Nobel para Ishiguro

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05 Out 2017 / 20:19 H.

Kazuo Ishiguro pensou que o telefonema da Academia Sueca fosse uma partida, mas o escritor britânico nascido em Nagasáqui é o vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2017: “O mundo está num momento muito incerto e esperaria que todos os prémios Nobel fossem uma força em prol de algo positivo no mundo”, acabou por dizer numa primeira reacção à distinção.

A secretária permanente da Academia Sueca descreveu o autor como uma mistura de três escritores com lugar de destaque na história da literatura: “Se misturar Jane Austen e Franz Kafka, então consegue-se Kazuo Ishiguro, na essência, mas tem de se acrescentar um pouco de Marcel Proust, para depois mexer - não muito. Ao mesmo tempo, é um escritor de grande integridade. Desenvolveu um universo estético próprio”, disse Sara Danius logo após a divulgação do nome do vencedor deste ano. Kazuo Ishiguro, por sua vez, aceitou o reconhecimento com regozijo: “É uma honra magnífica, principalmente porque significa que sigo as pegadas dos maiores autores que alguma vez viveram”, afirmou o recente laureado. Para a Academia Sueca, Ishiguro “em romances de grande força emocional, revelou o abismo sob o sentido ilusório de conexão com o mundo”. A obra, diz, é atribuída à sua plenitude e não apenas a um livro e espera que a escolha “faça o mundo feliz”.

Por cá

Quem também recebeu a notícia com satisfação foi a Directora Regional da Cultura: “Julgo que vem no tempo certo e com responsabilidade, porque vivemos uma época propícia à amnésia colectiva. Temas como a memória, o tempo e as ilusões que alimentamos para suportar a vida tão presentes nos romances de Ishiguro, poderão constituir-se como oportunidade para o grande público ler ou reler, e reflectir”, disse Natércia Xavier ao DIÁRIO. A directora regional de Cultura destaca ainda o trabalho de Ishiguro para além da escrita, mas que se revela nela: “Trabalhou como assistente social nos bairros mais pobres de Londres. É excelente este reconhecimento, principalmente pela oportunidade de dar a conhecer melhor a sua obra, sublinhando a importância de criar em vez de reagir ou repetir, mostrando como a memória se relaciona com o esquecimento, a história com o presente e a fantasia com a realidade”. Já para Guilherme Valente, editor da GRADIVA, “não constitui uma surpresa, pois já há muito esperava a atribuição do Prémio Nobel a este autor: Kazuo Ishiguro é um dos mais importantes ficcionistas do restrito e muito exigente catálogo de ficção estrangeira da Gradiva”.

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