Hotelaria regional cresce menos em 2017

Dezembro confirmou desaceleração do crescimento dos vários indicadores, embora no ano se tenha batido novos recordes nas dormidas, nos proveitos e no RevPAR

15 Fev 2018 / 02:00 H.

Às vezes o que parece negativo à primeira vista, poderá ter efeitos positivos a médio e longo prazo. Os recentes resultados da hotelaria madeirense, um dos principais motores da economia regional, mostram uma desaceleração do crescimento na Madeira, sobretudo tendo em conta os resultados das outras regiões de Portugal e mesmo da média nacional, que teve +9,8% nas dormidas, +18,1% nos proveitos totais e +21,1% nos proveitos de aposento.

A verdade é que Dezembro confirmou a tendência de crescimento, sobretudo das dormidas e dos proveitos, reforçando 2017 como o melhor ano de sempre nestas perspectivas - mais clientes a passar menos tempo cá, mas a gastar mais, sobretudo no que pagam por dia por quarto -, mas a não acompanhar os desempenhos das outras seis regiões, todas acima dos dois dígitos de crescimento.

Sustentabilidade. Palavra cara que pode ser justificativa de uma região que continua a ser das mais fortes em termos de turismo, mas que parece descolar do ‘boom’ turístico que Portugal tem sentido nos últimos quatro/cinco anos. Os números não enganam.

Dezembro a desacelerar

Resumindo, a hotelaria na Região Autónoma da Madeira foi a única do país a perder dormidas em Dezembro (417 mil) último face a igual período de 2016. Ainda assim, a quebra foi mínima (-0,3%), o que para todos os efeitos não influenciou o melhor ano de sempre neste sector, com mais de 7,5 milhões de dormidas e um aumento de 1,9% perante 2016 que já tinha sido o melhor (ver mais à frente).

Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística e pela Direcção Regional de Estatística e revelam, também, que foi nas dormidas de não residentes (-1,4% ou 369,3 mil) em Dezembro que se deveu a perda relativa, porque do lado dos residentes em Portugal, o aumento foi de 9,3% (47,8 mil ) no mês da ‘Festa’.

Em Dezembro, também a estada média diminuiu na Madeira em 3,9%, de 5,29 noites no mesmo mês de 2016 para as 5,08 noites, registando-se a segunda maior quebra atrás do Algarve e apesar do crescimento nos hóspedes entrados em 2,6%.

A taxa de ocupação-cama, que é a maior do país com grande margem de distância à excepção de Lisboa, teve em Dezembro uma quebra ligeira de 0,5%, desde os 48,4% em 2016 para 47,9% no último mês do ano passado.

Estas diminuições não afectaram os proveitos do hotéis, uma vez que tanto os proveitos totais (25,2 milhões de euros) como os proveitos de aposento (16,4 milhões de euros) tiveram excelentes resultados, com +6,7% e +9,6% respectivamente.

Por fim, o rendimento por quarto disponível (RevPAR) neste mês só foi mais elevado em Lisboa (46,4 euros), enquanto na Madeira foi de 39 euros, o segundo pior mês do ano (Janeiro tivera 35,53 euros), mas bem melhor que Dezembro de 2016 (35,8 euros).

Mais um ano recorde

Como referido, o ano de 2017 salda-se em mais recordes, mas com o crescimento mais modesto dos últimos cinco anos. O último período de quebra homóloga nas dormidas fora em 2012 ( 5.507.685) face a 2011. Depois disso, foi sempre a subir (+9,3% em 2013, +4,1% em 2014, +6,2% em 2015 e, sobretudo, +10,7% em 2016), até culminar neste aumento mais modesto de 1,9% para 7.507.889 dormidas. Ou seja, em cinco anos, registou-se um aumento de dois milhões de dormidas.

Noutros dois indicadores importantes, pelo menos para as finanças das empresas de hotelaria, os proveitos totais pela primeira vez ultrapassaram a barreira dos 400 milhões, mais precisamente 407,4 milhões de euros, mas também o RevPAR, que superou pela primeira vez na história da hotelaria madeirense a fasquia dos 50 euros por quarto, no caso em concreto 51,47 euros (+8,3%), acima da média nacional (50,2 euros)

Na prática, fazendo uma média simples, em 2017 a hotelaria madeirense teve proveitos de 333 euros por hóspede entrado (1.223.305), quando em 2016 arrecadara, em média, 325 euros por cliente.

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