Migração para o Reino Unido ‘aperta’ depois de 2020

Em representação da madeira, Liliana Rodrigues focou-se na comunidade

18 Mai 2018 / 02:00 H.

Os eurodeputados em representação das nove Regiões Ultraperiféricas (RUP) da União Europeia expuseram as suas preocupações, na passada terça-feira, num “grupo de pressão” criado especificamente para abordar o Brexit junto de Michel Barnier, o francês eleito para mediar as negociações da saída.

Durante este encontro, a socialista Liliana Rodrigues focou-se na questão dos migrantes portugueses que estão no Reino Unido, mas também dos britânicos que residem em Portugal, mostrando-se preocupada com o pós-2020, altura em que caem todos os acordos estabelecidos com a União Europeia, apertando com isso as regras do livre trânsito.

“São cerca de 150 mil madeirenses a residir no Reino Unido, de um universo de cerca de 400 mil portugueses. Preocupava-me saber como seria a situação deles do ponto de vista de estabilidade e as negociações nesse aspecto estão asseguradas e bem encaminhadas para assegurar os seus direitos, bem como das suas famílias”, adiantou Liliana Rodrigues, embora o problema resida “depois de 2020”, porque “a Direita do Reino Unido vai cumprir uma das suas promessas”, ou seja, “uma lei de migração mais dura”.

De acordo com a eurodeputada, “a Madeira sempre foi um parceiro fundamental na área do turismo”, alertando de seguida que “o Reino Unido não pode é ter o melhor dos dois mundos”, isto é, “estar num mercado único e depois não querer cumprir as regras da mobilidade, um dos valores fundamentais da União Europeia”.

“Uma das minhas preocupações é a questão do turismo, pois sabemos do impacto que tem o Reino Unido na Madeira e Michel Barnier voltou-nos a dizer o mesmo, que até 2020 a lógica será sempre a mesma. No pós-2020 terão de se fazer acordos entre os países para garantir que as relações do ponto de vista económico, onde se insere o turismo, ficarão garantidas. O mesmo se vai aplicar quanto à migração”.

Desta reunião, Liliana Rodrigues esclareceu ainda que “um dos elementos questionou sobre a possibilidade de haver um regime especial das RUP em termos de acordos comerciais com o Reino Unido”, algo que está fora de hipóteses.

Milhares de euros perdidos

Ainda sobre este encontro, a eurodeputada socialista questionou o facto de como é que se irá proceder no futuro quanto à mobilidade estudantil, neste caso em relação ao programa Erasmus, que fica assegurado até 2020.

“Vamos deixar de ter estudantes do Reino Unido nas nossas regiões? Podemos enviar ou não os nossos estudantes? A resposta é que terão de ser criadas outras plataformas de cooperação”, avançou Liliana Rodrigues.

“Puseram em causa toda uma geração. Logo na semana a seguir à votação 50% das universidades perderam os protocolos. É fundamental para Portugal, porque em termos de investigação universitária perdem-se milhares de euros investidos. É começar tudo de novo”, disse, relembrando novamente a questão daqueles que foram para terras de Sua Majestade: “O Reino Unido construiu-se com a força dos migrantes”.