Ilhatrónica cheia de ingredientes

O Mercado fecha a partir das 14 horas de amanhã para ficar ‘Ilhatrónico’

15 Dez 2017 / 02:00 H.

O Mercado dos Lavradores guarda amanhã os ingredientes certos para uma soberba refeição sonora, repleta de sensações auditivas que aquecem esta quadra natalícia.

Dá pelo nome de ‘Ilhatrónica’ o evento alternativo com o cunho do ‘Aleste’, que traz este ano à Região dois verdadeiros embaixadores da cena house e techno em Portugal.

Com início pelas 20h30, Magazino e Cruz, os dois artistas por detrás da Bloop Recordings, vêm até à baixa do Funchal debitar ondas sonoras através do vinil, num evento que termina pelas 2 horas da madrugada.

Estes entusiastas tornam-se assim nos cabeças-de-cartaz de uma iniciativa que aquece o início de noite dos muitos que não queiram perder pitada de um encontro musical que tem ganho pujança ao longo dos últimos anos.

O DIÁRIO teve a oportunidade de falar com Cruz, na contagem decrescente para o ‘Ilhatrónica’, e com a voz que esconde por detrás do ‘deck’, o artista contou que as expectativas para este regresso à Madeira “são boas”, sobretudo “das pessoas que seguem a Bloop Recordings”, lançando depois o mote para o evento de amanhã: “Vai ser uma boa festa”, apontou Cruz.

Num espaço que o agradou, o artista disse que esteve lá ontem e ficou “deveras surpreendido”, apesar de que quando organiza eventos procura “fazer festas em sítios onde nada existe, saindo do circuito normal de discoteca”, ou seja, “vir à Madeira e encontrar um espaço daqueles foi uma surpresa”.

A editora e produtora nacional foi uma das impulsionadoras das matinés em território nacional, figurando neste panorama há quase 11 anos, num horário que assegura ser vantajoso, quase à semelhança do que se sucede com o ‘Ilhatrónica’.

“Uma pessoa que sai durante a tarde, até parece que sai com mais vontade do que quando sai durante a noite. Durante a tarde, as pessoas saem com vontade de se divertir”, adiantou Cruz, explicando que com este tipo de iniciativas, o ‘Ilhatrónica’ consegue “ter um tipo de público mais específico que sabe para onde vai, e isso do ponto de vista artístico é positivo porque acabamos por ter um público mais receptivo a ouvir música”.

Em contagem decrescente para dar vida a um dos sítios mais emblemáticos da capital madeirense, saiba que o preço dos bilhetes está fixado em 10 euros e podem ser adquiridos no Barreirinha Bar Café ou no próprio dia desta reunião, no Mercado dos Lavradores.

Primazia ao vinil

Elevando o vinil ao mais alto patamar do objecto com que primam as suas produções e selecções musicais, Cruz explicou que o facto de escolherem esta peça deve-se à sua característica “mais pessoal”.

“Quem compra um vinil não compra de uma forma tão descartável como o digital. No digital podes descarregar a música hoje pelo preço de 1 euro, e passado duas semanas colocas-lhe na reciclagem. O vinil é uma peça com que tu ficas, guardas e dás mais valor. Quem compra e toca vinil tem uma relação diferente com a música”, demonstrou o produtor, confessando-se um apaixonado pelo som analógico.

Em relação ao registo techno e house a nível nacional, Cruz opinou de uma forma sucinta, debruçando a sua perspectiva com o facto de a música estar “sempre em constante mudança e seguindo tendências”, embora note que no lado do público, esta ‘febre’ positiva tem vindo a ter maior aceitação e a tendência é sempre a crescer, falando, claro está, do trabalho desenvolvido na última década com a Bloop Recordings.

“Tentamos marcar uma diferença e que numa festa rapidamente identifiquem que estão perante artistas da bloop, à semelhança da forma como o Aleste organiza este evento”, vaticinou.

Cruz e Magazino para deitar o Mercado ‘a baixo’

Cruz é actualmente um dos nomes mais recorrentes nos cartazes que dão corpo a eventos nacionais como o Lisboa Dance Festival ou o Neopop, visitando com regularidade algumas das paragens mais importantes da cena nacional e internacional. Hoje é um dos sócios da editora e produtora Bloop Recordings e um DJ de caminho sólido feito dentro e fora da casa. Bem conhecido no panorama da electrónica nacional, carregando aos ombros o apelido que o liga à música, Cruz aborda múltiplas correntes e experimentalismos, usando como moeda de troca o vinil.

Magazino traz na sua bagagem vinte e dois anos no salão dos discos, dentro e fora de Portugal. No seu trajecto teve o prazer de tocar em casas como o Kremlin, Pachá, Lux Frágil ou Gare e em festivais emblemáticos tais como o Alive, Sudoeste, Neopop Festival ou Rock in Rio. De seu nome Luís Costa, um dos fundadores da Bloop Recordings, e sócio do projecto juntamente com Cruz, o artista nutre uma paixão antiga pelo vinil, reforçada em 2015 quando celebrou em parceira com a Red Bull os seus 20 anos de carreira, com 20 horas de atuação e festa, recorrendo unicamente ao vinil.

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