Matou mãe e irmã e deixou pai desfigurado

Emiliano Martins terá assassinado a família a tiro, na madrugada de domingo, num presumível quadro de vingança

14 Ago 2017 / 02:00 H.

Umas férias em família acabaram em tragédia no concelho de Santana, na madrugada deste domingo, resultando em duas mortes. Um homem, de 50 anos, aproveitou o reencontro da família (pais e irmãos), radicada em França e no Continente, e, por motivos que se desconhecem, baleou à queima-roupa (com uma caçadeira) a mãe, de 73 anos, o pai, de 78, e a irmã, de 51 anos, quando estes se encontravam na cama a dormir. As mulheres tiveram morte imediata mas o pai do alegado assassino apresentava sinais vitais e foi assistido no local pela Equipa de Intervenção Rápida (EMIR) e transportado numa ambulância dos Bombeiros Voluntários de Santana para o Hospital Dr. Nélio Mendonça onde, pelo menos até ao fecho desta página, permanecia em estado muito grave e sob prognóstico reservado na unidade de cuidados intensivos.

Conforme o DIÁRIO apurou, o crime, que aconteceu pouco depois da meia-noite na casa onde residia o suspeito, na Rua Padre Agostinho Cardoso, no sítio Queimadas e Fontes, surgiu depois de uma desavença. Emiliano de Freitas Martins e a irmã, que chegara há poucos dias do Algarve, juntamente com o filho, envolveram-se numa discussão e os pais de ambos, emigrados em França, defenderam a filha, deixando o suspeito bastante alterado.

Segundo relatou uma fonte próxima da família, o sobrinho e o outro irmão, também emigrado em França, tentaram convencê-lo a ir ‘beber um copo’ num bar da localidade, com o intuito de tentar acalmá-lo, e seguir depois para a festa do Santíssimo Sacramento, na freguesia de São Jorge. Emiliano recusou e decidiu ficar em casa.

Passado algum tempo, o sobrinho e o irmão foram a casa buscar documentos para depois seguirem para o arraial da freguesia vizinha onde, àquela hora, já actuava Ana Malhoa.

Foi então que o sobrinho do suspeito descobriu aquele cenário de horror: A mãe inanimada num quarto com um buraco provocado por um projéctil na testa e o rosto ensanguentado. No outro quarto, a avó estava igualmente cadáver e o rosto coberto por sangue. Ao lado, o avô, com o rosto parcialmente desfeito lutava pela vida não obstante o grave ferimento no crânio junto à órbita ocular direita. Em casa só não estava Emiliano.

Poucos minutos faltavam para as 00h30 quando deram o alerta à Polícia de Segurança Pública (PSP) que mobilizou para o local um forte contingente policial formado por uma equipa da Brigada de Intervenção Rápida (BIR) e agentes de investigação criminal das esquadras de Santana e de Machico, uma vez que o indivíduo encontrava-se armado.

Conforme o DIÁRIO avançou ontem em primeira mão na edição digital, o alegado homicida foi localizado cerca de uma hora depois, num bar localizado abaixo do cemitério. Foi detido pela PSP e entregue às entidades competentes, estado sob a custódia da Polícia Judiciária (PJ), a quem compete a investigação de crimes desta natureza.

Suspeito apresentava vestígios de sangue na roupa

Ao que a reportagem do DIÁRIO apurou, Emiliano Martins estava sereno, apresentava alguns sinais de embriaguez, não mostrou qualquer sinal de arrependimento no momento da detenção, nem confessou a autoria do duplo homicídio.

Durante o dia de ontem, sete inspectores da PJ estiveram a efectuar buscas na habitação e nos terrenos circundantes à procura da pretensa arma do crime. As características das munições indicam que se trata de uma caçadeira de canos curtos ou de uma arma de calibre .22mm.

Embora se desconheça, para já, o paradeiro da arma do crime, os vestígios de sangue encontrados na roupa do suspeito, fazem de Emiliano Martins, filho e irmão das vítimas mortais, o principal suspeito do cometimento deste crime, num presumível quadro de vingança.

O arguido está indiciando da prática de dois crimes de homicídio consumado e um de homicídio sob a forma tentada aguardando o desenrolar da situação clínica do pai, sob a custódia do Departamento de Investigação Criminal da PJ do Funchal. Hoje deverá ser presente ao juiz de instrução criminal para conhecer as medidas de coacção.

Vizinha diz ter ouvido três disparos de madrugada

Durante a manhã de ontem, a vizinhança mostrava-se ainda bastante apreensiva e afectada com o sucedido. No local, uma moradora, que preferiu não ser identificada, revelou ao DIÁRIO ter ouvido três disparos por volta da meia-noite mas admitiu não ter dado muita importância pois pensou que fossem apenas os foguetes lançados na festa que estava a decorrer em São Jorge.

Apercebeu-se do sucedido quando a Polícia lhe bateu à porta, na tentativa de acalmar os residentes, com a garantia que o suposto assassino já estaria detido. “Fiquei a tremer, nem queria acreditar no que tinha acontecido. Nem quando perdi os meus pais fiquei assim”, desabafou com as lágrimas nos olhos.

Desde esse momento, disse não ter “pregado olho” a noite inteira, “rezando pelas almas das vizinhas e pela família que ficou e terá que viver uma vida inteira ensombrada com esta tragédia”.

Outra moradora garantiu só se ter apercebido da situação aquando do aparato policial que se gerou em redor da casa. Apesar de não ter uma relação muito próxima com Emiliano Martins, considerava-o um homem “pacato”, apesar de ser “muito reservado”.

“Era bom dia e boa tarde, mas nunca me passou pela cabeça que alguém pudesse fazer tal crueldade”, confessou, explicando que o facto de o homem ser solteiro e estar desempregado poderá, na sua opinião, ter levado a que ficasse afectado psicologicamente e “cometesse tal loucura”.

Site de encontros fez levantar suspeitas

Mas se para muitos aquele vizinho, considerado um indivíduo “solitário”, era visto como uma pessoa inofensiva, para outros tinha “um ar comprometedor”.

“Ele intimidava-me. Uma vez fui a um bar com umas amigas e ele estava sempre a filmar todas as mulheres. Tinha um autocolante no carro a promover um site de encontros ‘Virginmiss’ e chegou mesmo a colocar no terreno em frente à casa onde morava um letreiro com o nome deste site”, disse ainda uma jovem da localidade ao nosso matutino.

Os restantes vizinhos mostraram-se receosos em falar sobre o assunto, observando apenas os trabalhos da PJ que durante todo o dia de ontem esteve a efectuar diligências dentro da moradia, com particular ênfase nos bens pertencentes ao suspeito ao qual foi confiscado o telemóvel, assim como nos terrenos circundantes.

Sabe-se ainda que durante a tarde, o irmão do suspeito, juntamente com um tio, deslocaram-se à casa para retirar um cão que lá estava e saíram com umas roupas dentro de malas. Além disso, estiveram também junto ao automóvel do alegado homicida.

As informações recolhidas pelo DIÁRIO dão ainda conta de que a família está agora a ponderar levar os corpos para França para fazer as cerimónias fúnebres.

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