Madeira abre

Paulo Cafôfo

07 Dez 2017 / 02:00 H.

“Não sei discursar, só sei receber pessoas”, disse Manuel Fernandes no início do seu discurso, a propósito da abertura do restaurante ‘O Madeirense’, ontem à tarde, no Tiles Madeira Hotel, no Funchal.

De facto, poucas palavras serviram para ilustrar a simplicidade e calor humano que se fez sentir na inauguração deste novo empreendimento, depois do empresário, ainda jovem, ter saído da Calheta em busca de um sonho na capital portuguesa. “Para quem saiu dos Canhas e teve o primeiro par de sapatos aos 10 anos não posso querer mais nada”, disse o madeirense.

Entre várias figuras regionais e nacionais, de onde se destacavam o actor Ruy de Carvalho, ou os cantores Luís Represas e Fernando Fernandes, foi notório que a arte de bem receber é a imagem de marca do empresário e do restaurante, que usa a Madeira e as virtudes dos madeirenses como epicentro da sua qualidade à mesa.

João Carlos Abreu foi quem abriu as hostes da cerimónia com palavras que sublinharam uma “amizade que vem de longe”. O antigo secretário regional do Turismo e Cultura evidenciou “o respeito e reconhecimento do trabalho aos seus colaboradores” por parte de Manuel Fernandes, isto porque na altura em que trabalhava num restaurante lisboeta, o agora empresário ganhou “experiência de trabalho e um conhecimento humano” que lhe foi “extremamente útil para toda a vida”, época em que conheceu muitos artistas que fazem questão de o visitar.

‘Mimos’ entre presidentes

Paulo Cafôfo e Miguel Albuquerque estiveram presentes na cerimónia e o presidente da Câmara Municipal do Funchal fez uso da palavra numa primeira instância. “Na vida gosto de cultivar a gratidão e para consigo estamos gratos por ter investido na nossa cidade com uma marca, a marca ‘O Madeirense’, à volta do qual se congregam muitos e bons amigos”, começou por referir Paulo Cafôfo, antes de pedir ao Governo Regional que olhe para o trabalho do empresário.

“O Manuel Fernandes tem sido um embaixador da Madeira no continente, porque leva a ilha consigo, naquilo que é uma ponte que estabelece neste Atlântico, que nos separa mas que também nos pode unir, e eu acho que há mais naquilo que nos une, do que aquilo que nos separa”, disse o presidente da CMF, esclarecendo que esta promoção da Região fora de portas “tem sido um trabalho que não é pago”, lançando depois uma ideia a Miguel Albuquerque.

“O Governo Regional devia pensar abrir no ‘Madeirense’ uma delegação, tal são os amigos e promoção cultural, porque isto é muito mais do que comida”, mencionou Paulo Cafôfo.

Por seu turno, o presidente do Governo Regional destacou a localização do restaurante como “o melhor sítio da Madeira em termos turísticos”, lançando a gargalhada geral quando disse que a primeira coisa que fez foi “visitar a cozinha, porque sem bons cozinheiros e funcionários ninguém faz um estabelecimento”.

O líder do executivo madeirense destacou que “este é um bom momento, porque estamos em recuperação económica há 52 meses na Região”, ultrapassando-se assim um “tempo difícil”.

Ao não querer deixar Paulo Cafôfo sem resposta, a propósito da hipotética embaixada, Miguel Albuquerque confessou ser “um prazer visitar o restaurante nas Amoreiras”, sendo “uma pena não ir lá mais vezes”, porque “o Tribunal de Contas” não lhe deixa, alegando a falta de dinheiro para o apoio à ideia lançada.

Estão agora lançadas as bases para o madeirense, que saiu da ilha aos 16 anos, mostrar o que tão bem sabe fazer: acolher quem o visita.