Mobilidade continua a dar briga

Social-democratas e socialistas continuam a dirimir argumentos

14 Jul 2018 / 02:00 H.

Uma coisa é a aprovação da proposta de lei que altera o modelo de Subsídio Social de Mobilidade, que ontem foi aprovada em Assembleia da República, oferecendo aos madeirenses a possibilidade de pagarem apenas o valor estipulado de 86 euros (65 para estudantes) sem que tenham de adiantar o montante completo da tarifa, outra coisa é a discussão de um acordo entre Governo Regional e o Governo da República em que poderá estabelecer novas regras orçamentais para a execução do modelo que englobe, por exemplo, eventuais tectos de financiamento do Estado ou até desencadear outras premissas que modifiquem aquilo que ontem foi aprovado.

Paulo Neves, deputado social-democrata, discorda desta leitura, considerando que apesar de serem questões paralelas “não vai alterar o essencial”.

O parlamentar diz mesmo que aquilo que foi conseguido em sede de parlamento será colocado em prática nos próximos meses, assim que a Comissão Economia, Inovação e Obras Públicas, da qual faz parte, aprove em especialidade.

Antes das férias de Verão será manifestamente impossível, estima, porém o social-democrata entende que o assunto poderá ser célere porque não existem assuntos pendentes para serem analisados ou discutidos.

Mas outro entendimento tem a bancada socialista. O DIÁRIO tentou ouvir Carlos Pereira sem sucesso, no entanto sabe o nosso jornal que os parlamentares do PS terão recebido orientações do Governo de António Costa para votarem contra a revisão do modelo, porque, do grupo de trabalho constituído, poderá resultar outras conclusões.

“O essencial nunca vai ser alterado. É bom que isso fique claro. Espero que a Comissão analise de forma célere para que suba a plenário, se for o caso, e seja publicado sob a forma de lei”, sublinha Paulo Neves, acreditando que o presidente da Comissão, o centrista popular Hélder Amaral, tido por ser um “deputado sensível”, não irá fazer “compasso de espera” ou adiar esta matéria por já ter sido debatido noutras ocasiões.

Deputados sem contacto

A mesma fonte socialista garante que continua a não existir um diálogo entre os dois deputados eleitos à Assembleia da República (Carlos Pereira e Luís Vilhena) e a direcção do PS-M desde a realização do Congresso que elegeu Emanuel Câmara podendo explicar o sentido de voto contrário ao desejo manifestado publicamente ontem pelo secretário-geral, João Pedro Vieira que se demarcou da posição tanto dos dois deputados madeirenses como bancada socialista.

Imperfeições

No cerne da questão estão as chamadas ‘imperfeições’ que já custaram ao Estado, nos últimos dois anos e meio cerca de 85 milhões de euros só para financiar o subsídio social de mobilidade dos madeirenses. António Costa pretende baixar a fasquia com forte oposição da Madeira.

Transportadoras

E, se as companhias aéreas levarem adiante a ameaça de abandonarem a rota, como aconteceu com a posição da Easyjet? Paulo Neves diz que a Comissão “pode servir para aperfeiçoar o modelo, e estamos disponíveis para isso”, de qualquer modo entende que os madeirenses sempre desejaram que as tarifas fossem pagas da forma como a revisão contempla.

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