“Jardim pode dar na Europa um contributo ao País”

Miguel Albuquerque

15 Fev 2018 / 02:00 H.

Alberto João Jardim merecia um cargo de relevo na Europa. A sugestão é dada pelo presidente do governo regional da Madeira, com quem o ex-líder se incompatibilizou politicamente. Em entrevista à TSF, que pode ouvir ao longo desta quinta-feira e em compacto depois das 21h, Miguel Albuquerque diz que nunca teve nenhuma questão pessoal com Jardim e que há relacionamento entre os dois.

“Eu nunca tive nenhuma questão pessoal com ele... houve uma altura em que achei que devia haver eleições no partido, hoje em dia o nosso relacionamento é normal, institucional”, refere.

Questionado sobre se Jardim ainda tem alguma coisa a dar à política, Miguel Albuquerque é peremptório: “Podia e pode, na Europa dar um contributo ao país”. Curiosamente, aplica a Jardim uma receita que o anterior presidente do Governo lhe sugeriu, também na rádio. Em entrevista dada à Antena 1 na semana passada, o ex-líder madeirense pediu uma “saída digna” para o seu ‘sucessor’, se na reflexão interna que entende deve ser feita no PSD-M e na consciência de Albuquerque chegarem à conclusão que “a pessoa de bem” não tem condições para vencer as Regionais de 2019. “O actual presidente do Governo está em posição de escolher: ser candidato nas Regionais ou, como antes há as eleições para ao Parlamento Europeu, ser candidato a um lugar onde ele tem grande competência para desempenhar”.

Na entrevista à TSF, Albuquerque aborda outra das figuras da actualidade política regional, o incontornável opositor a candidatar pelo PS em 2019. Assume que não se deixa intimidar por Paulo Cafôfo até porque tem as metas devidamente traçadas. “O nosso objectivo é ganhar com maioria absoluta... é muito mais fácil governar com maioria absoluta. Estamos disponíveis em função do resultado que os eleitores decidirem...

O que é que lhe está a correr mal? Tivemos um processo de governo difícil... neste momento ainda é muito cedo para o PS deitar os foguetes. O PS fez o congresso, já deitou os foguetes, já apanhou as canas, mas... as eleições são daqui a um ano e meio...

O foguete chama-se Paulo Cafôfo? Seja quem for, nós vamos às eleições para ganhar.

Não tem medo de Paulo Cafôfo? Não tenho medo nenhum.

Destemido, Albuquerque revela ter sido o PS de Lisboa que engendrou “esta solução de barriga de aluguer para tomar o poder na Madeira...”. “Vamos ver se consegue”, refere.

No confronto com Lisboa, deixa um alerta: Ou o Governo da República respeita a Autonomia da Madeira, ou as posições podem estremar-se. Albuquerque acusa mesmo o executivo de António Costa de falta de respeito pela Autonomia da Região e avisa que nenhum português gosta de ser tratado de forma discriminatória.

“Ainda no outro dia uma secretária de Estado teve a lata de vir aqui à Madeira dizer que o governo regional é que está a atrasar a construção do novo hospital. Quando o governo do PS ainda não inscreveu um cêntimo no orçamento do Estado. Portanto isto torna-se muito complicado. Ainda agora estive na Guiana. A Guiana esteve a ferro e fogo... ou encontramos as soluções ou vai haver forças mais radicais e vão-se extremar posições...”, sublinha.

Mas acha que a Madeira corre esse risco? Se as soluções não forem enquadradas no âmbito institucional, corremos esse risco. As pessoas não podem aceitar ser tratadas de forma discriminatória. Não há nenhum português que goste de ser tratado de forma discriminatória.

Ao longo da entrevista, faz abordagens a questões nacionais. Por exemplo, discorda de Miguel Pinto Luz, o actual número dois de Carlos Carreiras na Câmara Municipal de Cascais, que liderou a distrital do PSD Lisboa. Diz que o PSD deve manter em aberto o voto no orçamento do estado do próximo ano. “Isso depende se o orçamento do estado contempla ou não as reivindicações do PSD. O voto é sempre em aberto, é assim que se negoceia em política”, opina. *com Anselmo Crespo, subdirector da TSF

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