Instalação e imagem a favor do património

Martinho Mendes e Michał Krenz expõem a partir do dia 18 na Quinta do Revoredo

12 Abr 2018 / 02:00 H.

O Município de Santa Cruz associa-se à celebração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios e ao Ano Europeu do Património Cultural com a inauguração na quarta-feira de uma exposição na Casa da Cultura – Quinta do Revoredo da autoria do artista plástico madeirense Martinho Mendes e do realizador e fotógrafo polaco Michał Krenz. Trata-se de uma abordagem contemporânea, uma instalação que se debruça sobre os vestígios arqueológicos do antigo Convento da Piedade de Santa Cruz, combinada com fotos e um pequeno filme alusivo ao património. ‘Derrocada – Downfall’ inaugura às 18 horas.

O pequeno Mosteiro Franciscano começou a ser erguido em 1518 e concluído em 1527, junto à actual cabeceira Oeste da pista do aeroporto. Com o fim das ordens religiosas, destaca o historiador Emanuel Gaspar, o imóvel foi-se degradando e o seu espólio foi distribuído por outros templos. “Em 1961, antes do desaparecimento físico das suas ruínas e em virtude da construção do aeroporto da Madeira, o Dr. António Aragão procedeu a pioneiras escavações arqueológicas de emergência”, conta o também coordenador da Quinta do Revoredo. Inicialmente, os vestígios arqueológicos foram depositados no jardim do Museu da Quinta das Cruzes. Em 1996 os fragmentos do mosteiro foram transferidos para os jardins da actual Casa da Cultura, onde alguns foram remontados.

“Podemos observar pedras em cantaria regional cinzenta e vermelha, de gramática tardo-gótica/manuelina, que compunham portais em ogiva, janelas e arcos quebrados, entre outros, de fina execução, entre bases, colunelos, capitéis e arquivoltas, para referir apenas alguns”, refere Emanuel Gaspar. “O remanescente está aglomerado num canto do jardim, em silenciosa agonia, mas cheio de vozes que nos interpelam, arqueologia de memórias ancestrais que readquirem poder dialogante através dos seus valores histórico-artísticos”.

A ideia da exposição é colocar em diálogo este património com a obra dos dois artistas. Martinho Mendes vai combinar estas pedras com outras promovendo novas leituras, enquanto Michał Krenz, que se interessa pelo processo de entropia e ruína, assim como pelas relações recíprocas da cultura imaterial e do património construído, vai apresentar algumas fotografias precisamente desta acção de desgaste e da relação entre a natureza e o homem.

“As ruínas são a consequência de mudanças ideológicas, de mentalidades, da insensibilidade, da especulação ou da desonestidade que levaram o edifício, outrora vibrante, a morrer num lento desgaste físico inexorável, mas os seus ‘ossos’ continuam a preservar uma dimensão estética, já não vistas como um ideário melancólico do romantismo do séc. XIX, mas como testemunhos da utilitas, venustas e firmitas de um certo tempo e linguagem arquitectónica”, escreveu Emanuel Gaspar no texto introdutório.

A exposição pretende ser um alerta para a preservação do património, assim como para a preservação dos vestígios arqueológicos. Fica patente ao público no horário regular de funcionamento do espaço, até 16 de Junho.