Maioria dos homens com disfunção eréctil não está diagnosticada

Idade é um dos maiores factores de risco. Problema afecta cerca de meio milhão de portugueses

14 Fev 2018 / 02:00 H.

É um problema que afecta cerca de meio milhão de portugueses, no entanto a maior parte não está diagnosticada por um médico. As razões são várias, mas a mais preponderante é a vergonha, que muitos sentem em falar do problema. No dia Europeu da Disfunção Eréctil, que hoje se assinala, falamos-lhe dos números, das causas e dos tratamentos, para o que pedimos a colaboração do urologista Ferdinando Pereira. O médico revela-nos que, dos cerca de 500 mil portugueses que sofrem da disfunção (não conseguem uma erecção), aproximadamente 190 mil são casos graves. Mas é preciso não confundir uma situação pontual, provocada, por exemplo, por stress ou ansiedade provisórias, com casos de doença. Só passados três meses com disfunção é que se considera a existência de disfunção eréctil.

“A disfunção está subdiagnosticada em Portugal. Dos 500 mil homens que sofrem de impotência, apenas 20% procuram ajuda médica. É importante vencer o preconceito, há tratamentos para ajudar, que vão melhorar a auto-estima do homem, a sua qualidade de vida e da companheira e consequentemente da vida em sociedade.”

“A disfunção eréctil ocupa a segunda posição entre as três disfunções sexuais mais frequentes. O desejo sexual hipoactivo é a mais comum das disfunções sexuais e afecta cerca de 16 % dos homens no decorrer da sua vida. Depois a disfunção eréctil 13% e por fim a ejaculação permatura 12 %.”

“As estimativas apontam para que metade dos homens com mais de 50 anos sofram de disfunção eréctil. A situação torna-se mais frequente e grave com o avançar da idade. Se aos 40 anos a prevalência é de 15 a 20%, depois dos 75 é de 80%.”

Como se depreende, a idade é, por si só, considerada um factor de risco. Tudo tem a ver com o envelhecimento das artéreas. É também por isso, que o não conseguir uma erecção pode ser um aviso para estar atento ao apareceimento de outras doenças. “À medida que o homem vai envelhecendo, as artérias vão sofrendo os efeitos da arterosclerose e assim se explica que a incidência seja baixa antes dos 40 e depois vá aumentando.”

“Pode ser o primeiro sintoma de algumas doenças importantes, nomeadamente da doença coronária, da diabetes, da hipertensão arterial, das dislipidémias e até das doenças da próstata. Cerca de 50% dos homens com doença da próstata (hiperplasia benigna da próstata) apresentam disfunção.”

“Existe uma relação directa entre os factores de risco da doença cardíaca e da impotência, porque como as artérias do pénis são artérias terminais de calibre muito fino, são atingidas precocemente e assim se explica que alguns doentes com disfunção eréctil, cinco ou seis anos depois do diagnóstico da disfunção venham a ter problemas cardíacos e nomedamente enfartes de miocárdio.”

Mas não só a idade é um factor de risco para a disfunção eréctil. São, igaulamente “a obesidade, hipertensão arterial, patologias crónicas renais, hepáticas e pulmonares, alguns tratamentos farmacológicos (por ex: para o cancro da próstata ou anti-depressivos) e traumatismos da coluna. O tabagismo, o consumo de álcool e de drogas também concorrem para uma situação de impotência.”

Além disso, há algumas cirurgias que conduzem à disfunção, como as colo-rectais, pélvicas, prostatectomias e “até a radioterapia externa e a braquiterapia prostática também podem ficar com disfunção”.

Como prevenir e tratar

A melhor forma de previr a disfunção eréctil é ter uma vida o mais audável possível, o que inclui uma alimentação rica em legumes, frutos, baixo consumo de gorduras e a prática de exercício físico. “Combatendo a obesidade, a hipertensão, as dislipidémias e evitando o recurso ao álccol, ao tabaco e às drogas. Geralmente basta suprimir os factores de risco: o álccol, o tabaco, as drogas para melhorar uma disfunção.”

Como lembra Ferdinando Pereira, o ritmo de vida das sociedades modernas também é potenciador da disfunção eréctil, com o stress,a ansiedade e a depressão à cabeça.

No entanto, no lado oposto está o manancial de tratamentos ao dispor da medicina, algo que tem vindo a evoluir grandemente ao longo dos últios decénios. “Os mais utilizados na maioria dos casos são aqueles sob a forma de comprimidos, que começarem a ser comercializados em 1998, constituem a chamada primeira linha de tratamento, existem várias marcas de medicamentos que são todos eficazes para o tratamento da disfunção.” Mas os médicos chamam à atenção para a necessidade de os medicamentos serem tomados unicamente com prescrição, para serem adaptados a cada pessoa.

“Quando os comprimidos ou o creme ureteral não resolvem o problema, existem outras hipoteses de tratamento como a injecção de medicamentos vaso-activos no pénis (Doente auto-injecta-se), o recurso a dispositivo de vácuo, os tratamentos hormonais (Testosterona) e finalmente as próteses penianas, são utilizadas apenas em 1% dos casos de disfunção erectil.”

Ferdinando Pereira lembra, igualmente, que os medicamento não resoolvem tudo e que quem vive com os homens afectados tem um apepl determinante. “O papel da companheira é fundamental porque se a companheira motivar o doente, este terá melhor qualidade de vida, sentir-se-á melhor e vai tornar também a companheira mais feliz e uma melhor vida em casal.”

Outra das chamadas de atenção vai para a importância de não adquirir medicamentos pelo que se vê na televisão ou encomendá-los pela Internet, porque “estes farmácos não estão sujeitos a controlo de qualidade e podem ser muito prejudiciais para a sáude”.

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