Não há duas sem três?!

Marítimo já decidiu duas presenças na Europa no último jogo da época

19 Mai 2017 / 02:00 H.

Se o Marítimo alcançar em Paços de Ferreira, neste sábado, um lugar na Liga Europa, fará jus ao ditado popular que diz ‘não há duas sem três’.

De facto, na história das oito anteriores participações verde-rubras nas competições da UEFA, há duas que foram conquistadas na última jornada da Liga mas, quiçá, com mais sofrimento do que esta que está ao alcance do Marítimo, que depende apenas de si para concretizar este desiderato.

Na temporada de 1997/98, que se seguiu à frustada tentativa de criação de um clube único por parte de João Jardim, e que coincidiu com a entrada de Carlos Pereira para a presidência da colectividade, o Marítimo atingiria a Europa pela terceira vez na sua história com brilho e dramatismo. Augusto Inácio era o treinador, numa temporada eivada de muitas dificuldades, com o Marítimo a socorrer-se ao empréstimo de quatro jogadores, cedidos pelo FC Porto. Na recta final do campeonato, depois de perder em casa com o Salgueiros (1-4) e quase hipotecar a Europa, os verde-rubros vencerem o Belenenses nos Barreiros (2-0) e foram golear o Varzim (4-0), na Póvoa de Varzim. Para o último jogo, o Marítimo estava obrigado, nos Barreiros, a vencer o campeão nacional FC Porto e esperar que o Boavista sucumbisse na sua casa ante o Campomaiorense. A verdade que este binómio se consumou, com a vitória sobre os ‘dragões’ e os axadrezados a perderem na sua casa perante um tranquilo Campamaiorense.

Para mais, para o decisivo jogo com o FC Porto, Inácio não podia contar com os quatro jogadores cedidos pelo dragões: os centrais Ricardo Silva e Paulo Fonseca (o actual treinador do Shaktar), o médio Bino e o avançado Romeu. Mesmo assim o Marítimo chegou aos 2-0 (auto golo do central Gaspar e golo de Maurício António, já falecido), mas Jardel faria a desfeita com dois golos, empatando o jogo para a equipa portista. Aos 85 minutos fez-se a festa com o golo de Herivelto, o avançado brasileiro habitualmente suplente, assistido pelo também habitualmente suplente Pedro Paulo.

O canadiano Alex Bunbury era um dos jogadores mais em destaque desta equipa.

O improvável em Guimarães

Não menos dramática foi a forma como o Marítimo conseguiu a 7ª presença na Liga Europa. Aconteceu na temporada 2009/10, era Mitchell Van der Gaag o treinador, que havia rendido Carlos Carvalhal. Numa época algo irregular e depois de quase descartada a possibilidade de atingir a Europa, os pupilos de Mitchell arrancaram para uma ponta final que deu ainda esperanças, depois da vitória em Olhão (2-1), do empate em Vila do Conde (0-0) e da vitória nos Barreiros sobre o Belenenses (2-0).

Para a última jornada, o Marítimo tinha possibilidades remotas. Necessitava de vencer um Vitória em Guimarães, favorito ao 5º lugar, e esperar que o Nacional não vencesse o Braga na Choupana. E o melhor quadro aconteceu. O Marítimo venceu em Guimarães por 2-1, depois de ter estado a perder por 0-1, com dois golos de Kleber, nessa altura elevado a herói, agora, no último domingo, feito o vilão do Marítimo no jogo com o Estoril. Ironias do futebol.

Nesse jogo jogaram: Peçanha; Paulo Jorge, João Guilherme, Diakité, Tako, Roberto Sousa, Rafael Miranda, Manu, Kleber, Baba e Djalma, com o entrado Cherrad a fazer a assistência para o segundo de Kleber.