Gigante dos mares lançou a âncora de um projecto

‘Seaside’ tem 323 metros, um pouco menos do aumento pretendido para

14 Dez 2017 / 12:26 H.

É mais um navio que escolhe ancorar no Porto do Funchal durante a sua viagem inaugural, antes de começar a tão ambicionada jornada: desbravar mares e oceanos. O MSC ‘Seaside’ é a recente pérola da companhia italiana e tem, em termos de dimensões, qualquer coisa como 323 metros de comprimento, 72 de altura e 41 em largura, não tendo passado despercebido a quem visitou durante o dia de ontem a capital madeirense e olhou rumo ao horizonte, rumo que o navio tomou por volta das 17 horas.

O paquete, que tem a capacidade para transportar 5.119 passageiros, leva consigo cerca de 100 portugueses nesta primeira viagem, havendo ainda alguns que chegaram de avião à Madeira propositadamente para embarcar naquilo que podemos apelidar como um ‘hotel flutuante’.

Este autêntico paraíso a motor oferece um mundo de entretenimento e classe tecnológica, destacando-se nas suas valências uma promenade de 360.º ao nível do mar, uma ponte no ‘deck’ superior com 40 metros de altura, um dos maiores aquaparques construídos em navios, o maior slide de todos os cruzeiros, três piscinas, 11 restaurantes, 20 bares e ‘lounges’, um teatro com 934 lugares, uma fábrica de chocolate, entre outras atracções.

Na visita ao ‘Seaside’, nem parecia que estávamos a bordo de uma embarcação, isto porque o navio é “muito estável, silencioso e sem vibrações”, conforme destacou Pier Paolo Scala, o comandante. Tal afirmação foi totalmente comprovada, embora as condições do mar não fossem adversas.

Proveniente de Trieste, Itália, de onde zarpou na última sexta-feira, o mais recente ‘bebé’ da MSC e 14.º da frota, com um peso à nascença de 160 mil toneladas, segue rumo às Ilhas Canárias, de onde parte numa viagem que perdurará 11 dias até chegar a Miami. Aí, irá operar entre esta cidade norte-americana e as Caraíbas, passando por México e Jamaica.

O preço dos itinerários no Mar do Caribe vão desde os 449 até aos 6.249 euros por pessoa, dependendo dos dias - onde pode escolher entre sete a 14 -, e do camarote, num lote de albergues que vão desde o interior, vista mar ou varanda, havendo ainda pacotes familiares com a possibilidade de pernoitar num autêntico apartamento com capacidade para 10 pessoas.

100 milhões para aumentar o cais

O Porto do Funchal torna-se cada vez mais apetecível para as grandes companhias ancorarem, nem que seja por umas horas, sendo esta uma das portas de entrada na nossa ilha, onde só este ano atracaram 486 navios de cruzeiro, trazendo até à Madeira 490 mil passageiros. Para cimentar esta posição, a Região não pode esquecer que o azul da sua bandeira representa a sua condição insular, daí que a economia marítima tenha preponderância nos cofres do Governo Regional e na dinamização de vários sectores, a começar pelos taxistas, que se notavam em grande número.

Baseando-se neste princípio, Miguel Albuquerque aproveitou a visita ao navio para anunciar que já obteve o parecer dos estudos que encomendou em 2016, no valor de 7,5 milhões de euros, para avaliar o aumento do Porto do Funchal.

“A estimativa de ampliação do Porto do Funchal é mais barato do que inicialmente se previa, devido a estudos preliminares que apontam não ultrapassar os 100 milhões de euros”, disse o presidente do executivo madeirense, colocando a obra do Novo Hospital e a segurança da baía do Funchal como investimentos prioritários para a Região.

Embora a obra esteja na gaveta para um próximo mandato, o prolongamento do Porto do Funchal em quase 400 metros, dado que o molhe “já estava direccionado para essa ampliação”, visa proteger essencialmente o Cais Norte, isto porque está “muito exposto” à agitação marítima e, como frisou Miguel Albuquerque, “não podemos prever o estado do mar” quando as reservas de navios “são feitas com quase um ano de antecedência”.

O presidente do Governo Regional explicou ainda que “com a retirada da praia, a baía do Funchal fica exposta e não havendo praia para amortização”, como havia antes do fatídico mês de Fevereiro de 2010, a ideia é agora dar “utilização ao Cais Norte”, fazendo ainda melhoramentos na Marina. “É um projecto que temos de desenvolver muito rapidamente”, realçou Miguel Albuquerque.

Ora, o ‘Seaside’, com um custo estimado em 700 milhões de euros - cerca de 39% do Orçamento Regional para 2018 -, insere-se num momento em que estão a ser construídos cerca de 70 navios deste género, conforme adiantou João Welsh, delegado da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo.

“Os cruzeiros no mundo estão a crescer e vão continuar a crescer. O potencial de crescimento é muito grande e natural. Isto é cíclico, porque também tem a ver com o crescimento de outros mercados, como é o caso do mercado asiático”, adiantou o responsável, verificando que a Madeira, “em termos de curvas longas” é “um porto extremamente apetecido pelas companhias de cruzeiros”.

Continuar a crescer no luxo

Com a perspectiva de crescimento nas escalas para o próximo Verão, Miguel Albuquerque disse que “no turismo de cruzeiros, o que se vende são percursos e esses são muito sujeitos aos mercados”, facto que leva a “algumas flutuações”, embora “neste momento não temos razões para nos queixarmos”.

O líder do executivo madeirense salientou que “não podemos concorrer com Roma ou Barcelona”, olhando de seguida para o futuro, depois de se recordar de uma conversa que estabeleceu, precisamente em Miami, com o vice-presidente da Carnival, outra das grandes companhias de cruzeiros mundiais.

“A tendência aqui é para os navios de cruzeiro terem duas valências. Serem cada vez maiores, no sentido de as viagens serem mais baratas e acessíveis à generalidade das pessoas, e depois há outro segmento que está a crescer, que são os cruzeiros de luxo e que também nos interessa apanhar, que são os navios mais pequenos, com melhores serviços e mais caros”, concluiu.

15% dos madeirenses fazem cruzeiros

O director geral da MSC Cruzeiros Portugal falou igualmente sobre o navio que ‘segue o sol’, classificando o momento como “uma realidade incrível para a MSC, porque comporta parte do segundo grande plano de investimento” da companhia, que passa por canalizar 10,5 mil milhões de euros a fim de colocar 12 navios novos no mar.

“É um design completamente inovador, num conceito virado para o mar” esclareceu o responsável pela marca em terras portuguesas, informando que os números de passageiros “estão definitivamente a crescer” neste sector, especialmente no mercado nacional, com “50 mil portugueses a viajar em todo o Mundo”.

A MSC vai fechar este ano transportando entre “22 e 23 mil passageiros”, numa quota de mercado fixada nos 41% e onde os madeirenses têm de certa forma contribuído para esses mesmos indicadores.

“O mercado madeirense cada vez tem um maior apetite por fazer cruzeiros, mas também é muito fácil quando se tem uma janela virada para o mar”, elogiou Eduardo Cabrita, afirmando que existem 15% de passageiros da Madeira a fazer cruzeiros com a MSC durante todo o ano. Daqui a 4 anos, a Madeira está no horizonte da MSC como porto base.