Há um postal na Calheta que ‘inglês’ não vê

A Calheta regista um manancial de potencialidades de inegável qualidade. O clima ajuda, as paisagens promovem, mas não apagam constrangimentos. E não são poucos.

13 Ago 2017 / 02:00 H.

A freguesia da Calheta apresenta vários postais emblemáticos, muitos para ‘inglês ver’, apreciar e até enviar para bem longe. É desta freguesia que sai uma boa parte das fotografias promocionais do concelho. O Rabaçal, o percurso das 25 Fontes e a praia de areia amarela, são imagens de marca do município, sobretudo quando a vista panorâmica tem como ponto de focagem o Vale dos Amores, onde um dia alguém decidiu erguer o modelar Museu de Arte Contemporânea e que tanta projecção tem dado. Mas há uma outra Calheta além destas bonitas vistas.

O sítio da Estrela é uma das portas de entrada para quem pretende beneficiar do serviço de saúde público, todavia há muito que a infra-estrutura é um cartão de visita que ninguém gosta de mostrar. A não ser quem escolhe ignorar as belezas e reclamar que as paredes possuem bolor ou que há demasiadas infiltrações no prédio. Os anos passam e as “palavras” de político “leva-as o vento”. Tem sido assim, ano após ano.

Mas para lá chegar muitos automobilistas circulam pela velhinha e estreita estrada que muitos problemas causam quando surge por diante um veículo ligeiro e uma camioneta ou, para agudizar, dois ligeiros e um peão. A exiguidade do traçado rodoviário expõe um problema de mobilidade, segurança – especialmente em período escolar – ou de expansão comercial da freguesia. E por falar em estrada, o acesso ao Rabaçal carece de uma intervenção caso contrário os buracos podem passar a ser anexos de vale postal.

À parte destas queixas, para muitos a Estrela continua a ser o motor do comércio, porém há quem contrarie lembrando que a pujança pertence ao passado e que a actividade começa a esmorecer. Recordam que o encerramento temporário da autoabastecedora quase ‘matou’ os sinais de vitalidade.

Os empresários reclamam pela dinamização de eventos sociais e culturais, o reforço da iluminação pública e uma diminuição da carga fiscal, este último tamanho desejo quase sem esperança de obter. Já esqueceram as linhas azuis dos parquímetros, a não ser um emigrante que adquiriu dois pisos de um empreendimento para explorar um negócio de estacionamentos que hoje está às moscas porque se queixa de falta da a actuação da edilidade.

Mas na Calheta existem mais ‘postais’. O Centro de Maricultura é um polo de investigação de referência quando se fala do tema de aquacultura, todavia não muito distante dali está a ETAR, longe de operar na sua plenitude. Quem vive nas redondezas aponta para o equipamento como sendo um péssimo cartaz, tão mau que não muitas vezes o tal ‘inglês’, hospedado no hotel de linhas ‘fashion’, faz questão de reclamar.

Outras Notícias