Hospital registou 647 notificações por agressão

a violência está muitas vezes “camuflada”
e atinge todas
as faixas etárias

19 Mai 2017 / 02:00 H.

647. Este foi o número de pessoas que no ano passado deu entrada no Hospital Dr. Nélio Mendonça, vítimas de agressão. Houve 73 casos de violência doméstica física (55 mulheres e 18 homens) e 128 casos de violência emocional (113 mulheres e 15 homens), revelou Carmo Caldeira, directora do Serviço de Urgência do SESARAM, acrescentando que em 2016 mais de 250 pessoas recorreram também aos Centros de Saúde da Região Autónoma da Madeira, vítimas de agressão. Alguns casos já foram notificados mas o medo e a vergonha de admitir sofrer de maus tratos ainda está bem patente na vida de quem os vive, garantem os profissionais de saúde.

Apesar da maioria das queixas partir de mulheres, Carmo Caldeira admite que os homens também são afectados e que a violência engloba não só os adultos mas todas as faixas etárias, desde bebés, jovens e até idosos que muitas vezes são deixados ao abandono por dependerem de terceiros. Uma situação que “está também a comprometer toda a assistência hospitalar dos doentes agudos porque tem se registado uma sobrelotação no Serviço de Urgência”.

A directora do SU acredita que é importante compreender e estar actualizado sobre este tema que muitas vezes “está camuflado”. Por isso mesmo, diz ser relevante que esta informação chegue a todos os profissionais de saúde, nomeadamente através da acção de formação interna sobre o Plano Regional Contra a Violência Doméstica 2015/2019 que visa informar, sensibilizar e educar para esta causa. Um projecto da responsabilidade do Instituto de Segurança Social do qual o SESARAM é parceiro e que tem como finalidade preparar os médicos e enfermeiros para este problema, para que fiquem mais capazes de perceber os sinais de violência doméstica principalmente quando não são declarados pelas vítimas.

Também Pedro Fonseca, coordenador do Serviço Social do SESARAM, explicou que este Plano tem um conjunto de linhas de acção e de eixos que estão a ser definidos e que cada organismo tem que se responsabilizar pelo desenvolvimento desse mesmo eixo.

Relativamente ao SESARAM, adiantou que estes eixos passam pela formação aos profissionais, saúde, formação e sensibilização à população e pelo facto de haver uma uniformização dos procedimentos com os diferentes parceiros.

Isto, porque “a violência doméstica é um tema bem presente na vida de todos e caracteriza-se por três fases: lua-de-mel, a fase da tensão e a fase da agressão que pode por vezes levar à morte”.

Pedro Fonseca referiu também que muitas destas situações estão associadas a um conjunto de vários problemas, que vão desde a saúde mental, comportamentos aditivos, situações de crise social, desemprego e situações de isolamento e defendeu que é importante tratar o agressor da mesma forma que se trata a vítima. Desta forma, pretende que esta ideia abranja 50% dos profissionais até 2019.

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