Fez queixa por perseguição e acabou morta 14 dias depois

PSP e Ministério Público sabiam que Ilídia Macedo vivia com medo do ex-companheiro

14 Fev 2018 / 02:00 H.

Ilídia Macedo, a subdirectora da Loja do Cidadão que foi barbaramente assassinada na madrugada de 15 de Abril do ano passado no seu apartamento na zona da Ajuda, era vítima de actos de perseguição por parte do ex-companheiro Valter Moreno já há várias semanas e até apresentou queixa no Comando da Polícia de Segurança Pública 14 dias antes da fatídica ocorrência. Por isso mesmo, o arguido vai ser julgado não só por homicídio qualificado e por ter resistido aos agentes policiais no momento da detenção como também pelo crime de violência doméstica.

O julgamento de Valter Moreno por violência doméstica constitui uma pequena vitória da família da vítima mortal, já que o Ministério Público (MP) quis arquivar esse crime. Aliás, em relação a essa questão, os procuradores andaram aos avanços e recuos.

A funcionária pública, de 36 anos, andava com medo das atitudes de seguimento obsessivo e ameaças (ver destaque) feitas pelo homem com quem viveu dois anos e de quem se separara a 31 de Janeiro de 2017. Atemorizada, Ilídia apresentou queixa por violência doméstica na PSP no dia 3 de Abril. Aberto o processo-crime, o procurador da 2.ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Funchal atribui-lhe natureza ‘Urgente’.

Ilídia é inquirida no MP na manhã de 13 de Abril e compromete-se a apresentar nomes de testemunhas e cópias de mensagens SMS e de e-mail que alegadamente comprovavam o comportamento ameaçador do ‘personal trainer’ e antigo atleta do Sporting. Algo que não chegaria a concretizar, pois foi assassinada dia e meio depois. O processo de investigação da violência doméstica acabou por ser anexado ao processo de homicídio, mas na hora da acusação o procurador entendeu que não havia provas para acusar Valter Moreno pelo crime de violência doméstica.

O advogado que representa os interesses do filho de Ilídia Macedo (de 9 anos de idade, fruto de um relacionamento anterior) não se conformou com o arquivamento daquele crime e requereu abertura de instrução. Há pouco mais de uma semana, a juíza Susana Mão de Ferro deu-lhe razão e reconheceu que os actos de perseguição protagonizados pelo arguido “consubstanciam a prática de um crime de violência doméstica”, já que ocorreram num contexto de “fim de um relacionamento afectivo não aceite pelo arguido” e de “reiterada intenção de controlar as acções e movimentos da ofendida, procurando apurar se esta o traiu ou tinha já outro relacionamento e acompanhado de contactos físicos não desejados e facilitados pela familiaridade decorrente da relação que mantiveram”.

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