Madeira “nunca será autossustentável” no leite

Produção representa apenas 5% do leite consumido, diz Secretário

19 Mai 2017 / 02:00 H.

O secretário regional de Agricultura e Pescas da Madeira, Humberto Vasconcelos, afirmou ontem, no parlamento, que a Região Autónoma da Madeira “nunca será autossustentável” no sector leiteiro, revelando que apenas existem cerca 300 bovinos leiteiros, distribuídos por 32 produtores.

“Mesmo nos tempos áureos, em que tínhamos cerca de 12 milhões de litros de leite, não éramos autossustentáveis. Hoje em dia, com 1,4 milhões de litros, não temos capacidade de ser autossustentáveis”, disse Humberto Vasconcelos, no âmbito de uma audição no grupo de trabalho da Assembleia da República para o sector leiteiro.

Segundo o secretário regional de Agricultura e Pescas da Madeira, a produção de leite na região representa “5% do consumo total anual de leite no território”.

“Não é possível crescer exponencialmente na Madeira”, reforçou Humberto Vasconcelos.

As dificuldades em desenvolver a produção de leite na Madeira prendem-se com o território disponível para ter um conjunto de animais por exploração ser “muito escasso” e com os custos de produção serem “muito elevados devido ao transporte do leite”.

Prioridade é leite para derivados

Apesar da produção diminuta, “não é prioridade para a Madeira a produção de leite cru”, mas sim “um crescimento sustentável da produção de leite cru para os derivados”, indicou Humberto Vasconcelos.

“Actualmente, a produção de leite cru na Madeira destina-se totalmente a duas pequenas agroindústrias produtoras de queijo fresco e de requeijão”, informou o governante da Região Autónoma da Madeira, referindo que “todo o leite pasteurizado é importado”.

De acordo com o secretário regional de Agricultura e Pescas da Madeira, entre 2000 e 2015, a produção de queijo fresco e de requeijão cresceu 134%, passando de 96 toneladas para 225 toneladas.

Neste sentido, a Madeira pretende apostar na produção de derivados, “essencialmente para consumo interno”, uma vez que “a exportação será muito difícil”.

Humberto Vasconcelos reclamou mais apoio à produção, através do programa europeu POSEI - Programa de Opções Específicas para o Afastamento e a Insularidade, que atribuiu uma verba anual de cerca de 18 milhões de euros para a produção na Madeira.

“Os apoios que existem do POSEI não suficientes para incentivar o aumento da produção de derivados”, afirmou o governante da Região Autónoma da Madeira, frisando que o aumento do POSEI “é fundamental” para que seja possível baixar os custos de produção e garantir a competitividade no mercado.

No âmbito da audição parlamentar, o secretário regional de Agricultura e Pescas da Madeira propôs “uma parceria entre os Açores e a Madeira”, advogando que “faz todo o sentido” para que “os produtos regionais sejam mais baratos nas ilhas”.

“Um programa POSEI entre ilhas”, avançou Humberto Vasconcelos, explicando que, como a Madeira tem “um mercado de consumo de leite muito elevado”, os Açores recebiam mais apoio à produção no sector leiteiro “desde que houvesse a venda para Região Autónoma da Madeira”.

Seminário esclarece

A Secretaria Regional de Agricultura e Pescas, através da Escola Agrícola da Madeira, promove hoje, com início às 14h00, o seminário “Perspectivas da produção de leite na Região Autónoma da Madeira”. Esta iniciativa, a ter lugar no Auditório Eng.º Perry Vidal, na Escola Agrícola da Madeira, em São Vicente, pretende juntar os principais intervenientes da fileira do leite, mais exactamente a produção primária, os técnicos, as associações e a agroindústria. Depois de ter atingido o ponto máximo na década de noventa do século XX a produção de leite na Região Autónoma da Madeira foi registando um grande decréscimo, situação que apenas volta a estabilizar, conquanto num patamar que corresponde a 5% (1,4 milhões de litros) do consumo total anual de leite no território (25 milhões de litros), nos últimos 7 anos. No entanto, o sector do turismo, nomeadamente a hotelaria, vem cada vez mais solicitando produtos lácteos locais, que actualmente provêm maioritariamente do exterior, como vêm surgindo novos projectos agroindustriais que requerem leite inteiro, o qual tem de ser suprido necessariamente a nível local. Assim, dentro dos limites da procura e de outras condicionantes, é possível não só dinamizar o sector da produção de leite, optimizando e reforçando o seu potencial, como também reforçar as competências dos produtores para a obtenção de um produto de excelência.

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