Hospital e Porto Santo

Em causa estão consumíveis, máquinas, manutenção e assistência Técnica

16 Set 2017 / 02:00 H.

O SESARAM prevê gastar 1,3 milhões de euros, nos próximos três anos, para garantir a prestação de serviços de hemodiálise no Hospital Dr. Nélio Mendonça e no Porto Santo. Apesar do valor parecer grande, corresponde a menos 300 mil euros do que o contrato que está em vigor e termina em Dezembro, para sensivelmente a mesma prestação de serviços e disponibilização de equipamentos.

Em causa, está a hemodiálise que o SESARAM garante directamente aos utentes, tanto aos doentes crónicos como aos agudos (em urgências e internamentos). Este concurso em nada se relaciona com a hemodiálise que o SESARAM garante a cerca de 150 doentes crónicos, através de uma empresa do universo Fresenius, a Nephrocare.

O concurso, publicado a 6 de Setembro em Diário da República, é composto por dois lotes: um para o Hospital Dr. Nélio Mendonça, com o preço base de 356,4 mil euros; outro para o Centro de Saúde do Porto Santo, com o valor base de 81 mil euros. As duas quantias juntas ascendem a 437,4 mil euros anuais. Ao fim dos três anos, a verba a pagar poderá ascender a 1,3 milhões de euros. Este valor representa menos 300 mil euros do que os 1,6 milhões de euros do contrato em vigor. O valor anual do contrato, celebrado com a Fresenius Medical Care Portugal, S.A., a 11 de Dezembro de 2014, para “aquisição de soluções, consumíveis e dispositivos para sessões de hemodiálise, com colocação de equipamentos, em regime de comodato, manutenção e assistência técnica do Sistema de Tratamento de Água para Hemodiálise e o controlo da qualidade da água para fins medicinais no Serviço de Hemodiálise do Hospital Dr. Nélio Mendonça” foi fixado em 534,6 mil euros.

50 tratados directamente

O SESARAM responsabiliza-se directamente pela hemodiálise de aproximadamente meia centena de doentes crónicos. Os restantes, cerca de 150, fazem a diálise em unidades da Nephrocare contratadas pela empresa pública, parte na Rua 5 de Outubro, junto à Clínica de Santa Catarina, e os restantes em Machico.

Os aproximadamente 50 doentes tratados directamente fazem com que o SESARAM assuma a dianteira, a nível nacional nessas funções. No resto do País, à excepção dos Açores, onde não existe contratação com privados, a esmagadora maioria dos doentes crónicos faz hemodiálise em unidades privadas.

O Serviço de Hemodiálise do Hospital Dr. Nélio Mendonça conta com 20 máquinas. Destas, três são usadas para doentes com condições específicas, como os portadores de HIV ou algumas hepatites. Dois monitores têm de ficar de reserva, para o caso de algum, que esteja a ser usado em hemodiálise, avariar.

Além dos cuidados aos doentes crónicos, que fazem três a quatro sessões por semana, compete ao Serviço de Nefrologia assegurar a hemodiálise aos doentes agudos. Estas sessões são bem mais demoradas. Em vez das três a quatro horas, podem durar oito ou dez. A unidade do SESARAM está habilitada, igualmente, a dar assistência a doentes transplantados noutros hospitais.

Uma dezena no Porto Santo

A unidade de hemodiálise no Porto santo é uma enorme mais-valia social, nomeadamente para a qualidade de vida dos hemodialisados locais, mas, do ponto de vista unicamente financeiro, não se justificaria. Na ilha, não chega a uma dezena o número de doentes a necessitarem de hemodiálise, o que faz com que os equipamentos locais fiquem sub-rentabilizados.

A assistência à hemodiálise no Porto Santo, na parte compreendida no concurso lançado neste mês (ver texto principal), ascende a 81 mil euros.

O anúncio do reforço da hemodiálise no Porto Santo foi feito, primeiro, por Pedro Ramos, me Fevereiro, e, depois, por Tamásia Alves, em Abril, na ALM. Nessa altura, a presidente do Conselho de Administração do SESARAM anunciou que capacidade instalada de postos de hemodiálise na ilha seria aumentada de quatro para oito a dez postos.

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