Concorrência está de rastos

Uns levaram a sério, outros minimizaram os desaires anunciados

29 Set 2017 / 02:00 H.

A sondagem ontem publicada sobre as intenções de voto em Santa Cruz motivou diferentes reacções nas diversas candidaturas.

O (re)candidato do JPP, Filipe Sousa, admitiu ter ficado feliz pela expressiva ‘vitória antecipada’, embora reiterando o apelo que “é preciso que o povo vote em massa” para efectivar o resultado das projecções.

“Esta sondagem deixa-me feliz porque expressa o sentimento de orgulho próprio do povo de Santa Cruz”, o “povo que nos recebe e nos abraça” e que também “reconhece que os caminhos que nós percorremos não foram nada fáceis”. Para Filipe Sousa, “a distância em relação ao PSD não o surpreendeu, mas mais do que o fosso em relação ao principal opositor, “o facto de as pessoas terem compreendido e reconhecerem o nosso trabalho é o que me deixa mais feliz”, sublinha. “Não podemos voltar ao passado e a diferença em relação ao 2º (PSD) expressa bem esse sentimento do povo de Santa Cruz”, exulta. Deixou contudo um apelo: “É preciso que todos vão votar porque quanto mais votos mais responsabilidade. Queremos sentir esta força do povo para nos dar ainda maior responsabilidade e legitimidade no exercício do nosso mandato”, concretizou.

Sem razões para sorrir terá ficado Roquelino Ornelas. O candidato do PSD minimizou o ‘mau resultado’ das projecções, com uma lacónica declaração: “A vossa sondagem não joga com o que sinto no terreno. No contacto directo com as pessoas. Domingo comprovamos”.

A mesma percepção tem o socialista Cláudio Torres, que corre o risco de não ser eleito.

“Esta sondagem não reflecte o sentimento e a percepção que temos no terreno, porque há muita desilusão com a actual governação do JPP”, garante. Assegurou por isso que a mesma “não interfere nem vai interferir no trabalho que temos vindo a desenvolver. Vamos manter este ritmo de estarmos no terreno todos os dias com o mesmo ânimo. É uma sondagem, vale o que vale”, relativizou.

Na opinião do candidato do PS, “o resultado do JPP está muito exagerado para a percepção que temos tido no terreno”. Mais consentâneo é o anunciado desaire ‘laranja’, porque “de facto sente-se que as pessoas não estão a confiar no PSD e nada me surpreende que tenha de novo um ‘cartão vermelho’”, disse.

Quem também desvalorizou o resultado da sondagem foi Leontina Serôdio, a cabeça de lista do CDS/PP. “Para mim o verdadeiro resultado será a 1 de Outubro. Isto não passam de projecções obtidas com uma pequena percentagem da população”, minimizou. “Acredito que a realidade no domingo será outra, porque continuo a acreditar que os 30 mil eleitores que temos no concelho irão corresponder às expectativas do trabalho que temos feito no terreno, porque pela retribuição e pelo acolhimento que temos sentido e escutado nestes dias, eu continuo a acreditar que o povo é capaz de ter coragem de fazer a mudança”, destacou.

Outra leitura teve a comunista Sílvia Vasconcelos. “As sondagens são meras projecções, no entanto consideramos que hoje (ontem) a CDU teve um bom indicador de crescimento em Santa Cruz, o que reflecte o reconhecimento do trabalho da nossa forca politica ao serviço da população, e como projecto que pode, e é capaz de, fazer a diferença De qualquer forma a ‘grande sondagem’ far-se-á no próximo dia 1 mediante a auscultação real dos santa-cruzenses”, reagiu a candidata da CDU.

Quem espera rentabilizar com a ‘desgraça alheia’ é José Manuel Coelho. Para o candidato do PTP “esta sondagem ‘caiu como um balde de água fria’ no PSD porque eles pensavam que iam eleger pelo menos três vereadores mas pelos vistos nem vão chegar a dois”. Agora que “estão de rastos”, espera lucrar com o desânimo dos que pensavam que o PSD ia ganhar. “Espero beneficiar com isso porque sou o único que não tenho nada a perder, só tenho a ganhar”, sustenta, embora reconhecendo que a sondagem também não foi “simpática” para o PTP.

Quem também valorizou a sondagem foi o cabeça de lista do BE. ”As sondagens são para levar a sério e quanto piores mais a sério devem ser levadas. A sondagem de hoje (ontem) do DN vaticina uma vitória esmagadora para o JPP e um mau resultado para a minha candidatura, cuja responsabilidade assumo, como candidato independente”, reagiu.

Últimos com reacções diferentes

“O verdadeiro resultado e aquele que de facto interessa só se saberá no domingo”, remeteu Ruben Visinho, o candidato do PDR, reagindo aos 0,5% das intenções de voto, culpando também a comunicação social pelo ‘pouco tempo de antena’ dado à sua candidatura.

O MPT encabeçado por Guida Teixeira obteve também o mesmo (mau) resultado. A candidata fez questão de salientar que tem “os pés bem assentes na terra” para deixar claro que “não esperava ganhar” e como tal, “este resultado não me deixa triste”, garantiu. Também não ficou surpreendida com a diferença abismal entre JPP e PSD. “Ficava surpreendida se fosse ao contrário”, ripostou.

Apesar das várias tentativas, não foi possível obter a reacção do candidato do PCTP/MRPP.