“Não tenho ambições desmedidas”

19 Jun 2017 / 02:00 H.

Qual é o objectivo deste reaparecimento do CDS com lista própria? Este reaparecimento do CDS acaba por ser um recomeço da nossa actividade no concelho, apesar do partido não ter parado, uma vez que estivemos aliados neste últimos dois mandatos. Daí que a expectativa seja a de trazer uma nova política, mas sobretudo uma política positiva, uma política para os cidadãos. É assim que me revejo nesta candidatura e aquilo que pretendo é contribuir para que a política traga algo mais apelativo aos cidadãos e à sua participação, para que todos possamos perceber que esta gestão local, que deve ser de aproximação, tem que ser feita por todos nós. Porque o que as pessoas precisam é de algo positivo e não continuar com uma política do ‘deita-abaixo’, porque depois toda essa energia negativa acaba por ser um obstáculo à construção. Por isso esta candidatura está por uma política positiva e construtiva.

O que é que falhou no JPP para já não merecer o apoio do CDS? Trata-se de um desfecho natural porque se nos dois mandatos anteriores o CDS coligou-se a um Movimento de Cidadãos, apostando num exercício da política diferente e com uma mensagem que nos pareceu ser de facto aquilo que o concelho precisava na altura, entretanto importa não esquece que no decorrer já deste mandato esse Movimento transformou-se num partido, ou seja, transformou-se num nosso concorrente directo. Por isso já não fazia sentido continuarmos a apostar nessa coligação, até porque agora, também nada a natureza partidária de cada um, a nossa visão é diferente.

Já não se revê neste JPP, do qual também fez parte, embora no mandato anterior? Este segundo mandato do JPP já foi diferente do primeiro, primeiro mandato que estive como vereadora de ‘coração aberto’ porque acreditei. Neste segundo mandato já não me revia a 100%. Mas eu não represento o CDS, represento-me a mim própria como pessoa do CDS. Contudo neste mandato já não me via no movimento, porque o JPP tem cada vez mais mostrado uma visão que dificilmente seria possível estar de acordo. Por isso, mesmo que continuasse como Movimento, com as ideias que tem como Partido, dificilmente seria possível o entendimento porque realmente estamos cada vez mais distantes um do outro.

O porquê dessa ‘distância’? Ficou desiludida com o estilo de governação? Foi um mandato marcado pela negativa ou mesmo pela nulidade, porque até ao momento realmente lamentaram-se muito, também porque nós sabemos que a herança não foi fácil, só que passado este tempo todo há muito a fazer no concelho e não vimos nada...

Apostar num executivo que foi uma nulidade não foi também um falhanço...? Digo nulidade não no sentido de ser nulo mas no sentido de passividade, porque continuaram muito agarrados à ‘triste’ herança que apanharam e não foram capazes de mudar o quanto antes essa realidade. Tanto assim é que praticamente até agora não se via nada de especial, até que de repente surgem várias apresentações, principalmente no centro do Caniço e de Santa Cruz, nomeadamente de repavimentações, que são importantes, sem dúvida, mas há muitas outras coisas e também bastante importantes onde ainda não vimos nada. Também é certo que não se pode fazer tudo de uma vez tão pertinho das eleições...

Este despertar que diz só agora estar a acontecer são medidas eleitoralistas? Realmente a menos de quatro meses das eleições estas obras acabam por fazer ‘alguma sombra’, porque pelos vistos finalmente conseguiram arranjar liquidez a seis meses do fim do mandato, quando tiveram três anos e meio para o conseguir. Enfim, não vou fazer juízos de valor, mas não deixa de ser questionável que só tenham decidido se mostrar nestes últimos seis meses, procurando fazer aquilo que tinham fazer. Mas será que deram prioridade ao que era mais prioritário?

Para o CDS quais são as prioridades? Essencialmente acho que há questões ambientais muito importantes, como o saneamento básico, que muitas vezes não se aposta porque fica escondido debaixo do alcatrão e alcatrão dá mais na vista do que o que está por baixo. Só que depois, quando vem a chuva é que se vê os problemas por resolver

Também o 20 de Fevereiro e os incêndios vieram demonstrar que temos zonas de risco que importa dar mais atenção, sem esquecer a parte social, que é muito importante. É preciso olhar para as diferentes gerações, sobretudo para as crianças e idosos e perceber as reais condições em que vivem e como podem ser ajudadas. É preciso também apostar na Cultura para dar mais vida às localidades e dar também a devida atenção ao Turismo. E isto só se consegue com uma gestão positiva em que se perceba que somos todos parceiros no desenvolvimento do concelho.

Qual é a expectativa no resultado? Eu nunca fui ambiciosa na minha vida pessoal e profissional. Como tal não tenho ambições desmedidas e por isso a minha ambição aqui é conseguir realmente levar a mensagem da política positiva e construtiva, procurar as soluções que o povo realmente precisa e ver qual é o efeito que esta candidatura possa merecer dos eleitores. Se conseguirmos eleger autarcas já será uma vitória. Agora não faço questão que tenha de ser eu a eleita, mas é claro que se chegar a isso também estou preparada.

Mesmo para ser presidente da Câmara? (risos) O caminho faz-se andando. E como se diz ‘Deus capacita os escolhidos’ e se assim for, também vou ter essa fé porque sinto que estou preparada para qualquer resultado.

Se não for eleita será uma derrota do CDS? Não, porque convém não esquecer que o CDS está a recomeçar no concelho.

Como vai ser a campanha? Apenas de proximidade, no porta-a-porta para falar e dar-nos a conhecer às pessoas, porque seria também muito orgulho da minha parte achar que toda a gente me conhece.

Ser esposa do líder regional do Partido pode influenciar o eleitorado? Não sei, mas admito que isso implique os seus prós e contras. Na certeza porém que não é nada de novo haver ligações familiares na política, ainda mais na Madeira que é um meio pequeno. Contudo, pelo menos aqui no Caniço, de onde sou natural, as pessoas já me conhecem de pertencer ao CDS desde os meus 14 ou 15 anos, por isso antes do meu marido surgir na minha vida eu já era CDS e já andava na política.

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