“Extreme é investimento muito elevado”

15 Fev 2018 / 02:00 H.

“A Extreme é um investimento muito elevado.” Esta é a razão de fundo, que levou o Governo Regional a decidir não apoiar, neste ano, uma etapa na Madeira do Extreme Sailing Series. A frase é da secretária do Turismo e é complementar à justificação que a Secretaria do Turismo apresentou e que foi publicada no DIÁRIO, na passada terça-feira, que aponta para a prioridade dada pelo executivo madeirense à área social, o que determinou também uma redução no orçamento da própria entidade gestora do Turismo.

Confrontada com o facto de haver, no ORAM, um ligeiro aumento da verba destinada a Promoção e Valorização da Actividade Turística (15,2 para 15,3 milhões de euros de 2017 para 2018) e, em simultâneo, uma redução do montante destinado a Promover a Coesão e a Inclusão Social (de 24,7 para 20,9 milhões de euros no mesmo período), Paula Cabaço explica que a prioridade à área social é vista na globalidade do Orçamento da Região e que ganha expressão, em especial, na área da saúde com mais 23 milhões de euros, se expurgado o valor que no ano passado se destinou ao pagamento de dívida do SESARAM.

Por outro lado, da Direcção do Turismo também foi reduzido, se não forem contabilizados os 1,5 milhões de euros destinados ao programa de comemorações dos 600 anos da Madeira. Se a comparação for entre as rubricas que existiam no ano passado e as que têm as correspondentes em 2018, a redução é real. Esse decréscimo é, por assim dizer, o contributo da área que tutela para a maior aposta no sector social e, em concreto, como referido, para a área da saúde.

Acresce o facto de, como referido ao início, o valor para apoiar a Extreme ser muito elevado. Um montante que se revela indispensável à promoção da Madeira, em geral, sendo certo que dá para vários eventos. De resto, a rubrica que, no ano passado, contemplou 500 mil euros para o evento, neste ano tem a inscrição ‘zero’.

Ainda que a governante não tenha feito a comparação, é possível fazer um paralelismo com o valor investido nas festas de Carnaval desde ano, que não chegou aos 400 mil euros.

Igualmente questionada sobre o argumento de que, neste ano, seria possível obter uma redução no montante a despender, Paula Cabaço confirma que isso fez parte das negociações, havidas entre o Governo regional e o promotor do evento na Região. Mas, faz notar a governante, em causa esteve uma redução de cerca de 500 mil euros para aproximadamente 300 mil. “Ainda assim é muito dinheiro.”

Secretaria vai apoiar actividades de mar

A Secretaria do Turismo garante que o não financiamento do Extreme Sailing Series não significa que não vão ser apoiadas eventos náuticos. Sê-lo-ão seguramente, garante Paula Cabaço.

Esses apoios vão acontecer através de dois tipos de financiamento: actividade normal de promoção da Madeira e programa dos 500 anos. Dito isto, poderia parecer contraditório, com esta determinação, o não apoio ao Extreme. Foi nesse contexto que a secretária do Turismo referiu ser “um investimento muito elevado”, o valor pedido aos cofres da Região. Verba que, neste momento, encontra outras prioridades para utilização. No lado contrário, o da entidade que gostaria de dispor do dinheiro da Região para realizar o evento, existe o argumento de que o investimento tem muito retorno e dizem que, em 2017, o evento teve um impacto de média de 13,5 milhões de euros. Na prática, é contabilizado o valor que teria o impacto na imprensa, televisão, rádios e redes sociais, se a cobertura tivesse de ser paga como publicidade.

A Associação de Vela da Madeira, por Sérgio Jesus, irmão do anterior titular da pasta do Turismo, defende que, agora que a Região assinala os 600 anos, faz mais sentido o apoio à iniciativa, por, afirma, ser uma maneira de “assegurar uma cobertura global das comemorações”.