Famílias responsáveis por 12% das altas problemáticas

Maioria das 531 pessoas são mulheres com idades entre os 80 e os 90 anos

13 Mar 2018 / 02:00 H.

‘Desresponsabilização familiar’ e ‘Conflitos/violência familiar’ são causas responsáveis por 12% das altas problemáticas, tecnicamente designadas de clínicas. Dizem respeito a pessoas que, na Madeira, permanecem à responsabilidade do SESARAM por razões sociais e não clínicas. As causas sociais mais sujeitas à censura da comunidade são as referidas, representando a ‘Desresponsabilização familiar’ 38 casos e o ‘Conflito/violência familiar’ outras 27 situações, de um total de 531.

Apesar de terem expressividade, existem outras causas bem mais significativas, ligadas à rede de suporte. O levantamento das situações, efectuado pelo SESARAM, aponta a ‘Incapacidade de prestação de cuidados devido ao agravamento da dependência’ como uma das causas que afectam 237 pessoas. Por ordem decrescente, a segunda maior causa social é a ‘Ausência de cuidador’, que afecta 172 idosos. A terceira razão mais significativa é a existência de cuidadores com problemas de saúde.

Mesmo não estando entre as três causas mais significativas, é de algum relevo o facto de existirem 48 pessoas que estão nas unidades de internamento de longa duração – UILD – pelo facto de o seu cuidador ‘natural’ ser uma pessoa também idosa.

58 pessoas são sem-abrigo

A maior parte das pessoas que estão em alta problemática permanece nessa condição, essencialmente, por questões sociais. Mas os condicionantes físicos das habitações também pesam significativamente no não regresso a casa de muitas das pessoas que procuram o serviço de saúde. De entre as que estão ao cuidado do SESARAM, 212 vêem o regresso ao domicílio dificultado ou impedido por barreiras arquitectónicas.

Em termos de dimensão, o segundo maior grupo é o das pessoas ‘Sem-abrigo/sem habitação’. Existem 56, nessa condição, ao cuidado do SESARAM.

Outros indivíduos, tendo casa, não podem regressar porque a habitação não tem condições de higiene, está em risco de ruir ou não tem quaisquer equipamentos.

Quatro com mais de 100 anos

Do total de altas problemáticas do SESARAM, existem quatro pessoas que têm mais de 100 anos. Aliás, como seria de prever, o factor idade é o que mais pesa. Mas, no lado oposto, entre os mais novos, também existem pessoas que não regressam a casa por questões socais. Existem três utentes em unidades de saúde, com menos de 40 anos, em alta clínica, um deles com menos de 30.

Um dos exemplos, possíveis de dar para demonstrar o que leva uma pessoa jovem a estar na condição de alta problemática, é o de dois irmãos de Câmara de Lobos que, há uns anos, foram atropelados e, desde então, estão praticamente paralisados numa cama de hospital.

Mas, apesar de haver alguma juventude, a esmagadora maioria é idosa. 343 têm mais de 80 anos e 88 estão entre os 75 e os 80.

A larguíssima maioria das 531 altas problemáticas são de mulheres, 366, equivalente a 69%. Os outros 31% correspondem a 165 homens.

Soluções em estudo

Há anos que existem altas problemáticas, um problema para o SESARAM, que tem vindo a crescer e que os governos regionais se têm demonstrado ser incapazes de resolver, até ao presente.

Actualmente decorrem trabalhos no sentido de fazer com que a solução passe pelas entidades de saúde, mas, igualmente, pelas que têm actuação vocacional na área social. Destacam-se o SESARAM e a Segurança Social, mas não só. Como, na última sexta-feira, referiu Pedro Ramos, algumas situações podem ser obviadas com a colaboração das autarquias. O exemplo que o secretário da Saúde dava era o da Ponta do Sol, onde se prevê que, com pequenas obras domiciliárias e a adaptação dos serviços de saúde e da Segurança Social, nove pessoas em alta problemática possam regressar a casa.

Certo é que, como já acontece em Portugal continental e é comummente admitido na Região, as altas problemáticas não têm de ser um encargo exclusivo do SESARAM.

O Orçamento inicial da empresa, para 2018, para os Internamentos em Unidades de Domicílio Virtual (altas problemáticas) era de 13 milhões de euros, à razão de 67 euros por dia e por pessoa. Mas essa despesa é crescente, como o comprova o aumento de 900 mil euros, destinados ao pagamento da renda do Atalaia, cujo funcionamento ainda não passou para o orçamento da Segurança Social. Uma saída que continua em estudo.

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