Excelência e força musical na abertura do Funchal Jazz’18

13 Jul 2018 / 02:00 H.

“Este é o sítio mais fantástico que alguma vez já estive, nunca mais vou sair daqui”. Estas foram as palavras elogiosas que o premiado músico Vijay Iyer dirigiu ao Funchal, no arranque da segunda noite de concertos do Funchal Jazz em 2014, no Parque de Santa Catarina. Ora, como o prometido é devido - aliás, o DIÁRIO fez questão de publicar, à época, as palavras de Vijay Iyer -, aquele que voltou a ser eleito como o Pianista do Ano está de regresso hoje, sexta-feira, ao Parque de Santa Catarina, para abrir a segunda noite de concertos da edição de 2018 do Funchal Jazz, desta vez apresentando-se não em trio, mas, sim, com o seu destacado sexteto.

E foi ontem à noite que arrancou aquela que é a mais premiada edição de sempre do Funchal Jazz que, conforme oportunamente revelou o DIÁRIO, só este ano, os artistas elencados para o festival de 2018 angariaram já 13 prestigiantes prémios e ainda nomeações para Grammy.

Da responsabilidade da Câmara Municipal do Funchal, o festival atraiu uma boa moldura humana para uma primeira noite, tradicionalmente mais ‘morna’.

A primeira noite do Funchal Jazz contou, na plateia, com figuras como o presidente da CMF, Paulo Cafôfo, Francisco Santos, coordenador do Gabinete de Estudos do PSD-M, João Henrique Silva, director do Museu de Arte Sacra, Duarte Caldeira, presidente da Junta de São Martinho, Ricardo Vasconcelos, músico madeirense da banda Amor Electro, entre outros. Mas apesar da ameaça da chuva, a noite esteve agradável e as pessoas mostraram-se visivelmente entusiasmadas por estar no Parque de Santa Catarina.

“Alguma vez ia perder a oportunidade de ver ao vivo, na Madeira, a Jazzmeia Horn?”, começou por dizer Clara Freitas, uma das muitas pessoas que encheram as cadeiras do Parque. “Tenho gostado mais do Funchal Jazz destes últimos anos, têm vindo artistas de indiscutível qualidade”, adiantou Ricardo Silva.

Opiniões que expressam o reconhecimento do público face a um cartaz de um festival que faz questão de ser pontual em termos de horários. E não falha: a abrir, pelas 21h30, começou a tocar o quarteto do saxofonista Ricardo Toscano, que demonstrou, na prática, o quão “mágico” foi tocar no festival.

“Boa noite, obrigado por terem vindo. É uma grande honra estar a tocar neste festival”, disse Ricardo Toscano, cujo quarteto abriu o Funchal Jazz com uma canção original que só tem uma semana de ‘vida’, seguida do tema ‘The Sorcerer’ do ‘gigante’ Herbie Hancock, prosseguindo um concerto que atestou que este quarteto é já umas das forças maiores do jazz português da actualidade.

Pouco depois das 23 horas subiu ao palco, nada mais, nada menos, que a grande revelação jazzística do ano, a cantora Jazzmeia Horn, cuja voz encheu de melodia o Parque de Santa Catarina. E apoiada por uma banda de luxo, demonstrou a razão pela qual é, hoje, indiscutivelmente uma das grandes divas mundiais do jazz.

De resto, hoje à noite, e depois do concerto do sexteto de Vijay Iyer, entrará em acção o quarteto co-liderado pelo baterista Billy Hart e pelo saxofonista Joshua Redman, músico que, em entrevista ao DIÁRIO, falou do jazz com enorme paixão: “O jazz para mim é ouvir e interagir, comunicar e conversar com os outros, ligar-se ao momento, partilhar ideias, emoções e experiências, tentar criar algo em conjunto”. Para conferir, hoje, no Parque de Santa Catarina.

Convém salientar que, após os concertos no Parque e até sábado à noite, o Scat, no Lido, serve de palco ao quarteto de Ricardo Toscano, que se alia ao guitarrista madeirense André Santos para formar um quinteto que protagoniza as ‘after-hours’ do festival.