Franco fez História

03 Out 2017 / 02:00 H.

Uma vitória histórica alcançada por Ricardo Franco em Machico. O candidato pelo PS é reeleito com 58,61% dos votos, contra 27,74% do PSD e 4.31% do JPP, que se torna a terceira força política no concelho, destronando o CDS-PP. Em termos práticos, os socialistas elegem 5 vereadores e os social-democratas 4 vereadores.

As primeiras reacções começaram a surgir de forma tímida na sede do PS, bem no centro da cidade de Machico. Ricardo Franco já lá estava há algum tempo e, juntamente com a sua equipa, ia “fazendo as suas contagens”, mas sempre sem querer avançar com dados que não fossem os oficiais.

Entretanto, já junto à Câmara Municipal, Élvio Encarnação (PSD) e Nuno Moreira (PS) avançavam com os primeiros resultados. Os social-democratas venciam a Assembleia de Freguesia do Santo da Serra, enquanto os socialistas conquistavam a Junta do Caniçal.

Nas ruas começavam a ouvir-se as primeiras buzinas de automóveis, contrastando com a pacatez vivida até à projecção dos primeiros resultados. Embora os candidatos demonstrassem alguma confiança em relação à ‘corrida’ às urnas, a verdade é que a abstenção não teve uma melhora significativa comparativamente com as últimas autárquicas, acabando por cifrar-se nos 43,68%.

“Estava confiante na reeleição, na renovação da confinaça por parte da população de Machico, mas não esperava uma vitória tão retumbante, tão expressiva como aquela que aconteceu”, assumiu Ricardo Franco.

“Acabámos por ganhar cinco vereadores, contra dois do PSD. Esta é uma vitória histórica em Machico”, reforçou o reeleito Ricardo Franco, com um sorriso no rosto, entre dezenas de abraços que teimavam em interromper as palavras do presidente.

Quanto aos desafios para o futuro, o vencedor da noite assumiu que a prioridade é “concluir a recuperação financeira do Município”. Além disso, a aposta no turismo “é uma regra de ouro para Machico, é um objectivo fundamental, que terá como consequência primeira a criação de emprego, que é isso que nós precisamos”.

Caniçal foi ‘cereja no topo do bolo’

Vencer a Junta de Freguesia do Caniçal era um dos grandes objectivos do PS, que acabou por se confirmar. Emanuel Santos será o novo presidente de Junta e não escondeu a sua alegria aquando dos resultados. Aliás, o sentimento de satisfação invadiu a sede do partido, com vários militantes e simpatizantes a festejarem efusivamente a vitória nessa freguesia, numa comemoração que foi potenciada com a chegada de Emanuel Santos, mais tarde, à festa junto à Câmara Municipal.

Festa socialista fez-se no Largo dos Milagres

O Largo dos Milagres, na Banda d’Além, encheu-se de bandeiras, camisolas e de vozes que entoavam cânticos de apoio ao reeleito presidente Ricardo Franco. Num pequeno palco, preparado para o efeito, os candidatos eleitos pelo PS discursaram às centenas de machiquenses que se deslocarma ao local. Também o líder do PS-Madeira, Carlos Pereira, esteve em Machico para demonstrar o seu apoio e satisfação por mais esta vitória conquistada nesse concelho.

JPP conquista espaço

O Juntos Pelo Povo ganha terreno em Machico. Carlos Costa, o candidato à Câmara Municipal, fez um balanço bastante positivo, até porque, o JPP foi a terceira força política mais votada, ‘roubando’ o posto à CDU.

“Esta foi a nossa primeira candidatura às autárquicas em Machico e nós não tínhamos a certeza absoluta de qual seria efectivamente o nosso eleitorado específico”, assumiu o cabeça-de-lista. No entanto, Carlos Costa ressalvou que, com o avançar da campanha, o JPP foi começando a perceber uma certa afectividade por parte dos eleitores, constatada principalmente nas iniciativas porta-a-porta. Aliás, o candidato assume que, chegou a pensar em eleger alguém em determinadas freguesias.

“Nós vamos continuar, somos um partido muito jovem, [...] temos que ambicionar mas o caminho faz-se caminhando. Obviamente que temos a previsibilidade de nos candidatarmos, no futuro, a esta autarquia, e vamos trabalhar já na segunda-feira, na criação da nossa concelhia”, explicou.

CDS não esperava este resultado

Quem não estava à espera do resultado alcançado pela sua candidatura era Marietta Drumond. A cabeça-de-lista pelo CDS deixou de ser a terceira força política do concelho. A candidata assumiu que este ano, com dez candidaturas na corrida – mais três do que nas últimas autárquicas – e a entrada do JPP, tornava-se uma eleição mais difícil.

“Não estamos satisfeitos com o resultado, não era este o resultado que estávamos à espera”, assumiu a candidata, que contava com uma equipa jovem para a acompanhar. Em 2013, o CDS tinha alcançado 7,05% dos votos, ficando-se pelos 2% nestas eleições.

Ricardo Sousa assume responsabilidade na derrota

“Esta derrota é só minha. Fui eu que delineei a estratégia e assumo-a de inteiro”, afirmou Ricardo Sousa, o candidato pelo PSD que saiu derrotado na noite eleitoral. O social-democrata assumiu que olha com “alguma apreensão” a derrota, assumindo que não estava à espera da derrota. “Mas aceitamos e damos os parabéns à população de Machico, que escolheu o seu caminho, em frente”, disse Ricardo Sousa.

No entanto, o PSD assume que vai ocupar o seu lugar como oposição, lutando para que o PS cumpra as promessas que fez durante a campanha eleitoral. “Vamos honrar todos aqueles que votaram no PSD, levando as nossas propostas, sendo interventivos, apontando aquilo que está menos bem, mas também elogiar quando for para elogiar”, disse.

Quando questionado sobre aquilo que correu mal na campanha, Ricardo Sousa afirma que é difícil estar a apontar pontos fracos. “A campanha correu bem. A população recebeu-nos muito bem. Costumo dizer, em jeito de brincadeira, que se metade da população que me bateu nas costas votasse em mim, já estávamos mais do que eleitos”, referiu o candidato do PSD.

Ricardo Sousa assumiu que foi feita uma “renovação, uma alteração”. “Unimos o partido. O partido estava um pouco desavindo. Unimos e estávamos no bom caminho, mas a população não entendeu assim e mais uma vez assumo toda a responsabilidade por esta derrota”, vincou.

Outras Notícias