“Futebol feminino ainda está longe dos melhores”

Entrevista a Fátima Pinto

14 Jun 2018 / 02:00 H.

A jogadora madeirense Fátima Pinto foi um dos destaques da temporada que agora finda de futebol feminino, não só pelos títulos conquistados ao serviço do Sporting, mas também pela qualidade individual patenteada e, de resto, reconhecida através da sua inclusão na equipa ideal do campeonato. Além disso, é cada vez mais uma presença assídua na selecção nacional, onde se assume como titular.

Que balanço faz, em termos individuais e colectivos, à época que findou, onde conquistou, pelo segundo ano consecutivo, uma ‘dobradinha’ com o Sporting? Um balanço positivo. Começámos a época com duas vitórias e uma derrota na Liga dos Campeões, que não era de todo o que queríamos, mas ainda assim com uma equipa inexperiente nesta competição conseguimos fazer coisas muito boas. Ganhámos a Supertaça, a Liga Allianz e a Taça de Portugal, tudo objectivos que foram traçados desde o princípio. O próximo passo será passar à fase seguinte da Liga dos Campeões. A nível individual consegui uma vez mais estar no melhor onze da Liga, o que me deixa realizada uma vez que são as nossas adversarias que votam.

A final da Taça de Portugal foi quase uma repetição do que aconteceu no ano passado. Estava à espera de tantas dificuldades frente ao Braga? Quase todos os jogos contra o S.C. Braga tornam-se uma ‘repetição’, visto que em sete jogos temos cinco vitórias e dois empates. São uma equipa aguerrida, organizada e com qualidade, muitas jogadoras são colegas de selecção, por isso já sabia o que nos esperava.

Como é que vê o nível do campeonato português de futebol feminino? Há cinco anos já tinha jogado no campeonato português pelo CA Ouriense onde também fizemos a dobradinha. Para mim, as principais diferenças desses tempos para hoje são as condições de trabalho que o Sporting CP nos proporciona, a capacidade financeira para ir buscar jogadoras estrangeiras (algo que também enriquece o campeonato) e a massa adepta que nos acompanha em todos os jogos. O campeonato está mais competitivo, mas ainda estamos muito longe do nível das melhores da Europa.

Teve uma experiência de dois anos pelo futebol espanhol. As suas ambições individuais passam por voltar a jogar em campeonatos estrangeiros? Foram dois anos onde conheci outra realidade do futebol feminino. O campeonato é muito competitivo e tem jogadoras com muita qualidade, um dia gostava de lá voltar.

Que importância poderá ter, em termos da evolução do futebol feminino madeirense, a recente subida do Marítimo à I Divisão nacional? Quero congratular as jogadoras e a estrutura do C.S. Marítimo pela subida à I Divisão. Não vai ser fácil, mas conhecendo algumas das jogadoras, sei que têm potencial para manter-se por cá. Aqui, as jogadoras madeirenses terão outra visibilidade, o que lhes poderá abrir portas para outros clubes e quem sabe uma chamada à selecção. Uma vez que alguns jogos são transmitidos poderá também despertar interesse noutras meninas da ilha, o que é importante, pois só é possível evoluir se tivermos mais praticantes com uma boa formação, que a meu ver é o grande problema do futebol feminino. Eu tive a sorte de me formar com rapazes no Juventude A.C., algo que foi fundamental para o que sou hoje. Muitas atletas não têm formação e começam a jogar aos 15 anos, o que retarda o processo de ‘evolução’, pois com essa idade começam a aprender o básico.