Entre acusações e confissões

Na TSF-M, Rui alves

13 Nov 2017 / 02:00 H.

O presidente do Nacional anunciou a sua recandidatura às próximas eleições, caso ninguém avance para o seu lugar. Rui Alves esteve ontem nos estúdios da TSF-Madeira, ‘ao abrigo’ do programa desportivo ‘Bola no Ar’, com o sócio alvinegro Domingos Abreu, onde juntos debateram o passado, a actualidade e o futuro da formação da Choupana e com várias acusações à mistura, uma delas com o presidente a apelidar Bruno Patacas, ex-director desportivo do Nacional, de “corrupto”.

São já 22 anos à frente da liderança do clube, numa viagem que sofreu uma grande turbulência com a descida de divisão consumada na época anterior, facto que “acarreta um sem número de situações altamente complicadas para a gestão do plantel de futebol profissional”, começou por referir Rui Alves, esclarecendo que “muitas vezes as colectividades ficam numa situação de sobrevivência” ao serem relegadas para a II Liga.

As receitas televisivas, subvenções públicas e reformulação do plantel são três pilares que abalam a saúde financeira do clube, situação que só pôde ser ultrapassada “com muito investimento”.

Quanto ao actual sétimo posto que o Nacional ocupa na tabela, as expectativas do presidente nacionalista “passado um terço do campeonato” eram de estar colocado “mais acima na classificação”. Ainda assim, Rui Alves acredita que o clube será capaz de “lutar pelo objectivo até ao fim”, mesmo para “aqueles que entendiam que a descida do Nacional seria uma queda num abismo sem fim”. Para colmatar algumas lacunas, o dirigente anunciou que irá haver uma intervenção cirúrgica neste próximo mercado de transferências.

Ainda com a palavra, Rui Alves relembrou que quando o Nacional subiu à I Liga, auferia uma subvenção na ordem dos três milhões de euros e recebia esse mesmo apoio “no primeiro mês de competição”. Agora, recebe metade do dinheiro e em Fevereiro, com encargos fiscais adicionais na ordem dos 40%, em relação a 2002.

Ao falar de dinheiros públicos, o Marítimo e Carlos Pereira vieram à tona. O presidente alvinegro acha “muito estranha a posição de reunir fora do quadro institucional” e não acredita que isso “faça parte do ADN do presidente do Marítimo”, na questão muitas vezes falada do clube único.

“O único consenso que o motiva é todas as medidas que possam ser tomadas pelo Governo no sentido de reforçar a ideia de que o futuro está destinado à Madeira ter só um clube. E tudo o que Governo tem feito aponta nesse sentido”, acusou Rui Alves.

Nacionalista preocupado

Foi assim que Domingos Abreu se apresentou aos microfones da TSF-Madeira. O sócio nacionalista acusou Rui Alves de “desprezo” em relação aos sócios e mostrou-se igualmente preocupado com a carência de crescimento social do clube, ao que o presidente do Nacional respondeu de pronto ser “impossível construir o céu na Terra”.

“Na fase mais alta, em que se concluiu as infra-estruturas, e mesmo quando éramos qualificados para a Liga Europa, já havia um conjunto de sinais e evidências claras do trabalho que deveria ser preparado para o futuro”, disse Domingos Abreu, prosseguindo com o seu ponto de vista.

Não responder a pedidos de informação e “não promover, facilitar ou permitir o acesso dos sócios às instalações do clube como espaço para reflexão”, foram outros dos pontos negativos mencionados por Domingos Abreu, lamentando que a descida do Nacional “provoca uma falta de informação no acesso ao acompanhamento dos jogos”.

Depois de acusar Domingos Abreu de “desonestidade intelectual”, Rui Alves disse serem “inaceitáveis as insinuações de cada membro” do Fórum do Nacional, acrescentando: “Entrei mais rico no Nacional do que saio hoje”, disse, a propósito do caso que envolveu os 500 mil euros de comissão pagos ao empresário de Aly Ghazal.

Ainda em relação a dinheiro, os 600 mil euros que Domingos Abreu disse ao DIÁRIO que a administração do Nacional custava aos cofres do clube, Rui Alves disse que essa abordagem deu a entender que cinco indivíduos estavam a gerir o Nacional e recebiam aquele valor por ano do dinheiro dos cidadãos”, lançando outra farpa para o Marítimo: “Nunca arrendei apartamentos a jogadores nem vendi gasolina”.

“É incompetência ter descido”

O conhecido adepto do Nacional disse querer “um Nacional fiel à sua matriz” e que 800 sócio “não é um número aceitável”, questionando qual a estratégia utilizada por Rui Alves para ‘combater’ estes números. Domingos Abreu acrescentou ainda a ideia de que o Nacional tem de “fugir à dependência” das subvenções, antes de recapitular a página negra da época passada.

“É incompetência o Nacional ter descido de divisão”, disse Domingos Abreu, lamentando o despedimento tardio de Manuel Machado e caracterizando a decisão como “falta de rigor e compromisso profissional”.

Domingos Abreu explicou ainda que não vê “pessoas vestidas na rua de preto e branco e a afirmar a marca”, indumentária que “só se vê nos estádios, piscinas ou pavilhões”, pedindo então uma maior “dinâmica social de família”.

“Muito pequeno para se dividir”

No tempo final das duas horas de conversa, Rui Alves reforçou a ideia de que o Nacional é um clube “muito grande, mas muito pequeno para se dividir” e que o seu comportamento “sempre foi no sentido de não criar divisões”, razão pela qual raramente se tem pronunciado.

Mostrando claras evidências de apoio à recandidatura de Rui Alves, por onde “o futuro passa”, Domingos Abreu disse que “ninguém vai concorrer contra” o actual presidente, pois “não há ninguém que o bata”, pedindo então que o dirigente máximo dos alvinegros apresente uma estratégia e que a construa, sem esquecer a “abertura à sociedade nacionalista”.

Providência ao estádio

Ficou também confirmado que o Nacional apresentou uma providência cautelar sobre as obras que então decorriam no Estádio dos Barreiros, por alegadas irregularidades. O próprio Domingos Abreu revelou no que quando era deputado municipal, foi induzido pelo vice-presidente do Nacional a impugnar a obra em Assembleia Municipal da Câmara, o que não o fez porque o dirigente do Nacional, Pedro Mota, nunca lhe entregou os documentos que alegava ter a provar as ditas irregularidades.

Patacas é “corrupto”

Rui Alves descreveu Bruno Patacas como “um corrupto dentro da casa do Nacional”, acusando o ex-internacional de “roubar dinheiro ao Nacional através de relações paralelas com os empresários”. De acordo com o presidente nacionalista, Bruno Patacas “recebia comissões” quando estava no clube. “Não fez nada para o penalizar? Não moveu uma acção para resolver esse problema desse corrupto? Se fez mal ao meu clube exijo que seja julgado. Deixámos sair um corrupto”, disse na ocasião Domingos Abreu.

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