“Estou mortinho que chegue o dia” da estreia no Casino

Miguel Araújo, músico

16 Abr 2018 / 02:00 H.

Miguel Araújo está de regresso ao Funchal, para dar concerto ao vivo no próximo dia 28 de Abril, no espaço Bahia do Casino da Madeira. Ao DIÁRIO, o músico fala da sua estreia no Casino e diz “Estou mortinho que chegue o dia”.

Como surgiu a oportunidade de vir realizar este espectáculo à Madeira?

Foi um convite, uma proposta, como acontece com todos os espectáculos. Este proporcionou-se, o que foi óptimo.

Que músicas traz na bagagem?

A minha vida autoral começou em 2005, já tenho cerca de 100 editadas. Toco essencialmente músicas dos meus 3 discos a solo, e algumas que escrevi e compus para outros amigos de profissão.

A vida de músico é inimiga de quem tem família?

No meu caso não, porque não faço separação de “vida” e “música”, desde os meus 11 anos que as duas se fundem, se confundem, e cada vez mais é assim.

Como é que um pai de três filhos consegue articular a carreira com a vida familiar?

Ainda que tenha muitas solicitações por causa da música, estou mais tempo em casa do que os meus amigos que têm profissões mais convencionais. Posso-me dar ao luxo de não aceitar tudo, e é o que faço, rejeito muitas propostas.

Com tantas digressões e concertos, como consegue arranjar tempo para compor?

Eu componho permanentemente. Em viagem, nos hotéis, etc. Não preciso de ter nenhum instrumento, não preciso de blocos de notas. Tenho uma boa percentagem da minha massa encefálica afecta a essa actividade. Mesmo a dormir, há uma parte do meu cérebro que está sempre a germinar. É uma obsessão, uma maldição. Mas uma boa maldição.

E como é que alguém que faz o curso de gestão na Universidade Católica acaba músico?

Como é que um músico tira um curso que depois não lhe serve para grande coisa, seria mais essa a pergunta. Não sei, aconteceu, não me lembro bem, já foi há 20 anos.

De que forma olha para o actual panorama musical português?

Sou muito fã de muitos músicos portugueses, Portugal é o país de proveniência da maioria da música que eu ouço e gosto. Acho a música popular uma coisa notável. Uma língua difícil como a nossa, quando casa com a melodia, harmonia e ritmo, produz um efeito notável.

Também escreve muito para outros cantores, como o António Zambujo e a Ana Moura. Que tal é ver o seu trabalho ‘declamado’ por outros?

É uma honra, uma alegria desmedida. É um aval, um garante que me enche de vaidade e orgulho.

Como artista, como analisa a recente polémica em torno dos apoios públicos às Artes?

Não analiso, não estou a par desse mundo, no mundo da música popular não existe nada disso, pelo menos que eu saiba. Para mim, pelo menos, não existe.

“Anda comigo ver os aviões” será, nesta altura, uma música que contrasta com a realidade de muitos madeirenses que, como provavelmente já terá lido, andam à volta com a questão das ligações aéreas entre a Região e o continente português. Na qualidade de artista que viaja imenso, que experiência tem tido, por exemplo, com a TAP?

Não sei, não vivo sintonizado com esse tipo de questão. Entro no avião, adormeço, chego ao destino e vou buscar a minha mala à passadeira rolante.

Que referências musicais tem da ilha? Infelizmente, nada. Não conheço nada.

Que memórias guarda do seu concerto de 2012 no Parque de Santa Catarina, na altura com Os Azeitonas?

Lembro-me de um óptimo ambiente, estava o André Indiana, a Mónica Ferraz, o Rui Veloso...foi uma óptima noite. Entretanto voltei lá ao Parque de Santa Catarina a solo, e já estive também no Festival Aqui e Acolá na ponta do sol, e também no clube náutico. Adoro a Madeira.

Vai aproveitar para conhecer um pouco mais a ilha da Madeira?

Nunca dá muito tempo, mas vou tentar. Já conheço decentemente, de tantas vezes que aí fui tocar.

Que projectos tem para breve?

Começar a gravar novas músicas, tenho quase 40 acabadas para ir trabalhando.

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