Medidor submerso vai vigiar assoreamento portuário

Equipamento foi ontem colocado a mais de 20 metros de profundidade

09 Fev 2018 / 02:00 H.

O medidor submerso de agitação marítima (perfilador hidroacústico) que vai fornecer dados para avaliar as condições de operacionalidade no Porto do Funchal, nomeadamente o impacto da agitação marítima e dos assoreamentos, foi ontem colocado, a mais de 20 metros de profundidade, na zona do espaço de manobra dos navios à entrada da infra-estrutura portuária.

Sob a coordenação do Laboratório Regional de Engenharia Civil (LREC), liderado por Pimenta de França, a operação envolveu uma equipa de mergulhadores profissionais e meios da APRAM e do Parque Natural da Madeira. Mas nem tudo correu como inicialmente programado, devido ao mau tempo. Um segundo equipamento que era suposto também ser colocado ontem no fundo da bacia do Porto do Funchal, para medir a influência da agitação marítima, acabou por não chegar devido à inoperacionalidade do Aeroporto da Madeira.

Outro contratempo, igualmente motivado pelo vento forte que fustigou a Região, foi o atraso desta operação motivado pelo ‘inesperado’ movimento marítimo ocorrido ontem de manhã, que começou com a saída retardada do Lobo Marinho (10h30) e mais tarde do Mein Schiff4 (12), o cruzeiro que havia ficado retido no ‘molhe da Pontinha’ por causa das condições atmosféricas adversas.

Durante a manhã, depois do Lobo Marinho ter soltado amarras, o equipamento e restante material associado foi preparado e colocado na água. O resto da operação, o transporte marítimo até ao local definido e a colocação à profundidade pretendida, acabou por só acontecer de tarde, depois do navio de passageiros rumar em direcção ao mar alto.

O equipamento ontem mergulhado “vem na sequência da necessidade de se monitorizar os leques aluvionais” e “está associado a um sistema de alerta de risco de aluviões”, e que segundo Pimenta de França, tem como objectivo “recolher dados para perceber como é que funciona o assoreamento e a sedimentação do Porto do Funchal, ou seja, qual é o padrão de assoreamento da área portuária”. O director do LREC realça a importância deste estudo uma vez que “no interior da baía do Funchal terminam três das principais ribeiras da ilha da Madeira, ribeiras problemáticas, como é sabido, e ainda há a possibilidade de ampliação do Porto do Funchal, o que implica que o porto fique mais confinado e consequentemente, com mais problemas de assoreamento”, faz notar.

Diz que “o primeiro objectivo deste equipamento é medir dados para avaliar o padrão de assoreamento do Porto do Funchal e encontrar soluções de manutenção ao nível das ribeiras e das fozes para minimizar esse tipo de problema”, destaca. “Paralelamente serão recolhidos dados da agitação marítima, ou seja, da altura de onda, da velocidade, da amplitude, do período de onda, da corrente e da direcção, tudo dados que são necessários à elaboração de um modelo de agitação marítima devidamente adaptado ao intradorso do molhe da Pontinha”, aponta. Acrescenta que “esse modelo servirá de base também a estudos, estudos matemáticos e estudos em modelo tridimensional, sobre o próprio Porto do Funchal”, nomeadamente “avaliações em termos de alterações geométrica do porto, no caso do seu prolongamento, e consequentemente determinar qual é a solução que poderá dar melhores condições de tranquilidade junto aos cais acostáveis”, esclarece.

Argumentos que justificam a importância deste estudo de avaliação, porque os dados que vão ser recolhidos abrangem duas valências: “uma delas tem a ver com as aluviões e a outra com a tranquilidade no interior do intradorso do molhe da Pontinha”. Como o prolongamento do molhe acostável foi ressuscitado, Pimenta de França considera de primordial importância esta base de dados que este estudo proporcionará, por ser uma ferramenta que contribuirá para avaliar “qual poderá ser a melhor solução” caso o Porto do Funchal seja mesmo para aumentar.

O equipamento ontem lançado à água foi posicionado na área de manobras dos navios, “entre a batimétrica dos 21 e dos 25 metros. O objectivo dele é tentar correlacionar a onda à entrada do Porto com as ondas que são medidas fora, nas bóias ondógrafo do IPMA. É preciso estabelecer uma correlação entre aquilo que acontece lá fora e aquilo que se verifica cá dentro para podermos fazer um modelo fiável”, reclama.

Porque até à data os estudos que o Porto do Funchal tem sido objecto “são baseados nos dados da onda lá fora, o que obviamente não é exactamente a mesma coisa que acontece cá dentro”, este estudo procura recolher dados que permita “elaborar um modelo devidamente adaptado às características da baía do Funchal, ou seja, permita correlacionar o que se passa lá dentro com a onda que vai entrar e que é medida lá fora”, esclarece.

Provavelmente na próxima semana será instalado um segundo equipamento, este “especificamente para medir a agitação marítima direccionada ao Porto do Funchal”, pelo que ficará submerso no interior da zona portuária.

A recolha de dados para avaliação “será feita durante seis meses”. Depois acresce mais um ano para o desenvolvimento do modelo, nomeadamente “fazer a modelação física tridimensional do Porto do Funchal com várias alternativas de ampliação”, salienta, admitindo como provável que este trabalho não seja feito na Região.

Razão pela qual foi estipulado 540 dias para concluir este trabalho.

Pimenta de França está convicto que este trabalho vai fornecer dados muito importantes para a tomada de decisão quando à desejada ampliação do ‘molhe da Pontinha’, mas deixa claro que “cabe ao Governo Regional decidir com base nos resultados encontrados aquilo que poderá vir a ser a melhor solução”, concluiu.