‘Fundo do Mar’ ergue-se ao som de 12 vozes infantis

A 36.ª edição do Festival da Canção Infantil é esta tarde no Centro de Congressos

22 Abr 2017 / 02:00 H.

Mais vozes masculinas, seis entre as 12 que vão concorrer, é um dos aspectos diferenciadores da 36.ª edição do Festival da Canção Infantil da Madeira, o culminar de um trabalho de meses de preparação que se traduz num espectáculo para toda a família, para ver ao vivo hoje a partir das 16 horas, no Auditório do Centro de Congressos da Madeira. A casa vai estar cheia, provavelmente esgotada, pois ontem faltavam vender apenas 20 dos mais de 600 lugares na plateia. Este ano o tema é ‘O Fundo do Mar’.

Largas dezenas de pessoas contribuem para pôr de pé este Festival, uma iniciativa da Direcção Regional de Educação através da Direcção de Serviços de Educação Artística e Multimédia (DSEAM). Este ano o festival volta a ser transmitido à posteriori na grelha da RTP1 e RTP Internacional. Caberá à modelo e apresentadora Vanessa Oliveira conduzir o programa e apresentar as 12 canções/crianças em competição, temas inéditos defendidos por seis rapazes e seis raparigas com idades entre os 6 e os 10 anos.

A maestrina Zélia Gomes sabe cada canção já de cor. Preparou cada uma delas com empenho, como se em cada uma estivesse o vencedor. E está. Até à decisão do júri, cada um dos meninos pode vencer o troféu Folhas de Prata.

‘A máquina de fazer perguntas’ é da autoria de Carolina Caires, é cantada por Guilherme Vieira. ‘Lobo das Desertas’ tem letra de Lisandra Tavares e música de Elsa Cabrita, será defendida por Matilde Nóbrega; ‘Magia no meu mundo’ é uma criação de Renato Gonçalves para a voz de Camila Caetano. ‘No palco da leitura’ combina a letra de Rita Fernandes com a música de Almindo Fernandes e ‘Luva Sonhadora’, a de Natália Bonito com a de Antelmo Caboz. João Bonito dará mais beleza a este tema em palco e Inês Maciel ao anterior.

‘Olá pitanga’ foi escrita por Vítor Caires. Carolina Caires tratou da composição da canção e Iara Almas vai tratar de a cantar. No caso de ‘Despertar o sonho’, da pequena Helena Henriques, as tarefas de letra e composição foram divididas por Noémi Reis e Ricardo Rodrigues, respectivamente.

‘Minha bola amarela’ é um trabalho só de Maria Gabriela Rodrigues, para Salvador Fernandes, assim como ‘Alegria de viver’ é de Marco Nunes. Este elegeu Francisco Abreu para a levar a palco. As últimas três são ‘O gato riscado’, de Rui Camacho e Orlando Freitas, o primeiro na letra, o segundo nas notas musicais; ‘O menino quer brincar’, de Eva Lara Falcão e Ricardo Correia nos mesmos papéis; e ‘Cabeça no ar’, de Martim Branco e Carina Freitas, que também foram parceiros. Foram escolhidos Eunice Grilo, Salvador Freitas e João Caires como intérpretes.

O júri é formado novamente por crianças e adultos numa relação de 3-4. É presidido pelo director regional de Educação, Marco Gomes.

A organização tenta diversificar sempre e encontrar elementos inovadores. “Claro que ao fim de 36 anos, encontrar sempre coisas novas, não é fácil”, confessou Virgílio Caldeira, director de serviços. “Nós vamos jogando com os nossos trunfos da DSEAM, que é uma escola de artes. Eu diria que neste festival não só há competição ao nível do canto, mas também apresentamos o canto associado à dança, o canto associado ao ritmo, o canto associado à luz, às dinâmicas artísticas, aos coros. Enfim, nós criamos aqui um ‘kit’ de artes, digamos assim, brincamos com as artes naquele palco.”

“Há aqui um trabalho e um projecto, uma produção que, face à sua qualidade, ganhou uma projecção considerável e que naturalmente nos motiva muito, a nós organização, para nos envolvermos e no fundo darmos o litro por isto, porque de facto bem o merece”.

O Festival nestas mais de três décadas ganhou asas e caminha todos os anos procurando acrescentar alguma coisa, mantendo a essência do concurso, dando oportunidade a autores de criarem temas novos e a intérpretes de competirem num ambiente salutar, destaca o responsável. Aliás, as actividades sociais são um dos pontos fortes deste Festival, que movimenta também os mais de 60 elementos do Coro Infantil da DSEAM e a maestrina Zélia Gomes, que se empenha para manter a qualidade ano após ano.

A experiência tem sido uma aliada. “A cada ano é preciso fazer com rigor e com uma preparação especial porque são crianças novas”, revelou. O tempo é um desafio extra, sendo a interrupção da Páscoa uma altura de trabalho intenso, não apenas para os solistas, mas também para as restantes crianças. Hoje são 62 crianças a garantir o suporte. Quatro foram convidadas para assumir o papel principal.

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