Para quê escolher quando se pode jogar nos dois

Pedro Silva joga futebol de praia no Nacional e é presença assídua na selecção. No futsal veste as cores verde-rubras

13 Nov 2017 / 02:00 H.

As camisolas verde-rubra e alvinegra surgem lado-a-lado em perfeita harmonia. Esta é a realidade de Pedro Silva. Joga futsal no Marítimo e representa o Nacional no futebol de praia. Na areia é mesmo um dos melhores jogadores portugueses da actualidade, presença assídua nas convocatórias da selecção, tendo marcado presença na Taça Intercontinental, que decorreu no Dubai, uma competição na qual Portugal foi vice-campeão. É madeirense, tem 28 anos, e coloca a paixão pelo desporto acima de qualquer rivalidade. Exibe com orgulho as duas camisolas sem fazer distinção. “Vestir a camisola do Marítimo e do Nacional é igual”, explica, destacando o máximo respeito pelos dois emblemas.

Joga futebol de praia no Nacional desde 2011 e esta época rumou à equipa de futsal do Marítimo, clube que também representou nos escalões de formação no futebol de 11: “Sempre que jogo é porque gosto e se gosto tento dar o meu melhor, seja qual for o clube”. Pedro Silva mostra-se orgulhoso, sobretudo por demonstrar que a sua paixão pelas duas modalidades é bem mais forte do que as rivalidades, provando que é possível estabelecer uma relação saudável entre os dois lados. “Acho que nunca um jogador fez isso pelo menos por cá, jogar pelos dois clubes ao mesmo tempo em modalidades diferentes”, observa, com satisfação, Pedro Silva.

As brincadeiras dos amigos apimentam um pouco a situação, mas nada mais do que isso: “Por vezes dizem-me: como é que é possível ires para o Marítimo ou, do outro lado, como é que podes jogar pelo Nacional... Tenho o carinho dos adeptos dos dois clubes. Não sinto que fiquem chateados com a minha opção. Se há um fim-de-semana em que perco com o Marítimo podem mandar alguma boca: se fosse pelo Nacional não perdias. Mas é totalmente tranquilo”. E deveria ser sempre assim, de facto. “Faço aquilo que gosto e não estou a prejudicar nenhum dos lados”.

“Toda a gente vê com bons olhos”, acrescenta o jogador, lembrando que é possível manter esta ligação, quando aquilo que o move é a paixão pelo futsal e futebol de praia. Apenas isso. “Num meio tão pequeno como o nosso, acho que há espaço para o sucesso de qualquer clube, sem olhar a essa rivalidade”. Para quê escolher quando se pode jogar nos dois. Sim, esta parece ser a máxima de Pedro Silva. E com sucesso, seja de alvinegro vestido, seja com as cores verde-rubras.

BI

Nome: Pedro José Vasconcelos Silva

Data de nascimento: 28/09/1989

Naturalidade: Funchal

Percurso no futebol de praia: Nacional (desde 2011). Primeira internacionalização em 2016.

Percurso no futsal: Canicense (2013 a 2017) e Marítimo (2017/2018).

“Estar no Mundial é um objectivo”

Pedro Silva marcou presença nas duas últimas grandes competições de selecções no futebol de praia. Depois da Superfinal da Liga Europeia, o madeirense também foi convocado para a Taça Intercontinental, competição na qual Portugal foi vice-campeão, perdendo com o Brasil na final. Pedro Silva destaca as experiências e mantém a ambição em níveis elevados: “Estar presente no Mundial é um objectivo e gostava de fazer parte dos convocados para a próxima edição”. Tem sido presença assídua nas convocatórias do seleccionador Mário Narciso e promete empenho total para continuar nesse caminho. Outra das metas passa por marcar presença nos Jogos Europeus em 2019.

Futsal ajuda a manter a forma no... futebol de praia

Na areia ou no pavilhão? Até pode pensar que são totalmente diferentes, mas não. Ao contrário do acontece com os colegas no continente, Pedro Silva tem mais dificuldades para manter um plano de treinos dedicado ao futebol de praia aqui na Madeira. Mas lá vai encontrando soluções, com bons resultados, pelos vistos: “O futsal ajuda-me bastante a manter a forma física e não só. A nível de jogo, movimentações, existem algumas semelhanças, pois até têm o mesmo número de jogadores”. Para manter a forma, por vezes junta os amigos e vai até à Praia Formosa.

Marítimo e Nacional, que metas?

Alcançar a manutenção do Marítimo na II Divisão Nacional de futsal e conseguir o mesmo objectivo pelos alvinegros na Divisão de Elite no Nacional de futebol de praia. São estas as duas metas de Pedro Silva, ao nível dos clubes que representa. Lembra que ter um madeirense ao mais alto nível do futsal português “já esteve mais longe”, apontando o caso de Paulinho, que representa o Eléctrico. “Eu? Penso que vai ser mais complicado”. Mas no futebol de praia, é certo, Pedro Silva está ao mais alto nível e garante que Portugal “tem tudo para continuar a ser uma potência na modalidade”.

Madeira, destino de futebol de praia

Pedro Silva gostava de promover o futebol de praia na Região. Para tal, é essencial ter um espaço para a prática da modalidade, pois lembra que, nesse caso, até poderia ser palco de um torneio internacional anual: “Temos uma excelente capacidade hoteleira e fantásticas condições climatéricas. Tendo um campo cá, seria possível fazer um torneio internacional anual. Tem todo o potencial para isso, até apontando como referência os sítios onde já estive pela selecção. A Madeira poderia receber estágios de selecções e clubes. Além disso, outras modalidades, como o volei e o andebol de praia, beneficiavam com isso”.

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