“Não tem hora para acabar”

Nilton vem à Madeira apresentar o espectáculo ‘Tem horas certas?’ e avisa que “não vai haver ninguém nu” no Centro de Congressos da Madeira

04 Out 2017 / 02:00 H.

“Por acaso costumo ter horas certas”, disse o humorista português quando instado a responder sobre o facto de usar correctamente o seu relógio. Nilton apresenta amanhã e sexta-feira, no Centro de Congressos da Madeira, o seu mais recente espectáculo a solo, com ambas as actuações a estarem programadas para as 21h30.

De acordo com o comediante o facto de ser “extremamente pontual e irritado com as horas” fê-lo intitular este novo espectáculo de ‘Tem horas certas?’, pelo simples razão de “haver sempre alguém que tem horas erradas, mas que faz questão de dizer que estão correctas”, brincou Nilton.

Instado a responder sobre o facto de andarmos com o relógio adiantado ou atrasado, a escolha pendeu para a segunda hipótese. “Os portugueses andam com o relógio muito atrasado e para as pessoas que chegam mais tarde ao espectáculo, aviso já que passo o tempo todo a meter-me com elas”, adiantou, reforçando que “o português é muito do ‘já vou’”. Mesmo assim, para se precaver de uma eventual demora provocada pela força do vento, Nilton avançou que chega hoje à Região.

Quanto a esta ‘nova’ subida ao palco, o humorista assume que “é um espectáculo diferente do habitual”, até porque “é mais intimista e revelador”, onde fala sobre si e a sua família.

“Incluo histórias dos meus filhos e uma outra piada que não tenho o hábito de fazer. Comecei a reparar que as pessoas além de gostarem de uma ou outra revelação, às vezes perguntavam-me se tinha mesmo filhos, porque não sabiam. Eu não apareço nas revistas com eles e aqui revelo um pouco do meu lado privado”, descortinou.

“Público muito efusivo e quente”

De regresso à Madeira “uns meses” depois da última presença, os elogios ao nosso público foram motivo para nota. “É um público muito efusivo e quente. Não sei se é por haver menos oferta, mas nota-se que as pessoas gostam de ir aos espectáculos. Por exemplo, em Lisboa sente-se que o público é mais frio. A Madeira tem um significado especial, porque o meu bisavô era madeirense e na minha casa faz-se a carne em vinha-d’alhos e o milho frito”, disse a voz radiofónica que acompanha cerca de um milhão de portugueses todas as manhãs no caminho até ao trabalho, meio que diz estar a voltar aos ‘bons velhos tempos’.

“A rádio tem uma presença muito forte hoje em dia. As pessoas estão a voltar à rádio. Os números dizem-nos que hoje o ‘Café da Manhã’ tem uma média de 1 milhão de ouvintes, e isso nem no ‘prime time’ das televisões, que é a altura da telenovela, existe”, esclareceu Nilton, pedindo mais espaço aos ‘talk-shows’ na televisão portuguesa, desabafando com o DIÁRIO o seu sentimento de tristeza quanto ao desinvestimento no humor em Portugal.

“Fico triste por não haver talk-shows na televisão portuguesa. Acho que somos só nós e o Burundi. Sinto-me triste por haver desinvestimento no humor, porque havendo artistas que não se identifiquem com os talk-shows, livros ou programas da manhã, não têm onde ir”, lamentou o comediante a questão de haver esta “monocultura das telenovelas”.

“Ficava um mês inteiro a actuar”

Se houvesse a possibilidade de Nilton mostrar o ‘Tem Horas Certas?’ a toda a população da Madeira, “ficava um mês inteiro a actuar”, avançou entre risos, confessando que se sente um humorista ‘querido’ dos portugueses, embora saiba que não pode “agradar a todos”.

“Somos um país cómico e temos uma característica muito boa que é sabermos rir de nós próprios. Essa é a condição obrigatória para que haja humor. Há muita matéria por onde pegar”, disse Nilton, apelando a que as pessoas vão assistir ao espectáculo, naquelas que vão ser “duas noites bem passadas” e onde garante que “não vai haver ninguém nu”.

Segundo o humorista a audiência deve levar relógio porque “aquilo não tem hora para acabar”, acrescentando com um tom de humor que o ‘Tem Horas Certas?’ “há de começar e acabar a qualquer altura”.

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