Norte da Madeira perde 1/10 da população em 7 anos

É mais do dobro da média regional entre 2010 e 2016. Madeira já só tem 254.876 habitantes

20 Jun 2017 / 02:00 H.

A população residente na Madeira e Porto Santo baixou consideravelmente no últimos sete anos, passando de 267.965 em 2010 para os 254.876 em 2016, que estabelece um novo marco negativo a 12 anos. Desde 2003 que não viviam tão poucas pessoas na Região Autónoma da Madeira, mas pior são os concelhos da costa Norte que, em metade desse tempo, perderam mais de 1/10 da sua população.

Segundo os dados publicados pela Direcção Regional Estatística da madeira (DREM), com base nas Estimativas da População Residente, em 31 de Dezembro de 2016, residiam na RAM menos 1.548 pessoas face a 2015, sendo que 118.860 eram homens e 136.016 eram mulheres. “Manteve-se, assim, a tendência de decréscimo populacional encetada em 2011”, frisa a entidade, que acentua a “taxa de crescimento efectivo negativa, de -0,6% (-0,9% em 2015)”.

“O decréscimo populacional deveu-se essencialmente aos saldos migratório e natural negativos de -794 pessoas e -754 pessoas respectivamente, tendo o saldo migratório sido reduzido para cerca de metade comparativamente ao ano anterior (-1.598 em 2015)”, apontava a semana passada a DREM.

Contudo, analisando os últimos seis anos, o saldo migratório ascendeu a -7.837 residentes, ou seja é o número de pessoas que deixaram a Madeira para trás e foram procurar vida noutras paragens. O saldo natural (diferença entre nascimentos e mortes) neste período ascendeu a -3.620. Significa que o saldo migratório contribuiu com mais do dobro para a diminuição da população residente ou um peso acima dos 68% deste decréscimo de 11.457 pessoas em seis anos.

No entanto, se formos analisar a população residente em 2010, quando se chegou ao máximo da população residente na Região em quase 50 anos, damo-nos conta que perdeu-se 13.089 pessoas desde que começou a mais profunda crise económica na Madeira em décadas.

Santa Cruz mantém dinâmica, Norte perde o ‘norte’

“À excepção do município de Santa Cruz, todos os restantes municípios da RAM apresentaram taxas de crescimento efectivo negativas, tendo-se observado os maiores decréscimos populacionais nos municípios de Santana e do Porto Moniz e (-1,7% e -1,1% respectivamente)”, realça a DREM no contexto de 2016 face a 2015.

Analisando do ponto de vista da evolução mais alargada no tempo, temos os três concelhos do Norte - sem surpresa - a liderar as perdas no período entre 2010 e 2016. Porto Moniz, Santana e São Vicente viram pelo menos 1 em cada 10 dos seus habitantes desaparecer, fosse por ordem do saldo natural (-991 no acumulado desde 2011), fosse pelo saldo migratório (-638 no mesmo período).

No entanto, também sem surpresa, o maior contributo para a perda da população residente na RAM, com menos eram 7.177 funchalenses, representando 54,83% do total, quando o peso dos residentes no concelho face a toda a população residente pouco passa dos 41%. No global, a RAM perdeu 4,88% da sua população residente entre 2010 e 2016.

Menos povoado, menos jovens, mais idosos

No ano passado, “a densidade populacional da RAM era de 319,0 habitantes por Km2. O Funchal foi o município a registar o maior valor (1.380,4 Hab/Km2), contrastando com o Porto Moniz, que apresentava o valor mais baixo (29,0 Hab/Km2)”, frisa ainda a DREM.

Comparado com, por exemplo, 2012, a densidade populacional na Região era de 329,1 Hab/Km2, o Funchal o município com mais valor (1.439,1 Hab/Km2) e o Porto Moniz o menos denso, 31,5 Hab/Km2, o que confere com os dados da diminuição da população.

Já a “proporção de jovens (população com menos de 15 anos) continuou a diminuir em 2016, representando 14,3% da população total (14,8%, em 2015). A proporção de idosos (população com 65 ou mais anos) manteve também a tendência crescente dos últimos anos, atingindo 16,0% da população residente (15,6%, em 2015)”, com o índice de envelhecimento a atingir os 111,5 idosos (por cada 100 jovens), refere a DREM. Na mesma perspectiva, em 2012 e tal como em anos anteriores, o índice de envelhecimento era inferior a 100, fixando-se nas 90,6 pessoas idosas por cada 100 jovens. Esta é uma realidade que todos os anos, desde que há dados (1981). Nesse ano, o índice de envelhecimento era de 34,9. Basicamente, por cada 35 idosos havia 100 jovens.

Os valores mais elevados deste indicador registaram-se em São Vicente (233,0), Santana (232,4) e Porto Moniz (209,6), quando em 2010 era Porto Moniz (176,9) que estava à frente, seguida de Santana (171,3) e depois São Vicente (159,5). Os valores mais baixos foram observados em Santa Cruz (63,2) e Câmara de Lobos (68,6), concelhos que se distanciam largamente dos restantes. Nota para Santa Cruz que, pelo terceiro ano seguido, detém o estatuto de concelho mais jovem da Região, ‘ceptro’ que, historicamente, pertencia a Câmara de Lobos, que gradualmente foi-se aproximando dos santacruzenses e não o contrário.