‘Honoris Causa’ da resistência e da paz

Xanana Gusmão recebeu ontem o título de Doutor ‘Honoris Causa’ da UMa, numa cerimónia marcada pelos sentimentos

17 Out 2017 / 02:00 H.

O mar que separa, mas que também pode e deve unir a Madeira e Timor-Leste serviu de inspiração para a intervenção de Xanana Gusmão na cerimónia que marcou oficialmente o início de mais um ano lectivo na Universidade da Madeira. A ocasião teve como ponto alto a atribuição do doutoramento Honoris Causa ao ex-Presidente da República Democrática de Timor-Leste.

Xanana Gusmão fez questão de frisar o papel fulcral que o mar pode ter para o desenvolvimento daquele que é o segundo país mais jovem do Mundo. A aposta na pesca, na indústria, na agricultura e no turismo são algumas das áreas estratégicas. “Timor tem muito a aprender convosco”, ressalvou aquele que é considerado o símbolo da resistência do povo maubere.

O primeiro Presidente da República Democrática de Timor-Leste salientou a importância de se tornar plenamente livre, algo que só é possível se existir uma soberania financeira e política, em que o seu país está a trabalhar.

Para isso, importa defender os interesses, como saber crescer de forma sustentada e em cooperação com outras nações, ao invés de forma dependente. A recente fixação de fronteiras marítimas com a Austrália e a explorações dos jazigos petrolíferos deverão ser formas de crescimento.

Além disso, Timor-Leste assume a responsabilidade de formar as suas gentes para as artes do mar e está disposto a cooperar internacionalmente para a segurança dos oceanos, protegendo-os de ameaças. Aliás, a esse respeito, Xanana Gusmão admitiu ser incompreensível a inércia dos países perante a ameaça das alterações climáticas, ressalvando que é urgente entrar em acção.

Por fim, naquele que foi considerado o “milagre maubere”, ou seja, o processo de libertação de Timor-Leste, Xanana Gusmão deixou uma palavra de agradecimento aos madeirenses por terem apoiado este processo da melhor forma e garantiu que há uma vontade reforçada de desenvolver o país, com um foco especial na paz e na estabilidade.

Ireneu apadrinhou Xanana

O Representante da República para a Região Autónoma da Madeira foi o padrinho de Xanana Gusmão. Ireneu Barreto referiu que a atribuição do título de Honoris Causa é “justa”, pelo “resistente” que foi e é Xanana. “A luta pelos direitos humanos, a transição política norteada pela paz e pela identidade do povo timorense e a integração nacional” são as personificação deste líder, segundo o seu padrinho.

“A independência de Timor-Leste se confundirá com Xanana Gusmão”, frisou, pois, mesmo após longos anos de cativeiro, as suas expressões demonstravam, acima de tudo, “fraternidade, amor ao próximo e paz”.

“O que nos une ao Doutorando Xanana Gusmão é, simultaneamente, nosso e universal: a noss e universal língua portuguesa e a nossa e universal luta pelos direitos humanos”, explicou Ireneu Barreto.

Novo ano lectivo

Nesta cerimónia que marcou oficialmente o arranque de mais um ano lectivo na UMa, o seu reitor, José Carmo e o presidente da Associação Académica, Carlos Abreu, não deixaram passar a data em claro sem torna a apelar a mais investimento no ensino superior e a mais apoio para os estudantes deste estabelecimento de ensino.

Se José Carmo falou em menos dotação do Orçamento de Estado para as Universidades e de redução do número de alunos, já Carlos Abreu voltou a pedir que os madeirenses também tenham acesso ao passe sub-23, que permite utilização de transportes públicos a preços mais acessíveis.

O novo ano arranca com um ligeiro decréscimo do número de alunos, comparativamente com o ano transacto, mas com mais um curso técnico superior profissional.

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