Militante pede a Albuquerque

Presença de ex-militantes, candidatos pelo RB1, incomodou PSD Ribeira Brava

09 Fev 2018 / 02:00 H.

Miguel Albuquerque começa a sentir e também a ver os rostos da oposição interna. Esta quarta-feira o presidente do PSD-M foi aconselhado a se afastar da liderança do partido por um dos muitos correligionários que enchiam a sede da Ribeira Brava justamente por antever que o actual líder dos social-democratas não tem condições para ganhar as Eleições Regionais. Na resposta, Albuquerque lembrou que dentro de um ano haverá Congresso, altura em que podem aparecer candidaturas para retira-lo da presidência.

Mas não foi tudo. Apesar da declaração ter apanhado de surpresa tanto os responsáveis políticos da localidade como aqueles que acompanhavam Albuquerque na ronda pelo concelho, entre os quais estava o secretário-geral, Rui Abreu, não bastasse este inusitado apelo vindo do meio da sala, a presença de ex-militantes e candidatos pelo Movimento Ribeira Brava Primeiro, um movimento que acabou por vencer eleições autárquicas relegando o PSD local para a oposição, sentados nas primeiras filas, causou muito incómodo.

Uma situação que alguns dos mais fiéis social-democratas confidenciaram ao nosso jornal esperavam que a direcção reagisse pedindo aos ‘invasores’ que abandonassem a sala uma vez que não fazem mais parte do quadro de militantes. Mas para surpresa de todos nenhuma atitude foi tomada e a reunião prosseguiu com Miguel Albuquerque abordar temas da vida interna, inclusive dizendo que alguns militantes só estão no partido para arranjarem emprego para os próprios ou para os familiares.

Declarações numa reunião que durou pouco mais de uma hora, mas que foi a primeira depois das eleições autárquicas. E por falar neste acto eleitoral, Miguel Albuquerque esqueceu de proferir no seu discurso de abertura qualquer palavra de agradecimento ou de solidariedade para os candidatos que participaram nas listas. Nem para os vencidos nem para os vencedores.

Um ‘esquecimento’ que mereceu reprovação daqueles com quem o DIÁRIO chegou à fala porque consideraram que o presidente deveria ter tido outra sensibilidade nesta fase mais difícil muito mais por ter representado uma derrota em 40 anos de vida partidária.

Foi preciso, recordam, durante a troca de opiniões para que, a certa altura, o presidente da Comissão Política do PSD-M agradecesse a participação e elogiasse o empenho da candidatura de Nivalda Gonçalves na campanha eleitoral, chegando a frisar não ter sido um erro a aposta que fez na ex-presidente da Investimentos Habitacionais.

Uma reunião bastante acesa, bem diferente do que se tentou fazer passar, sobretudo que a questão fulcral será “ganhar as eleições de 2019 com maioria absoluta” ou ainda que “os compromissos assumidos” em campanha eleitoral estão a ser “concretizados pelo governo”.

Militantes à Brava

Apesar de social-democraticamente falando ter estado dividida em três, a Ribeira Brava foi a freguesia que nas últimas internas do PSD mais militantes mobilizou na Região.

Segundo apurou o DIÁRIO, nas eleições disputadas entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio a 13 de Janeiro último, a Ribeira Brava apresentou 177 militantes em condições de votar, mais 10 do que São Martinho e mais 22 do que São Roque do Faial, respectivamente, a segunda e a terceira freguesias com mais inscritos.

Números intrigantes e que, de certa maneira, comprovam a tese de Alberto João Jardim que denunciou publicamente, no dia do sufrágio, que o processo “foi viciado” pela “máquina” partidária de modo a garantir a vitória de Pedro Santana Lopes. Afirmou mesmo ter sido notado “grande volume de pagamento ou regularização de quotas em que essa gente investiu, bem como a mobilização da máquina partidária em benefício de Santana”. O certo é que na Ribeira Brava, em contra-ciclo com a tendência regional e do País, Santana venceu Rio por 105-43.

Jardim apoiou Rui Rio e admitiu recentemente nos artigos que coloca no facebook que “até foi engraçado, nalgumas freguesias, ver mais gente com inscrição regularizada, do que os votos aí recebidos nas anteriores eleições autárquicas!”. Em São Roque do Faial, nas eleições de Outubro o PSD obteve 152 votos menos 3 do que os social-democratas militantes. Um facto, no mínimo, estranho.

Outras Notícias