Lágrimas no ‘adeus’ ao Secundário

Finalistas da Jaime Moniz sentiram um misto de sensações no dia da Bênção das capas

01 Dez 2016 / 02:00 H.

O relógio batia as 13h30 quando começaram a chegar os primeiros finalistas da Escola Secundária Jaime Moniz. De repente as ruas circundantes àquele estabelecimento de ensino ficaram ‘pintadas’ de preto e branco devido às cores dos fatos que os alunos exibiam como se fosse um troféu.

Junto à escadaria do ‘Liceu’ estava João Carreira, de 17 anos, que, visivelmente emocionado, disse que vestir a capa é um passo importante na sua vida, porque fecha-se um ciclo e abre-se um novo caminho que, no seu caso, será o ingresso no Ensino Superior para o curso de Medicina.

“Esperei 12 anos por este momento e, por isso, quero aproveitar ao máximo este dia. Amanhã, quando tudo estiver terminado, volto a pensar nos estudos, até porque quero seguir Medicina. Neste momento, a minha média é de 17 valor e tenho de me esforçar ao máximo para subir as notas, porque o meu objectivo é ser médico”, disse o jovem estudante de Ciências e Tecnologias.

Ao seu lado estava a mãe enternecida a ouvir as suas palavras, deixando transparecer o quanto estava orgulhosa do seu ‘rebento’.

Com as lágrimas nos olhos, Patrícia Carreira disse que ver o seu filho vestir a capa “é o realizar de um sonho”, porque na sua altura de estudante não teve a mesma oportunidade. E, por isso, está “mais nervosa do que ele”.

“Eu não vesti a capa e sempre tive o sonho de ver o meu filho a chegar a esta fase da sua vida. É com um enorme orgulho que estou aqui hoje a apoiá-lo neste passo tão importante, mas não deixo de estar nervosa, porque sei que, daqui para a frente, terei de cortar o cordão umbilical, porque ele quer ir para fora estudar. É verdade que me vai custar, mas é o sonho dele e, por isso, irei apoiá-lo a 100%”, referiu.

Acompanhada também pelos familiares a amigos estava Carolina Paulino que revelou que vestir a capa “é uma vitória” e o “concretizar de um sonho” de qualquer estudante que, ao longo destes anos, esforçou-se para chegar a este patamar. A estudante de Línguas e Humanidades disse que pretende seguir Advocacia e estudar numa universidade do continente.

Visivelmente nervosa, a finalista referiu que, neste dia, foi muito mimada por todos os que lhe acompanharam até à Escola Secundária Jaime Moniz. Pessoas que lhe deram palavras de incentivo para “continuar em frente” rumo ao objectivo que traçou no início do ano lectivo.

A mãe da jovem, Cristina Paulino, que não deixou a sua menina sozinha nem por um instante, revelou ao DIÁRIO o quanto estava orgulhosa da filha, que não dormiu de “tão nervosa que estava”. “Para mim, este é um dia especial, porque representa um percurso que ela lutou muito para chegar”, referiu, acrescentando que vai continuar a apoiar as suas decisões, sobretudo agora em que escolheu ser advogada.

A professora de Português Fátima Marques foi a madrinha escolhida para ‘abençoar’ os finalistas do ‘Liceu’. Antes do tradicional desfile até à Igreja da Sé, a docente fez uma pausa na sessão fotográfico e confidenciou que se sentia “vaidosa” pelo facto de ter sido a escolhida. Mas ‘vaidades à parte’, frisou que no seu discurso irá deixar um conselho que, no seu entender, é o mais importante de todos: “Que respeitem os pais que é quem os agasalha e a quem eles devem tudo”.