Liberdade em forma de música

Após duas noites de grande qualidade, hoje - último dia - tocam dois dos maiores nomes deste Funchal Jazz: Bill Frisell a abrir e o lendário Charles Lloyd a fechar

16 Jul 2017 / 02:00 H.

Foi com um Parque de Santa Catarina bem composto que se desenrolou a segunda noite do Funchal Jazz Festival 2017, cuja abertura esteve a cargo do fortíssimo Orion Trio de Rudy Royston.

O trio do baterista - Rudy Royston nasceu em Forth Worth, Texas e cresceu em Denver, no Colorado - foi recebido no Parque de Santa Catarina com a devoção de um público que claramente estava à espera de ver e ouvir um jazz muito ‘straight ahead’, como já o tinha previsto Paulo Barbosa, director artístico do festival.

Sucederam-se aplausos, merecidos, invariavelmente, para a mestria não só do baterista Rudy Royston, mas também para os outros dois elementos: Jon Irabagon, um dos grandes virtuosos do saxofone, e ainda Yasushi Nakamura, contrabaixista nascido em Tóquio, que cresceu em Seattle e se expandiu para Nova Iorque.

E tal como o previra Rudy Royston na entrevista em Junho ao DIÁRIO, “independentemente do que a música possa estar a pedir em determinado momento, o Jon e o Yasushi são extremamente intuitivos e interligam-se imediatamente com as ideias e com aventuras musicais de que estamos à procura”. E assim foi.

Antes do concerto, Rudy dirigiu umas palavras ao público: “Aqui, nesta cidade, sinto-me em casa. Acho que quero comprar uma habitação e ficar a viver aqui convosco”. Palavras que deram origem à primeira ovação da noite.

A experiência deste trio é visível, teria seguramente a capacidade de ficar em palco por mais uma hora, mas havia que dar lugar ao concerto mais eléctrico desta edição do Funchal Jazz: a actuação da Kurt Rosenwinkel Caipi Band.

Arriscamos mesmo dizer que será a performance mais ‘orelhuda’ desta edição, ou seja, quiçá mais ‘comercial’, com um jazz de fusão com sonoridades brasileiras e com a britpop, constituído por uma música bem agradável, ajudada pela componente vocal.

Do que ouvimos deu para perceber a excelente receptividade do público no Parque a este sexteto de cordas, teclas, bateria e vozes, contudo, devido ao fecho da edição não deu para acompanhar o concerto até ao fim. Ainda assim, a harmonia entre as vozes e os instrumentos encheu o Parque de jazz, no adeus à segunda noite do festival.

De resto, foram muitos os madeirenses e turistas que marcaram presença ontem no Parque. Destaque para várias figuras públicas, casos de Paulo Cafôfo, presidente da Câmara do Funchal, Duarte Caldeira Ferreira, presidente da Junta de São Martinho, José António Garcês, presidente da Câmara de São Vicente, Manuel António Correia, ex-secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, José Alberto Gonçalves, ex-presidente da Câmara de Santa Cruz, entre muitas outras figuras de áreas como o desporto, caso de Policarpo Gouveia, presidente da Associação de Atletismo da RAM, e da cultura, como André Santos, madeirense a residir em Lisboa e um dos guitarristas mais activos do jazz português.

Hoje realiza-se a terceira e última noite do Funchal Jazz, com dois dos maiores nomes desta edição: Bill Frisell, que apresentará o seu trio a abrir os concertos, e o lendário Charles Lloyd, a fechar, presenteando madeirenses e turistas com o seu quarteto.