Jornais centenários valorizados

DIÁRIO é uma das 31 publicações centenárias que Marcelo Rebelo de Sousa vai homenagear a 25 de Abril, no Palácio de Belém

22 Abr 2017 / 02:00 H.

O Presidente da República escolheu o dia em que se comemoram os 43 anos de Democracia em Portugal para receber os representantes de 31 jornais centenários, de forma a manifestar-lhes reconhecimento pela longa actividade e contributo para o pluralismo no País. O anúncio da cerimónia que decorre a 25 de Abril, no Palácio de Belém, pelas 15 horas, foi feito pela Associação Portuguesa de Imprensa (API), autora da iniciativa e entidade que quer que a imprensa centenária seja reconhecida como Património Cultural Imaterial.

A instituição representativa da imprensa portuguesa faz saber que a data para o reconhecimento foi escolhida pelo seu simbolismo, “uma vez que a Revolução dos Cravos, em 1974, permitiu devolver aos portugueses os direitos, garantias e liberdades fundamentais, entre elas a liberdade de Imprensa”. Afinal, “atendendo ao seu papel de contra-poder, a imprensa livre sempre foi combatida pelos regimes totalitários, seja qual for a respectiva matriz ideológica e a localização geográfica. Daí que conseguir manter a publicação durante mais de cem anos, vencendo as diversas crises, testemunhando guerras e catástrofes, enfrentando ditaduras e repressões de vária ordem, é uma exemplar demonstração de persistência, de coragem e de crença nos valores da liberdade de informação e na importância da imprensa”, sublinha a API.

A API também entende que a liberdade de imprensa, através da independência e do pluralismo dos media, “é factor essencial da Democracia, pelo que considera de toda a justiça este reconhecimento aos 31 jornais que se publicam em Portugal, ininterruptamente, há pelo menos um século”.

A odisseia dos jornais centenários portugueses começou em 1835, por sinal nas ilhas, com a publicação do Açoriano Oriental, de Ponta Delgada, já a caminho dos dois séculos. Para além do mais antigo jornal português ainda em publicação, o Diário dos Açores (1870) e A Crença (1915) garantem ao arquipélago vizinho o terceiro lugar no número de publicações centenárias.

O distrito de Aveiro, com 5 títulos centenários, é o que reúne maior número de resistentes. Segue-se o distrito do Porto, com 4 títulos. Com 3 títulos surge o distrito de Lisboa, Braga e Coimbra.

Dois títulos têm o distrito de Santarém e da Guarda. E com um único título centenário surgem Vila Real, Viseu, Viana do Castelo, Castelo Branco e Faro.

A Madeira tem um centenário: o DIÁRIO de Notícias da Madeira, nascido a 11 de Outubro de 1876, a 4.ª publicação diária do País em termos de antiguidade a 3.ª das regiões autónomas.

No âmbito desta iniciativa de reconhecimento da imprensa centenária de Portugal, a API elaborou uma publicação com a síntese histórica de cada um dos 31 títulos, reproduzindo também a página da primeira edição e de uma edição actual de todos os títulos abrangidos. Tamanha importância à imprensa livre é também dada pela Organização das Nações Unidas, cuja Assembleia Geral instituiu, em 1993, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a celebrar a 3 de Maio.

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