Lobo-marinho cada vez mais conhecido

As 20 câmaras, distribuídas por grutas e uma praia, reuniram mais de 100 mil imagens

13 Ago 2017 / 02:00 H.

A um ano de terminar o projecto LIFE Madeira Lobo-marinho, e num momento em que se começam a analisar os dados recolhidos, Rosa Pires, responsável pelo projecto, adianta ao DIÁRIO que “os resultados obtidos são de enorme importância, sobretudo para o conhecimento do uso de habitat da espécie tanto em terra como no mar”.

Segundo esta bióloga do Institudo das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) que nas últimas décadas se tem dedicado ao estudo desta espécie ameaçada, as informações agora obtidas vão permitir à Região traçar um plano de conservação adequado às exigências de uma das focas mais raras do Mundo.

Foi com recurso a câmaras fotográficas automáticas e pulseiras com sistema GPS e TDRs (registrador de profundidades) que se conseguiram recolher os dados agora em análise. Refira-se que, no primeiro caso, conseguiu-se não só identificar que espaços são efectivamente utilizados pelos animais, mas também recolher imagens para foto-identificação, determinação de parâmetros demográficos e ter um melhor conhecimento do seu comportamento. Já com a implementação das pulseiras está a ser possível conhecer os seus deslocamentos no mar.

Graças a este projecto LIFE e à consequente aplicação eficaz destas tecnologias inovadoras na monitorização da espécie, foi possível identificar 10 grutas que são utilizadas pelos lobos-marinhos, duas das quais para reprodução. Fruto deste trabalho tem sido, também, possível determinar as épocas de nascimento, identificar o sexo das crias e as fêmeas reprodutoras, acompanhar diferentes indivíduos, identificar animais mortos, em suma, conseguiu-se reunir informação que permite acompanhar o estado da população de forma mais rigorosa e, ao mesmo tempo, estabelecer as melhores estratégias para a elaboração do Plano de Acção para a Conservação do Lobo-marinho na Madeira.

Foi também com este projecto que, pela primeira vez, se registaram dados sobre as movimentações no mar dos Lobos-marinhos da Madeira. Neste âmbito, conforme nos confirmou Rosa Pires, “foram marcados 3 exemplares, um macho e duas fêmeas, com GPS e registador de tempo e profundidade (TDR)”. E os resultados, ainda preliminares, não podiam ser mais reveladores de que os Lobos-marinhos têm um comportamento costeiro e efectuam com regularidade a travessia entre a Madeira e as Ilhas Desertas. “Pela primeira vez foi obtida informação sobre a profundidade de mergulho na Madeira, sendo que os primeiros resultados registaram já uma profundidade de 400 m – a maior profundidade obtida nesta espécie. Até este registo, o maior existente era o de 110m de profundidade registado na Mauritânia”, revelou-nos.

Com o culminar deste projecto LIFE a Madeira terá dado assinaláveis contributos para o conhecimento global desta espécie, mas sobretudo terá reunido um conjunto de informações essenciais para uma boa estratégia de conservação da espécie a nível regional.

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