Há mais de 150 carros eléctricos na estrada

Contudo, ainda são uma ‘gota no oceano’ comparado aos veículos
a gasóleo ou gasolina. As reservas de Lítio dão esperança na baixa
de preços, mas em 2018 já se paga os carregamentos

09 Out 2017 / 02:00 H.

Em cinco anos a Madeira multiplicou por 10 o número de viaturas eléctricas a circular nas estradas regionais, passando de cerca de 15 em 2012 para mais de 150 actualmente. No entanto e naturalmente, comparado ao número de veículos a diesel (gasóleo) ou a gasolina, representam uma ínfima parte de todo o grosso de automóveis que, diariamente, são vendidos nos concessionários regionais (viaturas novas) e stands multimarcas (viaturas usadas). Em seis meses de 2017, ou seja nos primeiros 151 dias do ano corrente foram vendidos (registados em conservatórias de registo automóvel), em média, 46 viaturas.

Segundo informação avançada pelo secretário regional com a tutela dos transportes, há um notório e crescente interesse pelos veículos movidos a energia alternativa e ‘verdes’. Eduardo Jesus sublinha, “os dados de que dispomos na Direcção Regional da Economia e Transportes não deixam margem de dúvidas: passamos de 15 veículos eléctricos vendidos, em toda a Região, para mais de 150, no início deste ano, sendo expectável que este número venha a aumentar até ao final de 2017, em função da procura que nos tem sido reportada”, apontou.

Analisando os registos de venda de veículos nas Conservatórias da Região, estes aumentaram 12,3% face ao 1.º semestre de 2016. Ou seja, representou a venda de 6.958 veículos automóveis (novos e usados), 85,3% dos quais ligeiros de passageiros e 13,8% ligeiros de mercadorias (onde se incluem também os mistos), segundo informação disponibilizada pela Direcção Regional de Estatística da Madeira. “Registou-se ainda a venda de 58 pesados, cerca de 0,8% do total. Face ao mesmo período do ano passado, contabilizaram-se em termos globais mais 764 registos, o que se traduziu num crescimento homólogo de 12,3%”, acrescenta.

“Foi naturalmente na Conservatória do Funchal onde se procedeu ao maior número de registos de vendas de automóveis novos e usados, 63,4% do total (4.413). Ao invés, no município menos populoso da Região – o Porto Moniz – encontra-se a Conservatória onde menos transacções se registaram no 1.º semestre de 2017 (25)”.

Este crescimento está em linha com os primeiros três meses do ano, em termos percentuais, uma vez que se registava um aumento homólogo de 12,1%. Contudo, em termos concretos, venderam-se mais viaturas nos primeiros três meses do ano (3.557) do que no segundo trimestre (3.401). Em termos históricos recentes, há um ligeiro ascendente do 2.º trimestre em termos de número de viaturas vendidas, face ao 1.º trimestre, contudo é nos 3.º e 4.º trimestres que se registam o maior número de vendas. E a continuar esta ‘tradição’, poderemos contar com mais um ano de aumento de vendas. O que inclui também os veículos eléctricos, numa aposta cada vez mais necessária e reforçada. Contudo, embora haja sinais de esperança na diminuição de preços, o Estado prepara-se para começar a cobrar pelos carregamentos, até agora gratuitos.

Informação deve chegar a todos

Durante este mês de Outubro e em complemento à facturação da Empresa de Eletricidade da Madeira, cerca de 110 mil lares e 20 mil empresas receberão informação detalhada sobre as vantagens da escolha para a mobilidade eléctrica, em comparação à mobilidade convencional. É mais uma das iniciativas que surge integrada na estratégia de promoção e sensibilização pública para este tipo de mobilidade, assumida pela Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura.

A informação prestará ainda esclarecimentos acerca do enquadramento legal, dos incentivos existentes e dos benefícios fiscais, quer do ponto de vista do cidadão comum quer para os empresários. Brochuras especificamente criadas para suscitar o interesse “em crescendo” que tem vindo a ser constatado, no terreno, particularmente ao longo do desenvolvimento da campanha ‘Madeira Move’, realizada, pela primeira vez, nos 11 concelhos da Região, conforme explicou, ao DIÁRIO, o secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus.

No decorrer dessa acção, refere, “um dos carros eléctricos que estavam ao serviço da experiência da mobilidade eléctrica acabou por ser vendido e temos conhecimento de que, efectivamente, o interesse e mesmo as reservas aumentaram neste último mês, o que vai ao encontro daquele que é nosso objectivo, ou seja, o de explicar e sensibilizar para motivar a decisão”.

A estratégia que defende, reforça, “passa por informar e apostar, cada vez mais, na maior visibilidade de uma opção que é de futuro e, nessa lógica, importa que cada decisão seja suportada no conhecimento, na experiência e no contacto directo com a realidade, precisamente a base da campanha que estamos a desenvolver em toda a Região”.

