Funchal estreia-se nos debates

É o design de comunicação elitista? A questão será respondida no dia 20

15 Fev 2018 / 02:00 H.

É o design de comunicação elitista? A questão será aprofundada no dia 20 de Fevereiro em simultâneo em seis cidades do país, incluindo ainda Lisboa, Porto, Évora, Loulé e Vila Nova de Famalicão, num encontro de reflexão promovido pela Acesso Cultura. No Funchal, que participa pela primeira vez, o debate decorre na Sede do Dançando com a Diferença, na Rua dos Barcelos n.º 9, em Santo António, entre as 18h30 e as 20 horas.

Os debates começaram em Outubro de 2013 discutindo o ‘Serviço público, museus e fotografia: Que limites?’. Desde então vários outros temas foram abordados, inicialmente apenas em Lisboa e Porto, numa segunda fase estendendo-se a outras cidades. Só agora o Funchal e V.N. de Famalicão juntaram-se à iniciativa, que acontece sempre em simultâneo nos diversos locais que se associam, no mesmo horário e com diferentes oradores convidados.

Na Madeira vão intervir Natércia Xavier, ex-directora regional de Cultura, actual adjunta para a área cultural de Paula Cabaço, secretária regional do Turismo e Cultura; Sandra Assunção Nóbrega, coordenadora do Teatro Municipal Baltazar Dias; Cássia Navas, professora e investigadora; e Diogo Gonçalves, membro do Dançando com a Diferença, como moderador.

Que tipo de design é utilizado para comunicar? É possível um design de comunicação que chegue a todos? As duas questões juntam-se à primeira para aprofundar a conversa. O objectivo destes encontros é reflectir em conjunto sobre questões ligadas à acessibilidade – física, social e intelectual – e o impacto que tem na vida das pessoas.

O último debate foi sobre o elitismo na cultura. “Um dos participantes levantou a questão do design e da comunicação elitista. Entende-o como elitista quando não facilita o acesso e, pelo contrário, oculta a informação, porque a intenção é comunicar apenas com alguns, os entendidos. Pareceu-nos, por isso, interessante centrar a nossa discussão no papel do design (e da comunicação em geral) no acesso à informação, na criação de uma identidade visual e numa prática de divulgação que não valoriza apenas a estética, mas também a funcionalidade. Queremos ainda discutir os próprios conteúdos dos materiais de divulgação”, convida a Acesso Cultura.

Em Lisboa o debate decorre na Fundação José Saramago, com Catarina Medina, do Teatro Maria Matos; Cláudia Castelo, da barbara says; Helena César, consultora de comunicação; Paulo Alves, designer de comunicação; será moderado por Maria Vlachou, consultora de gestão e comunicação cultural.

No Porto realiza-se no Teatro Carlos Alberto, vai contar no painel com Inês Maia, do Festival Internacional de Marionetas do Porto; José Reis, do Teatro Municipal do Porto; Maria João Baltazar, da Escola Superior de Artes e Design (ESAD) Matosinhos. Cláudia Almeida, consultora em comunicação, será a moderadora.

A Direcção Regional da Cultura em Évora é palco também desta conversa. Lá reunidos vão estar Inês Secca Ruivo, da Universidade de Évora; Joana Oliveira, da PédeXumbo; e Sandra São Pedro, da Direcção Regional de Cultura do Alentejo.

Em Loulé, no Loulé Design Lab, encontram-se António Lacerda, professor universitário e designer; Fred Phillips, do Atelier do Sul; Luís Caracinha, designer de comunicação; Verónica Guerreiro, designer de comunicação e produto; e Andreia Pintassilgo, designer, será a moderadora.

Por último, em Vila Nova de Famalicão participam Álvaro Santos, da Casa das Artes; Cristina Lamego, designer; Nuno Coelho, designer; e Alexandre Matos, museólogo, que será o moderador. Na Galeria Municipal Ala da Frente

Este ano estão previstos outros três debates. A 17 de Abril discutem ‘Podem as organizações culturais fazer política? Devem?’; a 19 de Junho o tema é ‘Quais as barreiras da implementação de boas práticas de acessibilidade?’; e a terminar, a 20 de Novembro, ‘Programar nas periferias: O quê? Para quem? Com quem?’.

“Todos os debates da Acesso Cultura, a gente tem percebido isso pelos anos anteriores como associados, colocam e trazem questões importantes sobre o trabalho que a gente faz no dia-a-dia. É como se a gente tivesse oportunidade de parar para pensar o que está fazendo, dentro dessas questões de acessibilidade”, refere Henrique Amoedo, director do Grupo Dançando com a Diferença. Muitas vezes no dia-a-dia essas questões são ultrapassadas. “A gente no dia-a-dia não pára, e é uma chance de pensar isso antes de estar trabalhando, antes de estar fazendo, antes de estar ‘com a mão na massa’, antes de estar na prática.”

“Para quem a gente está comunicando? E como está comunicando? A forma que a gente comunica chega a todo o mundo? É levantar esse tido de questão”, convida o director artístico e coreógrafo.

Por princípio, a Acesso Cultura organiza debates abertos aos profissionais do sector cultural e a todo o público interessado nestes temas.

A entrada é livre.

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