Museu Etnográfico
mostra gastronomia tradicional

14 Jan 2018 / 02:00 H.

É já na próxima terça-feira, dia 16 de Janeiro, que o Museu Etnográfico da Madeira (MEM) abre ao público mais uma mostra temática, desta vez dedicada ao tema da Gastronomia Tradicional da Região, nomeadamente ao Bolo de Noiva.

A mostra integra-se no projecto semestral ‘Acesso às Colecções em Reservas’ que tem como objectivo dar a conhecer ao público as peças do MEM que se encontram em reserva, permitindo a sua rotatividade.

Assim, neste primeiro semestre de 2018 estará patente ao público a exposição ‘Gastronomia Tradicional: O bolo de noiva’, que tem como objectivo valorizar e divulgar este ‘saber-fazer’, com tradição secular na nossa gastronomia, salvaguardando-se o nosso património cultural imaterial.

Segundo explica o MEM, desde a pré-história que se consome trigo, servindo este cereal para preparar pão e bolos, sendo também muito antiga a tradição de oferecer bolos em datas especiais, símbolos de prosperidade e fertilidade. Na Roma Antiga era costume fazerem oferendas de determinados ingredientes aos Deuses (frutos secos, nozes e mel), os quais eram também incorporados num bolo, que nas festas nupciais era esfarelado na cabeça dos noivos, para que os deuses trouxessem prosperidade, sorte e felicidade. Estes bolos poderão estar na origem do costume do ‘bolo de noiva’ e do ‘bolo de casamento’, que chegaram até os nossos dias.

Mais recentemente, em Inglaterra, na época de Elizabete I, era comum confeccionarem-se pequenos bolos doces para as festas de casamento. As sobras dos convidados eram reunidas numa mesa, para um ritual simbólico de apelo à fertilidade, no qual os noivos se beijavam por cima destas, acreditando-se que ficariam abençoados.

Ainda de acordo com a informação disponível na página do Facebook do MEM, “o tradicional ‘bolo de noiva’, também designado por ‘bolo da serra’, ou ‘bolo doce’ é conhecido em toda a nossa ilha, embora a sua origem seja incerta”.

Várias referências comprovam a sua presença em diferentes festividades. Contudo, a maior parte das fontes bibliográficas fazem alusão à presença destes bolos, de confecção simples e com grande durabilidade, nos casamentos, em diferentes concelhos da ilha e entregues em diferentes ocasiões. Estas oferendas de casamento simbolizariam a abundância, a partilha e a alegria, que os noivos desejavam para a sua vida.

“Segundo consta, os convidados recebiam esta oferenda após a cerimónia religiosa, na passagem do cortejo, na via pública, ou na boda nupcial, como forma de agradecimento pela sua presença”, diz ainda o MEM.

Refira-se ainda que, esta mostra de acesso gratuito, estará patente até ao dia 17 de Junho do corrente ano.

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