Melhores a Matemática, piores em Ciências

Alunos do 4.º ano na Madeira tiveram média superior à nacional, que subiu num ranking internacional nas ‘contas’. No ‘laboratório’ o sentido é inverso, estamos abaixo da média

02 Dez 2016 / 02:00 H.

Os mais antigos diziam que a antiga 4.ª classe foi a base do que conhecem em várias áreas do saber. A escolaridade obrigatória que para, pais e avós da actual geração de pais e mães madeirenses, chegava para começarem a vida adulta, com conhecimentos superiores aos níveis de ensino mais acima nas últimas décadas, hoje é até ao 12.º ano ou aos 18 anos. Já foi ao 9.º ano. A verdade é que o mais recente estudo internacional sobre resultados de exames do 4.º ano mostra uma boa evolução dos alunos portugueses, sobretudo a Matemática, embora a Ciências tenhamos piorado.

Os dados referentes ao ano lectivo 2014/2015 mostram que na Região Autónoma da Madeira os alunos da antiga 4.ª classe tiveram uma pontuação no TIMSS (Tendências Internacionais no Estudo da Matemática e das Ciências) de 544 a Matemática, acima da média nacional (541), que por sua vez foi superior à de outros países como os EUA, a Holanda, a Dinamarca ou a Finlândia.

Numa escala de 300 a 700 pontos, Portugal ocupa a 13.ª posição entre 49 países e regiões, a Madeira entre as 25 regiões portuguesas fica no 9.º lugar, acima do Algarve, das regiões metropolitanas do Porto e de Lisboa ou dos Açores, num intervalo de 500 a 600.

Neste último ano de escolaridade do 1.º Ciclo, os alunos da Madeira não conseguiram superar a média nacional ao nível das Ciências, tendo obtido uma pontuação de 507, num intervalo de 450 a 550, um ponto abaixo do total nacional que, numa escala internacional de 300 a 700 ficou à frente do ensino de países como a Nova Zelândia e a França. Os resultados da RAM colocam-na, ainda assim, e nesta matéria no 11.º lugar a nível nacional num total 35 regiões NUTS II.

Resultados do Secundário também positivos

Os resultados do estudo ‘TIMSS 2015’ também indicam que, relativamente ao ano de finalização de estudos em Matemática e Física (11º ou 12º do Secundário), não só Portugal superou muitos países tidos como sendo melhores, como a Madeira obteve pontuação acima da média nacional.

Assim, na Matemática, a nível internacional Portugal está num nível intermédio, acompanhado por países como EUA e Rússia, posicionando-se acima de países como a França, Noruega, Suécia e Itália, enquanto na RAM a pontuação obtida foi de 485, três pontos acima da média nacional (482), o que confere a 10ª posição em 25.

Na disciplina de Física, a nível internacional Portugal está igualmente num nível intermédio, acima de países como a Suécia, EUA, Itália e França, sendo que na RAM, a pontuação obtida foi de 470, novamente três pontos acima da média nacional (467), que confere a 12.ª posição em 25.

Sem surpresa, diz secretário da Educação

Ciente que tem sido alvo de duras críticas por parte da oposição, mas também dos sindicatos, o secretário regional da Educação lembra que “o principal crítico da política educativa regional e mentor do PS-M em matéria de Educação, simultaneamente presidente da Mesa da Assembleia-Geral do Sindicato dos Professores da Madeira (André Escórcio), defende sistematicamente as ‘maravilhas’ do ensino finlandês, talvez seja oportuno perguntar-lhe por que razão os ‘burros’ madeirenses, conduzidos por ‘incompetentes’ em matéria de políticas educativas, conseguem estar à frente de tais maravilhas”, desafia.

Perante os resultados tornados públicos na terça-feira passada pelo IAVE (Instituto de Avaliação Educativa), Jorge Carvalho não se mostrou surpreendido. “Temos procurado evidenciar, com dados concretos e objectivos, as melhorias do nosso sistema, mas essa mensagem nem sempre é devidamente compreendida”, defende.

O governante realça “o esforço e competência dos professores, o incremento do desempenho das escolas, a melhoria do enquadramento global dos alunos”, que “só pode produzir resultados globalmente mais satisfatórios”.

Assume o responsável pela Educação na RAM que tem “a noção de que precisamos manter esta atitude de esforço e dedicação”. E recomenda: “Tenho referido que os nossos resultados positivos contribuem, para a melhoria dos resultados do país, quando comparados a nível internacional.’

Nesse particular, Jorge Carvalho denota total “satisfação saber que, neste estudo, o desempenho dos nossos alunos da chamada 4.ª classe em Matemática é superior à média nacional, o que equivale a dizer que são resultados superiores aos da Finlândia”, conclui.

Evolução significativa

Refira-se que num trabalho publicado esta semana pelo jornal ‘Observador’ é tido em conta a evolução dos últimos 20 anos, sendo que Portugal participou “pela terceira vez neste estudo quadrienal (as anteriores foram 1995 e 2011)”, tendo sido “o país que apresentou maior progressão a Matemática” neste período, “no conjunto de países que participaram em ambos os ciclos de testes. De 1995 para 2015, os alunos pontuaram mais 100 pontos. Nove dois quais entre 2011 e 2015. Não se deve ignorar porém que, em 1995, Portugal estava na cauda dos 17 países que participaram naquela que foi a primeira edição deste estudo, mais precisamente no antepenúltimo lugar”.

Conclui-se, por isso, que apesar do ensino dos pais e avós ter sido muito mais rigoroso, a verdade é que na época eram poucos os que chegavam a níveis de ensino tão altos. A avaliar pelos resultados, os alunos madeirenses estão, no mínimo, ao nível dos portugueses que, por seu lado, não estão abaixo de muitos países tidos como modelos de ensino. A excepção são os alunos dos países asiáticos, com Singapura, Hong Kong, República da Coreia, Japão e Taiwan à frente deste ranking mundial.

Outras Notícias