Madeirenses mais conscientes, mas com poupanças em baixa

Em 2017, até Outubro, havia quase 200 famílias sobreendividadas na Região

31 Out 2017 / 02:00 H.

“A crise” tornou-se numa das expressões mais familiares aos ouvidos portugueses ao longo dos últimos anos. O aumento dos preços em todos os sectores levou muitas famílias a ‘apertar o cinto’ e reflectir sobre as melhores formas de consumir moderadamente tornou-se um imperativo diário.

De acordo com a Directora do Serviço de Defesa do Consumidor, Maria da Graça Moniz, o combate à iliteracia financeira – efectuado por este serviço, através de acções de divulgação e sensibilização realizadas junta da comunidade escolar, autarquias e outras entidades – tem-se reflectido num “decréscimo dos casos de sobreendividamento a nível regional comparativamente aos anos anteriores”.

Ainda assim, em 2017, das 476 famílias que recorreram ao Serviço de Defesa do Consumidor, até ao mês de Outubro, 194 dizem respeito a pedidos de apoio de famílias que estão em situação de sobreendividamento. Em 2016, foram registados 236 pedidos de apoio de famílias sobreendividadas (entre as 655 famílias que foram recebidas neste serviço).

“Podemos constatar que existem famílias madeirenses, umas, mais do que outras, que não conseguem poupar dinheiro ao fim do mês. Depois de pagarem as contas decorrentes do mês e de alguns imprevistos que surgem, pouco fica para amealhar”, explica Graça Moniz.

Portugueses poupam menos do que em 2016

A tendência é nacional. De acordo com números mais recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de poupança das famílias portuguesas continua abaixo dos valores registados há um ano (5,5%), representando apenas 5,2% do rendimento disponível no segundo trimestre deste ano.

Também o Banco de Portugal (BdP) apresenta dados para os níveis de poupança, apontando para uma taxa de poupança dos particulares de 3,8% do rendimento disponível no ano terminado no primeiro trimestre de 2017 (segundo o Boletim Estatístico de Outubro). Este valor fica abaixo da taxa de poupança de 4,3% registada pelo BdP no final de 2016.

No que toca aos depósitos dos particulares nos bancos comerciais, um dos instrumentos de poupança mais comuns, estes totalizavam 138,2 mil milhões de euros no final de Agosto de 2017, uma diminuição de 1,7% face a Agosto de 2016.

Na Madeira, os depósitos dos particulares nos bancos comerciais correspondiam a 3494 milhões de euros no final do segundo trimestre de 2017, de acordo com os dados divulgados pela Direcção Regional de Estatística (DRE). Isto significa que os madeirenses pouparam a menos 30 milhões de euros do que ano passado.

O reverso da moeda

Apesar dos dados não serem os mais animadores, Graça Moniz mostra-se confiante relativamente à capacidade de poupança dos madeirenses. “Sentimos que existem famílias que podem, e que já estão mais elucidadas e conscientes, sabendo separar as necessidades que são supérfluas das necessidades essenciais” sublinha. E acrescenta: “Estas famílias também procuram gastar menos do que ganham, ou seja, poupam, pois poupar não é mais do que gastar menos do que aquilo que se ganha”.

Por outro lado, os clientes bancários com dificuldades no cumprimento de contratos de crédito têm ainda a oportunidade de recorrer à Rede de Apoio ao Consumidor Endividado (RACE).

A RACE consiste num conjunto entidades que têm como missão informar, aconselhar e acompanhar clientes bancários que se encontrem em risco de incumprimento ou que já tenham prestações de crédito em atraso. As entidades desta rede são reconhecidas pela Direcção-Geral do Consumidor e recorrer a este serviço não tem qualquer custo associado para o cliente. Na Madeira, este apoio é prestado pelo Serviço de Defesa do Consumidor da Secretaria da Inclusão e dos Assuntos Sociais, desde 2013.

Dez dicas para poupar

Num dia que é para “relembrar o resto do ano”, o Serviço de Defesa do Consumidor recorda que “poupar não significa apenas fazer sacrifícios, mas ter mais atenção as suas necessidades, distinguindo-as no que é supérfluo”. Ficam dez dicas que o podem ajudar a poupar:

Electricidade

Substitua todas as lâmpadas incandescentes por lâmpadas economizadoras ou de baixo consumo (apesar de serem mais caras consomem 6 vezes menos energia e duram 8 vezes mais)

Desligue todos os aparelhos que se encontram em stand by e evite deixar o telemóvel a carregar durante toda a noite (não se esqueça de remover o carregador da tomada assim que tiver terminado)

Água

Encurte a duração dos duches ou desligue a água no momento de se ensaboar

Cozinhe com a panela fechada. Além de poupar água, vai conservar muitos dos nutrientes e vitaminas dos alimentos cozinhados

Gás

Deve cozinhar sempre numa boca do fogão adequada ao tamanho da panela. Sempre que possível, escolha as bocas mais pequenas: consomem até 10% menos gás do que as bocas maiores

Combustíveis

Crie uma rota que permita aceder todos os seus compromissos, evitando idas e vindas desnecessárias

O excesso de velocidade, além dos problemas de segurança, aumenta o consumo

Supermercado

Vá ao supermercado fora das horas das refeições: uma pessoa com fome tem sempre tendência a comprar aquilo que não precisa

Opte pelas marcas brancas e compre “embalagens familiares” (em vez de embalagens de 4 unidades, compre de 8, 12 ou 16 unidades, a diferença de preços compensa)

Telemóveis, TV por cabo e Internet

Faça regularmente (de 6 em 6 meses) ajustes nos packs de TV, telefone e Internet; antes de decidir por um “ pack” de 100 ou mais canais, veja quais as suas reais necessidades e quantos canais costuma assistir no dia-a-dia