto, um bom teste frente a uma boa equipa, que obrigou o Marítimo a trabalhar muito defensivamente. Há trabalho pela frente.

Treinador satisfeito

Cláudio Braga: “Foi um treino/jogo com bastante intensidade, que estávamos a precisar, pois é uma realidade mais próxima do nosso campeonato. Achei que tivemos um desenvolvimento de jogo ofensivo que demorou algum tempo a encontrar as soluções exactas em face de uma equipa a jogar com três centrais e dois laterais subidos, que nos obrigava a jogar em largura. Quando encontrámos essa solução, depois do minuto 25, tivemos a oportunidade de chegar mais vezes à baliza do nosso adversário. É lógico que haja ainda muito trabalho pela frente é um processo normal. Mas foi um bom treino e estou contente”.

Outras Notícias