Maduro mobiliza, a oposição fica em casa

O dia-a-dia dos venezuelanos está marcado por várias dificuldades

18 Mai 2018 / 02:00 H.

À primeira vista o trânsito em Caracas está mais ordenado. O tráfego automóvel flui normalmente. Para quem estava habituado a enormes e demoradas filas agora circula-se bem. Mesmo nas horas de ponta. Isto porque, dizem-me, muitos foram obrigados a encostar os carros, especialmente devido à falta de peças e de dinheiro para repô-las. Apanho boleia de um emigrante madeirense que assegura a que a classe média empobreceu e aos pobres tornaram-se indigentes. Sente na pele o que diz, os filhos já saíram do país. Foram para a Argentina. Juan, oriundo de famílias do norte da Madeira, dá o exemplo do ar condicionado no carro. Está avariado há meses (e muita falta faz neste clima) e custa cerca de 50 milhões de Bolívares. Quando comprou o carro, há uns anos, desembolsou 12 milhões. Nos supermercados as prateleiras estão preenchidas, mas a preços considerados exorbitantes. Um bife de carne de vaca, de primeira qualidade, ultrapassa facilmente um milhão de Bolívares, o que pode significar meio ordenado mínimo.

Todos, de um lado e do outro, estão de acordo: há uma crise económica, social e carências de vária ordem, a começar pela falta de medicamentos. A inflação é galopante.

As divergências e os discursos continuam radicalizados de parte a parte, começam na identificação das causas para tal crise. Os que estão no poder apontam ao dedo ao cerco e ao boicote internacional liderado pelos Estados Unidos. Para a oposição, a causa de todos os males tem um rosto, o de Nicolas Maduro, recandidato nas eleições de domingo próximo.

Alguns partidos da oposição tentaram organizar manifestações de apoio, na passada quarta-feira, nas principais cidades do país. Na capital, a manifestação mais significativa, conseguiram, para ser benévolo, alguns milhares de participantes. Nas restantes cidades algumas centenas. Um verdadeiro fiasco. Um contraste com as iniciativas do conjunto de partidos que está no poder. Os funcionários públicos são mobilizados, mesmo em horário laboral.

Na televisão estatal sucedem-se as declarações dos apoiantes, nacionais e estrangeiros, e do próprio Maduro, sem qualquer contraditório. Com espaço para a oposição apenas para ser criticada pelo poder. Em Carabobo, o actual presidente pediu uns binóculos para conseguir ver, conforme disse, o fim da manifestação de apoio. Um mar de gente. O recandidato a um novo mandato, agora de sete anos (2018/20125), promete uma revolução económica dirigida à classe média.

Na capital, a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, um dos cinco poderes do país, anunciou que cerca de 60 mil pessoas foram mobilizadas para garantir que as eleições do próximo dia 28 de Maio decorram sem problemas. Tibisay Lucena diz que “os nossos problemas se resolvem com o voto”. Fica também a garantia de transparência total do processo. Lucena não tem dúvidas que a maioria dos países vai reconhecer os resultados eleitorais