Mais sete meses de ‘lay-off’ no Choupana Hills

Pedido dos credores é bom prenúncio para o hotel, parte dele destruído há 1 ano

13 Ago 2017 / 02:00 H.

O início da recuperação do Hotel Choupana Hills, no Funchal, deverá estar para breve. Segundo o DIÁRIO apurou junto do advogado Adolfo Brazão, que também é presidente da Assembleia-Geral, a comissão de credores pediu a prorrogação do ‘lay-off’ de cerca de 30 trabalhadores da unidade hoteleira afectada pelos incêndios de há um ano, que destruíram o edifício principal e alguns bungalows, tendo poupado uma parte do empreendimento.

O bom sinal dado pelos principais credores, ou seja, os bancos CGD, Millennium bcp e Novo Banco, dos quais depende uma solução que não o encerramento definitivo da unidade hoteleira, resulta nesta vontade em manter os trabalhadores em regime de ‘lay-off’ – recebem 2/3 do salário – por mais sete meses, uma vez que o primeiro período, iniciado em Fevereiro, termina no final deste mês de Agosto.

Acredita Adolfo Brazão que, caso os credores não quisessem revitalizar o projecto hoteleiro, não pediriam a renovação da suspensão do trabalho efectivo dos trabalhadores. Alguns deles estão desde a abertura do hotel, em Março de 2002.

Sujeito a um processo de insolvência que estava a correr bem, porque pelos resultados da exploração - ocupação de 90% na altura dos incêndios, RevPAR (rendimento por quarto disponível) no dobro do que tinha antes, com vários prémios internacionais conquistados, destacando-se os de Europe’s Leading Boutique Resort’ pela World Travel Market, em 2014 e 2015, mas sobretudo porque a massa insolvente estava a conseguir dinheiro para os credores -, cumpria os requisitos financeiros para a recuperação programada, o Choupana Hills encetava um novo período na sua história de 15 anos.

O fogo que consumiu as zonas comuns - recepção e restaurantes incluídos - e deitou por terra a “surpreendente recuperação” iniciada. “Estava a ganhar projecção, nome, prémios e no bom caminho para se conseguir fazer um plano de recuperação”, frisa o advogado.

Lembrando que a unidade, os credores (bancos) e a massa insolvente tinham seguros, inclusive para caso de incêndio, que cobrem com larga margem os custos das obras de recuperação. “Ainda não começou porque primeiro é preciso que os credores se entendam e, também, que comuniquem a decisão que querem de facto optar pela reconstrução. O dinheiro do seguro contra incêndio só é pago se, efectivamente, houver obra”, lembra.

É verdade que um ano após os incêndios que assolaram o Funchal, é muito tempo para que a decisão seja tomada. Mas, acredita Adolfo Brazão, o pedido de prorrogação do ‘lay-off’, cuja carta de comunicação à Segurança Social e aos trabalhadores deve chegar por correio esta segunda-feira, revela intenção, se não já tomada, de viabilizar a construção, accionando os seguros que custearão o dinheiro (alguns milhões de euros) necessário para início dos trabalhos.

Para já, uma equipa de manutenção dos espaços que não foram tocados pelas chamas, além de dois administrativos, têm trabalhado para que a degradação não ocorra. A decisão de reconstruir o Choupana Hills deverá, por isso, estar para breve. O que será uma boa notícia para quem está ligado ao processo e, no geral, para o turismo da Madeira.