Madeira terá rede de protectores de trovoada

Vítor Prior diz que serão instalados um total de quatro protectores

20 Jun 2017 / 02:00 H.

Vitor Prior, director do Observatório Meteorológico do Funchal, anunciou ontem que está em curso um projecto para instalar uma rede de protectores de trovoada na Madeira.

“O projecto ainda não foi aprovado, mas tudo indica que será aprovado para instalar quatro protectores, três na Madeira, nomeadamente no Porto Moniz, Santana e Porto Santo e outro nas Selvagens”, revelou, acrescentando que esta rede será da responsabilidade do IPMA - Instituto Português do Mar e da Atmosfera e das entidades regionais.

O director do Observatório Meteorológico do Funchal, que falava à margem da conferência ‘Análise de Riscos de Incêndio, que se realizou na Protecção Civil, disse que, tudo indica, que a Região estará equipada com essa rede já no próximo ano, à semelhança do que acontece no Continente e nas Canárias, sendo esta uma forma de dar “uma melhor resposta” às necessidades existentes na Madeira.

Além disso, Vítor Prior revelou que existem 19 estações meteorológicas na Madeira, incluindo o Porto Santo e as Selvagens (uma em cada). Trata-se de “uma rede optimizada e bastante densa” que “cobre detalhadamente” a Região, sendo que no próximo mês será reforçada com mais uma estação meteorológica a ser instalada no Monte.

“Neste momento, há uma estação aos 50 metros do Observatório e outras a 1000, 1500 e 1800 metros de altitude. Vamos instalar uma a 500/600 metros aproximadamente para darmos melhor resposta, tanto ao nível do risco de incêndio, como da precipitação”, referiu, adiantando que está em fase de construção um radar meteorológico para o Porto Santo que, ao que tudo indica, entrará em funcionamento no fim de Outubro.

Sobre a conferência ‘Análise de Riscos de Incêndio’, Miguel Branco, vogal do conselho directivo do Serviço Regional de Protecção Civil, afirmou, antes de começar a iniciativa, que esta seria uma espécie de “avaliação das variáveis que contribuem para a formação de um evento extremo”, como aconteceu em Agosto do ano transacto aquando dos incêndios que fustigaram a Região. Ou seja, “ferramentas” que permitem que se conheça “um pouco melhor como é que a meteorologia se comporta”, sendo esta uma forma de “dar uma melhor resposta face à eventualidade” de acontecer algum “evento extremo”.

Miguel Branco frisou a importância dos estudos para ajudar a perceber os fenómenos atmosféricos, tendo dito que a “conjugação dos factores” relacionados com a velocidade do vento, a temperatura e a humidade “potenciam um evento extremo”.

“Se acontecer uma trovoada seca, que é mais um fenómeno atmosférico, com aquelas condições de vento, de temperatura e de humidade acontece o que aconteceu no continente”, concluiu.

O vogal do conselho directivo do Serviço Regional de Protecção Civil aproveitou a ocasião para dizer que, “por densidade”, a rede de estações meteorológicas da Região “é maior do que no resto do país”. E explicou porquê: Por várias razões, uma porque temos um território insular muito pequeno com uma orografia complicada que fez com que ao longo dos anos o IPMA criasse aqui uma rede de estações meteorológicas que fosse, em termos de densidade, muito maior do que no resto do país, uma vez que lá é possível replicar face à forma mais constante do território, aqui na Madeira isso infelizmente isso não é possível”, concluiu.