Ainda que ciente de que “qualquer mudança de paradigma exige o seu tempo”, Eduardo Jesus mostra-se confiante com a adesão da população madeirense e portosantense, e não dúvida que este deverá ser, acima de tudo, “um desafio e um compromisso comum para que a Região possa diminuir a sua dependência energética do exterior, reduzir a utilização e importação de combustíveis fósseis e aumentar a capacidade de integrar cada vez mais produção de energia renovável, com ganhos individuais e colectivos”.

A esperança no Lítio português

Há uma ‘corrida ao ouro’, no caso ao Lítio, metal que já é fonte importante nos computadores portáteis, mas que vai ser o natural substituto do petróleo, quando a indústria automóvel abraçar em definitivo as viaturas eléctricas, com o anunciado fim dos stocks do ‘ouro negro’. E Portugal terá um papel importante, assim se saiba aproveitar as reservas existentes no subsolo nacional que, dizem os prospectores, é das maiores do mundo.

Na primeira semana de Dezembro deveria terminar o prazo limite para o pedido de contrato de exploração da primeira mina de Lítio em Portugal, mas o caso anda em tribunal opondo a empresa que tem a licença e a empresa que fez a prospecção do terreno em Sepeda, no concelho de Montalegre, numa área que dizem ser “o maior recurso de Lítio num depósito em pegmatito na Europa”. São 11 as áreas definidas.

Segundo noticiou o jornal Público em finais de Setembro, foram feitas perfurações ao longo de quase 19 quilómetros para encontrar a fonte de produção e extracção de óxido de Lítio. E dado os resultados obtidos, Portugal quer centrar todo o processo industrial (em vez de enviar a matéria-prima para fora), através de uma Estratégia Nacional do ‘metal do futuro’ em 30 concessões numa área total de 2.500 quilómetros quadrados para ‘alimentar as indústrias espacial, electrónica e química.

Segundo o DN-Lisboa, o Deutsche Bank os principais mercados do Lítio, em 2015, foram veículos eléctricos (25%), telemóveis e ‘smartphones’ (19%), computadores portáteis (16%), que devem crescer a procura média em 3,6% ao ano nos próximos 10 anos.

O revês nos carregamentos pagos

Na sua edição de ontem, o jornal ‘Público’ noticiava que os carregamentos rápidos de carros eléctricos devem passar a ser pagos a partir do próximo ano. É certo que esteve previsto a entrada em vigor de um tarifário ao longo do ano, mas tem sido adiado pela sua complexidade e agora só deve ocorrer em 2018. Pelo menos ao nível de Portugal continental.

A ideia, embora seja para cobrança aos consumidores deste tipo de veículos, passa por garantir que seja significativamente mais barato carregar a bateria de um veículo eléctrico, que pode durar na forma rápida cerca de meia-hora, do que encher o depósito, que normalmente dura um minuto ou menos.

Em todo o país, haverá neste momento cerca de 2.600 viaturas 100% eléctricas ou híbridas que têm 1.250 pontos de carregamento da Rede MOBI.E (9 na RAM), das quais 40 de forma rápida (quatro na Madeira). Estima-se que daqui por um ano, a entrar em vigor o pagamento da carga das baterias de Lítio, custará no máximo cinco euros para 80% da potência.

Saiba mais em www.mobie.pt/faqs.

Sem curto-circuito

A combinação entre água e electricidade, normalmente não é aconselhável. No entanto, a Land Rover lançou há poucos dias o Range Rover Sport Híbrido Plug-in, ou ‘P400e’, que desafia a água e provou-o numa ‘corrida’ com duas nadadores (ver foto) entre a praia da ilha de Burgh e Inglaterra, em pleno Canal da Mancha. Durante 14 quilómetros, a curta margem de terra que liga à ilha, foi percorrida em maré baixa. O ‘P400e’ venceu os ‘concorrentes’, que nadaram 1,5 km até à meta. Veja o vídeo do ‘water test drive’ em baixo.

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Números vantajosos

1.200

Custo de ter um não eléctrico

Um condutor que percorre 16.000 km por ano, cerca de 6 litros de gasóleo aos 100 km e um preço de 1,25€ por litro, gastará, em média, 1.200 euros por ano em combustível.

770

Umas das boas razões para mudar

Os mesmos 16.000 km num veículo eléctrico, um consumo de 1 kWh por 5,6 km, seriam menos de 2.900 kWh. Com preço entre 0,15€ e 0,35€ por kWh, a poupança seria entre 200€ e 770€ por ano.

9

Número de postos a crescer

Não só no país, mas também na Madeira, a posta em postos de carregamento de viaturas eléctricas disparou nos últimos tempos. Cá já são 9.

30

Minutos para carga rápida

Num posto de carregamento normal (3,7 kWh) demora 6 a 8 horas para 100% da bateria. Num ‘semi-rápido’ (22 kWh), pelo menos 1 hora para 80%. Num ‘rápido’, são 20 a 30 minutos para os mesmos 80%.