Insegurança no Bairro de Santo Amaro é “culpa da droga”

IHM admite ter conhecimento da situação, mas diz que isto é caso de polícia

15 Fev 2018 / 02:00 H.

13. Para alguns é o número da sorte. Para outros simboliza o azar. E para os moradores do Bairro de Santo Amaro, a insegurança. No Bloco 13 deste Conjunto Habitacional, localizado em Santo António, “pouco ou nada se dorme”. Os moradores do prédio e alguns vizinhos afirmam que a origem do problema está na droga, que é cada vez mais cobiçada por alguns indivíduos que acabam por provocar desordens e um barulho ensurdecedor até às tantas da madrugada.

A Polícia tem conhecimento, garantem. Assim como a Investimentos Habitacionais da Madeira (IHM), entidade responsável por este Conjunto Habitacional. Mas, segundo os queixosos, ambas as entidades até ao momento nada fizeram para resolver esta situação que é presenciada por vários menores e até mesmo por idosos que admitem ter medo de sair à rua.

Durante o dia chegam e saem de casa deparando-se com tráfico de droga à porta, afirmam. “Mas ninguém fala, ninguém vê e fingem também não ouvir porque o medo fala mais alto”, adiantam os inquilinos.

Também à noite os excessos são constantes. O consumo de ‘bloom’, uma substância psicoactiva que provoca perturbações profundas no sistema nervoso central e que altera a noção da realidade, tornou-se “moda” e, de acordo com as mesmas fontes, “tem destabilizado o bairro”. “A culpa é da droga”, insistem.

De porta trancada, ouvem o que se passa lá fora e evitam espreitar à janela com medo de represálias. Até porque, “um dos indivíduos torna-se bastante agressivo quando está sob efeito de estupefacientes, tendo já sido levado por diversas vezes pela PSP e pelos bombeiros para o hospital”. “À noite anda alucinado. Grita, provoca distúrbios e envolve-se em zaragatas, não dando descanso a ninguém”, referem os moradores, acrescentando que até a própria família “liga aflita para a PSP a pedir ajuda”, mas que “eles [Polícia] dizem nada poder fazer para reverter esta situação”.

IHM diz que é caso de Polícia

A Investimentos Habitacionais da Madeira admite ter conhecimento da existência de conflitos entre alguns moradores daquele bairro, não só porque algumas famílias fazem chegar as suas preocupações, mas também em resultado de algumas notícias que têm vindo a público relativas a conflitos, consumos e apreensão de drogas naquele e noutros bairros sociais. No entanto, diz tratar-se de um assunto do foro policial e da área da justiça, afirmando não ter competências nesta área.

Relativamente aos casos de toxicodependência, a IHM salienta que não pode “privar cidadãos com dependências ou comportamentos desviantes do direito à habitação, a não ser que, em última análise, se comprove que a habitação atribuída não é utilizada para o fim a que se destina”. “Neste caso, nos termos da lei, há motivo para a rescisão do contrato de arrendamento”, acrescenta.

Desta forma, cabe à IHM “sensibilizar e educar as famílias inquilinas para o cumprimento do Regulamento das Habitações Sociais- que faz referência a um conjunto de deveres e obrigações dos inquilinos, nomeadamente relativos ao bom uso da habitação e boas relações com a vizinhança”, sendo que para isso existe uma equipa de técnicos em permanência neste bairro.

Quando são sinalizados episódios de violência a IHM “reporta os casos às entidades competentes visando eventual reforço da respectiva acção dentro das suas áreas de actuação”.

“Temos de penalizar mais”

“Temos de penalizar mais quem comete crimes”, defende o coordenador da Unidade de Tratamento de Toxicodependência do Serviço de Psiquiatria do Hospital Dr. Nélio Mendonça.

Para Licínio Santos, a solução para este problema poderá passar por uma maior fiscalização de forma a diminuir a taxa de oferta, ou seja, “tem de haver uma mão mais pesada a nível judicial”.

O álcool continua a ser a droga que suscita maior preocupação ao médico mas, a nível das substâncias ilegais, afirma que neste momento o grande problema está relacionado com as drogas sintéticas, nomeadamente com os psicoestimulantes designados por ‘bloom’ e ‘flakka’ que imitam os efeitos da cocaína e têm um custo mais acessível.

“São cinco euros ao pacote enquanto que um pacote de cocaína custa 20 euros. Um grama custa 40 euros e um grama de cocaína 80 euros”, refere.

De acordo com Licínio Santos, este problema afecta todas as faixas etárias, em grande parte o sexo masculino, e, neste bairro não é excepção. No entanto, garante que ainda são muitas as pessoas que procuram ajuda, dirigindo-se à unidade móvel, no local, ou à unidade de tratamento de toxicodependência às consultas de acolhimento, às quartas-feiras.

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